O Brasil vai ficar para trás? JORNAL

O Brasil vai ficar para trás? JORNAL

O mundo mudou de velocidade. E o Brasil ainda anda a passos lentos.

Quando eu era criança, ouvia meus pais dizerem que o Brasil era o país do futuro. Isso faz tanto tempo que o futuro já passou, e a gente continua esperando.

Algo importante está acontecendo agora. E poucos estão prestando atenção.

Entramos em uma nova fase do jogo global. Mais rápida. Mais imprevisível. Mais estratégica. Hoje, uma decisão em Washington ou Pequim pode mudar o preço do seu almoço e o futuro do seu emprego.

Você já parou para pensar que o chip do seu celular é hoje mais estratégico do que um tanque de guerra? Pois é. Estados Unidos e China gastam bilhões para não depender um do outro. Não é mais sobre produzir barato. É sobre quem controla a tecnologia. Quem define as regras. Quem fica com o poder.

Como disse Henry Kissinger: a geopolítica não desaparece, ela se transforma. E a transformação agora tem nome: semicondutores, inteligência artificial, autonomia.

Antes, bastava fazer mais barato. China produzia, mundo comprava. Agora, não. Os países querem depender menos dos outros. O mundo não parou. Ele acelerou.

E o poder mudou de endereço. Saiu dos exércitos e entrou nos laboratórios. Saiu das fronteiras e entrou nos algoritmos.

E o Brasil nessa história?

Aqui mora o paradoxo que me tira o sono. O Brasil virou um gigante do campo. Planta, colhe e alimenta o mundo. Ninguém faz isso melhor. Constata-se no interior de Goias e do Mato Grosso a força do agronegócio brasileiro. É impressionante.

Mas…

Produzimos muito. Transformamos pouco. Exportamos matéria-prima. Importamos produtos prontos.

Dani Rodrik e Celso Furtado já avisaram: país que só exporta soja, café, minério e carne não cresce de verdade. Fica refém. Depende do preço que os outros pagam. Quando a commodity sobe, todo mundo comemora. Quando cai, a festa acaba. Isso não é desenvolvimento. É sorte.

A solução não é parar de plantar. É transformar o que planta. Exportar soja a granel dá 1 real. Transformar em óleo, ração, biodiesel dá 3, 5, 10 reais. Isso se chama agroindústria. E o Brasil ainda patina nela.

Nenhum país grande cresceu apostando em uma coisa só. É preciso indústria de tecnologia, energia, inovação. Mas o Brasil tem dificuldades que todo mundo conhece: Estado ineficiente, burocracia, educação que não forma para o futuro.

Yuval Noah Harari resumiu: “O futuro pertence a quem aprende.” E aprender, no Brasil, ainda é privilégio.

Peter Drucker dizia: “O futuro não acontece por acaso — ele é construído.” Pois bem. Quem está construindo o futuro do Brasil?

No fim, fico com uma certeza: o Brasil não pode mais esperar. O mundo está correndo. Continuar só exportando matéria-prima é escolher ficar pequeno.

Penso que o nosso país pode dar um salto: pode continuar forte no campo e virar potência também na indústria. Já vi brasileiro fazer milagre com pouco. Não nos falta talento. Falta casar o pensar com o realizar — e pensar logo.

Porque o mundo não vai esperar. E se a gente continuar do jeito que está, vai ficar inevitalmente para trás.

Autor: Walmor Tadeu Schweitzer

Contato: walmor1953@gmail.com

 

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