Memórias de um Inquieto

Memórias de um Inquieto

O futuro pertence a quem não se acomoda

 

Inquietar-se é recusar a estagnação.
É achar que sempre existe um jeito mais justo, mais eficiente, mais humano e mais inteligente de fazer as coisas. É essa inquietude — saudável, criativa, ética — que impulsiona transformações pessoais, profissionais e sociais.

Hoje, mais do que nunca, a inquietação tornou-se uma competência estratégica. Ela se manifesta no colaborador que busca constantemente melhorar, no pesquisador que não se satisfaz com respostas fáceis, no profissional liberal que reinventa sua prática, e no líder que enxerga oportunidades onde muitos veem apenas limitações.

Ensina Carlos Bernardo González Pecotche: “O homem desperto não se acomoda jamais.”
Essa frase é a síntese perfeita do espírito que move a minha vida.

A infância

 

Ainda menino, durante as constantes reformas do bar do meu pai, eu observava tudo com atenção incomum: a disposição das mesas, a cor das paredes, a harmonização do espaço, a funcionalidade de cada detalhe. E lá estava eu — criança — fazendo perguntas, sugerindo mudanças, propondo novas ideias.

Hoje percebo que aquela inquietude infantil já revelava meu modo particular de olhar a vida.

Escreveu Fernando Pessoa:
“Tudo vale a pena quando a alma não é pequena.”
E era exatamente essa alma inquieta que me fazia pensar que sempre havia algo a aperfeiçoar.

A escola

 

Nos bancos escolares fui aquele aluno insistente, às vezes incômodo, mas sempre movido pela busca sincera de compreender o mundo. Perguntava não para confrontar o professor, mas para ampliar horizontes.

Alguns docentes não apreciavam muito essa postura; outros, porém, entendiam que perguntar é um gesto de coragem.

E como legou Sócrates:

“A única verdadeira sabedoria está em saber que nada sabemos.”
Esta frase acompanhou minha adolescência e guiou meu entendimento de que o conhecimento nasce da dúvida — nunca da acomodação.

O trabalho

 

Na Prefeitura, descobri que a inquietude podia ir além da observação e se tornar ação concreta. Foram anos de trabalho dedicados a transformar rotinas, legislações e sistemas.

Da revisão de normas ao redesenho de procedimentos;
da modernização dos sistemas informatizados às melhorias físicas nas repartições;
de pequenos ajustes a mudanças estruturais.

A inquietação deixou de ser apenas um traço pessoal e tornou-se ferramenta de impacto público.

E, como lembraria Rui Barbosa,
“Nada podemos esperar da acomodação; é na luta que reside a dignidade.”

Conclusão

 

Hoje, vejo claramente que minha trajetória inteira foi moldada pela inquietação — pela curiosidade que não envelhece e pela recusa em aceitar respostas prontas.

Estamos vivendo uma transformação profunda — material, tecnológica, cultural e espiritual.
O futuro é imprevisível, mas também cheio de possibilidades.

E esse futuro não será construído pelos que acreditam saber tudo,
mas pelos que se permitem pensar, repensar, desaprender e aprender tudo de novo.

Como afirmou José Saramago:
“Somos a memória que temos e a responsabilidade que assumimos.”

E, como escreveu Carlos Bernardo González Pecotche, sintetizando tudo:
“O ser humano necessita de inquietações que o movam a pensar e a sentir de outra maneira, para que possa descobrir os agentes causais de sua própria vida.”

A inquietação é, portanto, mais que uma característica.
É um modo de existir.
É o começo de toda transformação.
É a força que constrói o amanhã.

Autor: Walmor Tadeu Schweitzer
Contato: walmor1953@gmail.com

Fontes

  • Carlos Bernardo González Pecotche (Raumsol) – Pedagogia Logosófica; inquietação como força de evolução consciente.
  • Fernando Pessoa – Perspectiva existencial e poética sobre coragem, propósito e grandeza de alma.
  • Sócrates – Método socrático; conhecimento como fruto da dúvida.
  • Rui Barbosa – Ética, trabalho e combate à mediocridade.
  • José Saramago – Responsabilidade, consciência e reflexão crítica.

 

 

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