Tempo: O Eco das Nossas Escolhas

Tempo: O Eco das Nossas Escolhas

Percebo o tempo como algo que transcende a simples marcação de horas e datas. É a dimensão onde a vida se desdobra e se edifica verdadeiramente.

Como disse o físico John A. Wheeler, “o tempo se veste de jeitos diferentes na nossa mente”. Cada vez mais, noto que as coisas mais belas se escondem na correria, mas se revelam nos momentos em que paro para refletir – e é então que o tempo, para mim, desacelera seu compasso.

Medimos o tempo pela cronologia, uma linha reta e exata que organiza a vida. No entanto, sinto que o tempo é, sobretudo, percepção. Vivemos em uma aceleração constante, onde a exigência por respostas rápidas muitas vezes atropela minha capacidade de simplesmente viver e sentir.

Ao refletir sobre minha existência, percebo que quase tudo se resume a uma questão: o que faço com o tempo que me é dado. Ele é a matéria-prima da minha jornada. É nele que escolho, erro, aprendo e evoluo. A frase de Marco Aurélio, “o que fazemos agora ecoa na eternidade”, funciona para mim como um alerta silencioso: cada instante carrega um peso que ultrapassa o presente.

Aprendi que não é a quantidade de tempo que define uma vida consciente, mas a qualidade do seu uso. O tempo ignorado não se recupera — e essa consciência me torna mais atento e responsável.

Um dos meus maiores desafios é não ter pressa, mas também não perder tempo. Muitas vezes me pego dividido entre a ansiedade pelo futuro e o peso do passado, esquecendo que a vida acontece no agora. Como já ouvi: “não tenhamos pressa, mas não percamos tempo”. Esse equilíbrio exige autoconhecimento.

Concordo profundamente com Einstein: a “falta de tempo é desculpa daqueles que perdem tempo por falta de planejamento”. Quando não organizo minha vida interna (meus pensamentos e sentimentos) e minha vida externa (minhas atitudes), desperdiço a chance de evoluir. O tempo mal utilizado vira arrependimento; bem aproveitado, se transforma em aperfeiçoamento.

Exemplo: Uma hora parado no trânsito, cheio de irritação, parece uma eternidade. A mesma hora em uma boa conversa com alguém querido passa num instante. Isso é o peso emocional do tempo.

Compreendi que viver vai além das necessidades básicas. A vida ganha sentido real quando nutro meu espírito e minhas conexões. Como disse Mário Quintana, “A vida é o dever que nós trouxemos para fazer em casa”. Por isso, busco não adiar o que posso transformar hoje.

Aprendi mais observando ações do que apenas escutando palavras. O exemplo, como defendia Albert Schweitzer, é realmente o único meio de influência verdadeira. Um comportamento íntegro educa e inspira pela coerência.

Aproveitar o tempo, para mim, não é apenas produzir mais, mas tornar-me melhor. E essa evolução não pode ser solitária. Dedicar tempo à colaboração e ao respeito ao semelhante é o que dá sentido pleno à minha existência. Evoluir ajudando outros a evoluir parece-me ser nossa maior tarefa. O grande desafio não é vencer o tempo, mas honrá-lo.

Exemplo: Em vez de apenas correr para cumprir tarefas, paro dez minutos para ouvir um colega. Esse tempo “perdido” na agenda ganha um significado profundo de conexão.

Cada pessoa carrega seus tempos internos, suas dores e seus aprendizados. Quanto mais me conheço, menos julgo. Quanto mais compreendo, mais respeito.

 

O tempo é um mestre silencioso. Ele não volta, não espera e não se explica — apenas passa. Mas o que faço com ele pode transformar não apenas a minha vida, mas o mundo ao meu redor. Cabe a mim decidir se será desperdiçado ou transformado em virtude.

Quando uso o tempo para amar, aprender, evoluir e colaborar, ele deixa de ser um inimigo e se torna meu aliado. Passo, então, a viver não apenas para contar os dias, mas para dar significado a cada um deles.

 

“O tempo é a essência oculta da vida; é a própria vida em todo o seu percurso.” — Carlos Bernardo González Pecotche.

Autor: Walmor Tadeu Schweitzer

Contato:walmor1953@gmail.com

Fontes:

  • AURÉLIO, Marco. Meditações.
  • EINSTEIN, Albert. Como Vejo o Mundo.
  • PECOTCHE, Carlos Bernardo. Diversos livros.
  • SHAKESPEARE, William. Obras Completas.
  • QUINTANA, Mário. Antologia Poética.

 

 

 

Nenhum comentário

Escrever comentário