21 ago O Poder do Rádio
“O rádio não fala apenas ao ouvido; ele fala diretamente ao coração.”
A Voz que Sempre Esteve Presente
Desde que me entendo por gente, o rádio foi uma presença constante em minha vida. Mais do que um simples aparelho, ele foi companhia fiel, narrador do cotidiano e elo invisível que preenchia os lares com histórias, notícias, música e emoção.
Por meio de suas ondas sonoras, viajei sem sair de casa, acompanhei grandes acontecimentos e vivi intensamente fatos que moldaram minha geração.
Para mim, o rádio sempre foi muito mais do que um meio de comunicação: foi fonte de emoção, repositório de memórias e presença viva capaz de unir pessoas, despertar sentimentos e eternizar momentos que definem épocas.
O Rádio e a Construção da Vida Coletiva
O impacto do rádio, no entanto, vai muito além da experiência individual. Ao longo da história, ele desempenhou papel fundamental no desenvolvimento das nações.
Durante décadas, foi o único veículo de comunicação de massa. Informava fatos, fazia chamadas coletivas, oportunizava manifestações populares, fortalecia o esporte, alimentava a cultura e dava voz às transformações sociais. O rádio foi protagonista da história, costurando laços de pertencimento, identidade e memória coletiva.
Recordações e Emoções que Vinham das Ondas Sonoras
As transmissões esportivas incendiavam a imaginação da torcida. Em Lages e região, narradores como Aldo Pires de Godoi e Camargo Filho emprestavam suas vozes para fazer vibrar o Estádio Vidal Ramos Júnior e o Vermelhão de Copacabana.
Vitórias e derrotas não eram sentidas apenas no campo. Elas ecoavam pelos rádios espalhados pela cidade, onde cada lance era narrado com emoção contagiante, transformando ouvintes em participantes ativos da história.
Muito Além do Futebol: Música, Informação e Dramaturgia
Mas o rádio não se limitava ao esporte. Recordo-me, como se fosse hoje, dos programas musicais, dos noticiários locais, nacionais e internacionais, e das radionovelas que marcaram gerações, como:
O Direito de Nascer
Jerônimo, o Herói do Sertão
Sinhá Moça
.
Essas produções reuniam famílias inteiras em torno do aparelho. Cada locutor ou ator, com seu estilo próprio, tornava-se quase um membro da família — a voz que trazia segurança, entretenimento, informação e companhia.
Esses homens e mulheres do rádio foram verdadeiros cronistas do nosso tempo. Suas vozes ecoaram pelas ondas hertzianas e hoje fazem parte não apenas da minha memória, mas também da própria história de Lages.
Viagens Sonoras da Infância
Na minha infância, com o velho Rádio Semp como companheiro fiel, vivi incontáveis viagens sem sair de casa. Acompanhei cada detalhe dos jogos, torcendo apaixonadamente pelo Guarani e pelo Colorado Lageano, quando não havia o concorrido clássico da cidade, o famoso “Gua-Nal”.
A narrativa esportiva ganhava vida em minha imaginação. Era como estar na arquibancada, sentindo a vibração da torcida e a emoção do jogo ao vivo.
O rádio era mais do que comunicação: era ponte entre corações, histórias e sentimentos que talvez nunca se encontrassem de outra forma.
O Fascínio das Ondas Invisíveis
Durante a chamada Era de Ouro do Rádio no Brasil (1930–1960), locutores, artistas de radionovelas, compositores e apresentadores tornaram-se ícones nacionais.
O rádio não foi apenas um invento tecnológico, mas uma verdadeira revolução cultural. Era quase mágico imaginar que uma voz, transmitida por ondas invisíveis, pudesse atravessar cidades, estados e países inteiros, tocando vidas e formando consciências.
Primeiras Inspirações e Sonhos Pessoais
Por muito tempo, fui fascinado pelas locuções radiofônicas. Admirava as entonações de voz, capazes de prender a atenção e transmitir sentimentos diversos. Mais tarde, compreendi que essas variações — neutra, ascendente, descendente e ondulada — são técnicas essenciais para conquistar o ouvinte.
Na juventude, sonhei em trabalhar no rádio esportivo. Contudo, envolvido com o comércio do meu pai, o Bar Guairacá, esse desejo não se concretizou.
Ainda assim, sempre que possível, frequentava a Rádio Diário da Manhã de Lages e a Rádio Princesa, observando atentamente a sonoplastia, a locução e a produção das radionovelas.
Foi ali que conheci e admirei nomes como Tomazoni Filho, Eugênio Teixeira, Nelson Pereira, Hélio Aquino, Vânio Vargas, Aldo Pires de Godoi, Inah Oliveira e Mauro Mello, que se tornaram grandes referências para mim.
Um Legado que Ecoa Há 67 Anos
Há 67 anos, durante a Copa do Mundo de 1958, na Suécia, ouvi pela primeira vez a Rádio Guaíba, de Porto Alegre, sob a locução do professor Mendes Ribeiro, experiência vivida ao lado do meu pai e mais tarde relembrada por ele com emoção.
Ali descobri o verdadeiro poder da palavra falada — a força da emoção que ecoa pelas ondas sonoras e permanece viva na memória.
Cada locutor, sonoplasta, cantor, músico, ator e atriz de radionovela ajudou a transformar ondas invisíveis em laços profundos. Esses mestres da palavra ergueram um legado que ainda hoje ressoa nas lembranças de quem teve o privilégio de ouvi-los.
Conclusão
Ao ligar o rádio, encontrava-se muito mais do que notícias. Encontrava-se companhia, pertencimento e a magia de uma voz amiga que confortava e alegrava.
A mente é como um rádio: só recebe a frequência com a qual está sintonizada. Que estas palavras inspirem todos os que amam o rádio e acreditam no seu poder de transformação.
Que possamos continuar conectados às histórias, emoções e memórias que ele nos proporciona — e que essas ondas sonoras ecoem em nossos corações para sempre.
“Fazer rádio é um eterno vício para quem nasceu verdadeiramente radialista.”
— Mettran Senna
Frases sobre o Poder do Rádio
“O rádio cria imagens mais poderosas do que qualquer tela.” — Orson Welle“
O rádio é a imaginação em estado puro.” — Marshall McLuhan
“Enquanto houver alguém para ouvir, o rádio nunca morrerá.” — Roquette-Pinto
“O rádio fala baixo, mas chega longe.” — Autor desconhecido
Autor: Walmor Tadeu Schweitzer – Contato: walmor1953@gmail.com
Fontes
- McLUHAN, Marshall. Os Meios de Comunicação como Extensões do Homem. Cultrix.
- ORTRIWANO, Gisela Swetlana. A Informação no Rádio. Summus Editorial.
- CALABRE, Lia. A Era do Rádio. Zahar.
- ROQUETTE-PINTO, Edgar. Ensaios de Comunicação. MEC.
- SEVCENKO, Nicolau. A Corrida para o Século XXI. Companhia das Letras.



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