{"id":5271,"date":"2026-06-01T11:48:04","date_gmt":"2026-06-01T14:48:04","guid":{"rendered":"https:\/\/repensandoavida.com.br\/blog\/?p=5271"},"modified":"2026-06-01T13:27:05","modified_gmt":"2026-06-01T16:27:05","slug":"o-lageano-que-plantou-o-futuro-de-santa-catarina","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/repensandoavida.com.br\/blog\/o-lageano-que-plantou-o-futuro-de-santa-catarina\/","title":{"rendered":"Um artigo sobre a vida, o pensamento e o legado de\u00a0Glauco Olinger"},"content":{"rendered":"<p><span style=\"font-family: 'comic sans ms', sans-serif; color: #000080;\">Confesso que, ao me debru\u00e7ar sobre a trajet\u00f3ria de Glauco Olinger, sinto algo que vai al\u00e9m da admira\u00e7\u00e3o acad\u00eamica ou do respeito protocolar: sinto a rever\u00eancia que se reserva aos seres verdadeiramente raros. Nasci e cresci numa \u00e9poca em que o nome Glauco Olinger era pronunciado nos c\u00edrculos da agricultura catarinense com a mesma naturalidade com que se fala de uma lei da natureza \u2014 inevit\u00e1vel, fundamental, incontorn\u00e1vel. E quanto mais pesquiso sobre sua vida, mais me conven\u00e7o de que poucos brasileiros constru\u00edram, com t\u00e3o pouco alarde e tanta subst\u00e2ncia, uma obra t\u00e3o duradoura.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: 'comic sans ms', sans-serif; color: #000080;\">Este artigo n\u00e3o \u00e9 uma biografia, tampouco um elogio vazio. \u00c9, antes de tudo, uma reflex\u00e3o que me propus a fazer sobre o que significa dedicar mais de um s\u00e9culo de exist\u00eancia \u2014 e uma vida profissional de mais de seis d\u00e9cadas \u2014 \u00e0 causa do agricultor brasileiro. \u00c9 tamb\u00e9m uma homenagem que considero urgente, porque vivemos um tempo em que a mem\u00f3ria se fragmenta com a velocidade dos algoritmos, e homens como Glauco Olinger correm o risco de ser esquecidos antes de serem plenamente compreendidos.<\/span><\/p>\n<p><strong><span style=\"font-family: 'comic sans ms', sans-serif; color: #003300; font-size: 18pt;\">A Semente Lageana: Origem, Fam\u00edlia e Forma\u00e7\u00e3o<\/span><\/strong><\/p>\n<p><span style=\"font-family: 'Comic Sans MS'; color: navy;\">Glauco Olinger nasceu em 17 de setembro de 1922, nos Campos de Lages \u2014 mais precisamente na regi\u00e3o da Coxilha Rica, no planalto catarinense \u2014, uma terra marcada pelos campos abertos, pelo vento sul e pela cultura dos tropeiros que cruzavam o Brasil de ponta a ponta. <\/span><\/p>\n<h2><a href=\"https:\/\/repensandoavida.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2026\/06\/GLAUCO-OLINGER-SEMENTE-E-FOTO.png\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-medium wp-image-5287 alignleft\" src=\"https:\/\/repensandoavida.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2026\/06\/GLAUCO-OLINGER-SEMENTE-E-FOTO-300x250.png\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"250\" srcset=\"https:\/\/repensandoavida.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2026\/06\/GLAUCO-OLINGER-SEMENTE-E-FOTO-300x250.png 300w, https:\/\/repensandoavida.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2026\/06\/GLAUCO-OLINGER-SEMENTE-E-FOTO-1024x852.png 1024w, https:\/\/repensandoavida.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2026\/06\/GLAUCO-OLINGER-SEMENTE-E-FOTO-768x639.png 768w, https:\/\/repensandoavida.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2026\/06\/GLAUCO-OLINGER-SEMENTE-E-FOTO-700x582.png 700w, https:\/\/repensandoavida.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2026\/06\/GLAUCO-OLINGER-SEMENTE-E-FOTO.png 1375w\" sizes=\"auto, (max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/a><\/h2>\n<p><span style=\"font-family: 'comic sans ms', sans-serif; color: #000080;\">Foi nesse ambiente de lida com o campo, de gado, de cavalos e de c\u00e9u largo, que se formaram os alicerces do homem que dedicaria a vida inteira \u00e0 revolu\u00e7\u00e3o agropecu\u00e1ria e \u00e0 extens\u00e3o rural em Santa Catarina. Seu pai, Ol\u00edmpio Olinger, era descendente de imigrantes alem\u00e3es que vieram plantar ra\u00edzes no sul do Brasil. Seu sobrenome, Olinger, de clara origem germ\u00e2nica, ancora-se numa linhagem de trabalhadores e agricultores que trocaram o Velho Mundo pela promessa da terra nova. Sua m\u00e3e, Laura Vieira, era professora prim\u00e1ria \u2014 mulher de livros e de letras, que ensinou o filho n\u00e3o apenas a ler, mas a contemplar o mundo com os olhos da intelig\u00eancia curiosa.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: 'comic sans ms', sans-serif; color: #000080;\">Cresceu entre velhos tropeiros, gado bovino, cabras angor\u00e1s e cavalos de ra\u00e7a. O cheiro de terra molhada e de fuma\u00e7a de fog\u00e3o a lenha foi seu primeiro laborat\u00f3rio. E foi exatamente essa inf\u00e2ncia enraizada no campo que o empurrou, mais tarde, para a agronomia \u2014 n\u00e3o como fuga, mas como voca\u00e7\u00e3o. A sugest\u00e3o de um amigo mais velho que ingressara no curso de agronomia um ano antes foi suficiente para que Glauco n\u00e3o conseguisse enxergar outro caminho.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: 'comic sans ms', sans-serif; color: #000080;\">Em sua vida pessoal, construiu uma fam\u00edlia igualmente s\u00f3lida. Casou-se com Maria Auxiliadora, por quem nutriu profunda e reconhecida paix\u00e3o \u2014 ela que partiu antes dele, deixando uma saudade que Glauco jamais escondeu. Tiveram duas filhas: Claudia Maria, tamb\u00e9m j\u00e1 falecida, e Glaucia Maria, que leva o nome do pai como heran\u00e7a e orgulho. Da fam\u00edlia que se ramificou vieram duas netas e quatro bisnetos.<\/span><\/p>\n<p><strong><span style=\"font-family: 'comic sans ms', sans-serif; color: #003300; font-size: 18pt;\">O Agr\u00f4nomo e o Cientista: Forma\u00e7\u00e3o T\u00e9cnica de Excel\u00eancia<\/span><\/strong><\/p>\n<p><span style=\"font-family: 'comic sans ms', sans-serif; color: #000080;\"><strong>Glauco Olinger<\/strong> cursou Agronomia na Universidade Rural de Vi\u00e7osa, em Minas Gerais, formando-se em 1946. Mas n\u00e3o se contentou com o diploma. Seguiu acumulando t\u00edtulos com uma energia que desafiava a l\u00f3gica da \u00e9poca: tornou-se Economista Rural pelo Instituto Superior de Economia Rural e Organiza\u00e7\u00e3o, Especialista em Engenharia Rural pela Universidade Rural do CNPq (1948) e Especialista em Extens\u00e3o Rural pelo Centro de Treinamento de Ipanema (1956).<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: 'comic sans ms', sans-serif; color: #000080;\">Essa base multidisciplinar \u2014 agronomia, economia, extens\u00e3o \u2014 explica muito do que Glauco conseguiu fazer no campo. Ele n\u00e3o era apenas um t\u00e9cnico: era um estrategista do desenvolvimento rural, algu\u00e9m capaz de enxergar o gr\u00e3o de trigo e a pol\u00edtica p\u00fablica como partes de um mesmo sistema. Na Universidade de Wisconsin, nos Estados Unidos, constatou que ensino, pesquisa e extens\u00e3o rural ocupavam a mesma sala, sob o manto da universidade. Voltou ao Brasil com essa vis\u00e3o integrada e nunca mais a abandonou.<\/span><\/p>\n<h2><span style=\"font-family: 'comic sans ms', sans-serif; color: #003300;\">O Construtor de Institui\u00e7\u00f5es: Da Acaresc \u00e0 Embrater<\/span><\/h2>\n<h2 style=\"text-align: center;\"><span style=\"font-family: 'comic sans ms', sans-serif; color: #000080; font-size: 14pt;\"><em>&#8220;As grandes realiza\u00e7\u00f5es s\u00e3o poss\u00edveis quando damos import\u00e2ncia \u00e0s pequenas coisas.&#8221; <\/em><em>\u2014 Samuel Smiles<\/em><\/span><\/h2>\n<p><span style=\"font-family: 'comic sans ms', sans-serif; color: #000080;\">Se h\u00e1 uma frase que Glauco Olinger pronuncia com os pulm\u00f5es cheios de orgulho, \u00e9 esta: &#8216;Fui fundador da extens\u00e3o rural em Santa Catarina.&#8217; E ele tem todo o direito. Em 1957, tornou-se Secret\u00e1rio Executivo da Acaresc \u2014 Associa\u00e7\u00e3o de Cr\u00e9dito e Assist\u00eancia Rural de Santa Catarina \u2014, cargo que exerceu por quase duas d\u00e9cadas, at\u00e9 1975. A Acaresc n\u00e3o era apenas uma institui\u00e7\u00e3o: era uma filosofia. Levava ao agricultor n\u00e3o s\u00f3 t\u00e9cnica, mas cr\u00e9dito supervisionado, organiza\u00e7\u00e3o, dignidade.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: 'comic sans ms', sans-serif; color: #000080;\">Com apenas 29 anos, j\u00e1 administrava a Col\u00f4nia Agr\u00edcola General Os\u00f3rio. Em 1952, foi cofundador da cidade paranaense de Francisco Beltr\u00e3o. Mais tarde, presidiu a Embrater \u2014 Empresa Brasileira de Assist\u00eancia T\u00e9cnica e Extens\u00e3o Rural \u2014, levando ao n\u00edvel nacional o modelo que havia constru\u00eddo em Santa Catarina. Foi tamb\u00e9m Membro Fundador da Junta Governativa da Abcar. Implantou a extens\u00e3o rural em Angola e Cabo Verde. Representou o Brasil em m\u00faltiplos encontros da FAO. O que para outros seria uma carreira inteira, para Glauco era apenas um cap\u00edtulo.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: 'comic sans ms', sans-serif; color: #000080;\">Na UFSC, foi idealizador e primeiro diretor do Centro de Ci\u00eancias Agr\u00e1rias, professor do curso de Agronomia, contribuiu para a Esta\u00e7\u00e3o Experimental de Aquicultura no Itacorubi e para a cria\u00e7\u00e3o do Sistema de Avalia\u00e7\u00e3o do Ensino, Pesquisa e Extens\u00e3o. Foi Pr\u00f3-Reitor de Planejamento. E ainda assim, dizia com humildade: &#8216;O maior t\u00edtulo que recebi foi o de professor.&#8217;<\/span><\/p>\n<h2><span style=\"font-family: 'comic sans ms', sans-serif; color: #003300;\">O Planejador do Futuro: PLAMEG e o Governo Celso Ramos<\/span><\/h2>\n<h2 style=\"text-align: center;\"><span style=\"font-family: 'comic sans ms', sans-serif; color: #000080;\"><span style=\"font-size: 14pt;\"><em>&#8220;Planejar \u00e9 trazer o futuro para o presente, para que voc\u00ea possa fazer algo sobre ele agora.&#8221;<\/em><\/span><em><span style=\"font-size: 14pt;\">\u2014 Alan Lakein<\/span><\/em><\/span><\/h2>\n<p><span style=\"font-family: 'comic sans ms', sans-serif; color: #000080;\">Na virada para a d\u00e9cada de 1960, Santa Catarina era um Estado isolado, cortado por imensas dist\u00e2ncias, carente de estradas, de escolas, de infraestrutura b\u00e1sica. Foi nesse contexto que o governador Celso Ramos reuniu ao seu redor uma equipe extraordin\u00e1ria de jovens talentosos. Entre eles, Glauco Olinger, ao lado do brilhante advogado e economista Alcides Abreu, do engenheiro Annes Gualberto e do empres\u00e1rio Fernando Marcondes de Mattos.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: 'comic sans ms', sans-serif; color: #000080;\">Juntos, esse grupo concebeu e executou o PLAMEG \u2014 Plano de Metas do Governo do Estado \u2014, um documento de planejamento que, pela primeira vez, diagnosticou com rigor as car\u00eancias catarinenses e apontou solu\u00e7\u00f5es concretas. Alcides Abreu foi o c\u00e9rebro t\u00e9cnico e ideol\u00f3gico; Glauco Olinger, a intelig\u00eancia agr\u00e1ria que deu subst\u00e2ncia ao setor produtivo. Criaram o Cr\u00e9dito Educativo Supervisionado, com juros baixos e prazos longos, cujo pagamento era feito com o resultado da produ\u00e7\u00e3o \u2014 e a inadimpl\u00eancia era inferior a 1%. Uma engenharia social not\u00e1vel para a \u00e9poca.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: 'comic sans ms', sans-serif; color: #000080;\">Glauco integrou o chamado &#8216;grupo da Sorbonne&#8217;, que apoiava a candidatura do pr\u00f3prio Alcides Abreu para o governo seguinte. Mesmo assim, foi convidado a ser Secret\u00e1rio da Agricultura do governador Ivo Silveira \u2014 o advers\u00e1rio \u2014, e aceitou, porque, para ele, o que importava era servir \u00e0 causa da agricultura, n\u00e3o \u00e0 conveni\u00eancia da pol\u00edtica. Ficou no cargo por quatro anos. Continuou no governo de Colombo Salles, quando assumiu tamb\u00e9m a Secretaria da Educa\u00e7\u00e3o. Essa trajet\u00f3ria atravessou ainda os governos federais de Castelo Branco, Costa e Silva, M\u00e9dici e Geisel.<\/span><\/p>\n<h2><span style=\"font-family: 'comic sans ms', sans-serif; color: #003300;\">O Homem \u00cdntegro: \u00c9tica, Modera\u00e7\u00e3o e Longevidade<\/span><\/h2>\n<h2 style=\"text-align: right;\"><span style=\"font-family: 'comic sans ms', sans-serif; color: #000080; font-size: 14pt;\"><em>&#8220;A integridade \u00e9 fazer a coisa certa, mesmo quando ningu\u00e9m est\u00e1 olhando.&#8221;<\/em><em><br \/>\nC.S. Lewis<\/em><\/span><\/h2>\n<p><span style=\"font-family: 'comic sans ms', sans-serif; color: #000080;\">Quase foi nomeado governador de Santa Catarina. Nunca pediu um cargo p\u00fablico a ningu\u00e9m. Nunca teve filia\u00e7\u00e3o partid\u00e1ria, mas serviu a governantes dos mais variados matizes pol\u00edticos \u2014 sempre convocado pela compet\u00eancia, jamais pela milit\u00e2ncia. Esse perfil raro, de t\u00e9cnico acima das disputas, \u00e9 talvez a sua caracter\u00edstica mais dif\u00edcil de encontrar na vida p\u00fablica brasileira contempor\u00e2nea.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: 'comic sans ms', sans-serif; color: #000080;\">Sua filosofia de vida cabe numa frase que ele mesmo repete: &#8216;O maior segredo \u00e9 ser moderado em tudo.&#8217; Praticou o que pregou: jogou xadrez a vida toda, nadou, praticou ca\u00e7a submarina, jogou futebol de sal\u00e3o at\u00e9 os 89 anos e foi corredor de 100 metros rasos. Frequentou o Iate Clube Veleiros da Ilha por d\u00e9cadas, tendo a pescaria como lazer preferido. Aos 103 anos, ainda fazia gin\u00e1stica no apartamento, ainda escrevia livros, ainda tinha planos para o pr\u00f3ximo. Autor de mais de trinta obras, entregou pessoalmente \u00e0 Epagri seu livro mais recente \u2014 &#8216;Hist\u00f3rias mal contadas e corre\u00e7\u00f5es&#8217; \u2014 aos 103 anos.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: 'comic sans ms', sans-serif; color: #000080;\">Sua mem\u00f3ria, relatam todos que o conheceram, era prodigiosa at\u00e9 os anos mais avan\u00e7ados. Lembrava com facilidade de nomes de pessoas com quem havia convivido h\u00e1 mais de sete d\u00e9cadas, reproduzia m\u00e1ximas do pai, citava os autores prediletos da m\u00e3e, narrava os bastidores da pol\u00edtica catarinense com riqueza de detalhes que envergonharia qualquer historiador profissional.<\/span><\/p>\n<h2><span style=\"font-family: 'comic sans ms', sans-serif; color: #003300;\">A Revolu\u00e7\u00e3o Silenciosa: Extens\u00e3o Rural, Fruticultura e Soberania Alimentar<\/span><\/h2>\n<h2 style=\"text-align: center;\"><span style=\"font-family: 'comic sans ms', sans-serif; color: #000080;\"><em>&#8220;<span style=\"font-size: 14pt;\">D\u00e1 um peixe a um homem e alimenta-o por um dia. Ensina-o a pescar e alimenta-o para sempre.&#8221; <\/span><\/em><span style=\"font-size: 14pt;\"><em>Prov\u00e9rbio chin\u00eas<\/em><\/span><\/span><\/h2>\n<p><span style=\"font-family: 'comic sans ms', sans-serif; color: #000080;\">A filosofia que guiou Glauco Olinger ao longo de toda a carreira pode ser resumida numa express\u00e3o que ele mesmo usava: &#8216;ensinar a usar&#8217;. Quando a assist\u00eancia t\u00e9cnica e a extens\u00e3o rural come\u00e7aram a ser implantadas em Santa Catarina, em 1956, usou como refer\u00eancia o conceito norte-americano de ensino extraescolar. Os agricultores n\u00e3o precisavam sair para estudar: os extensionistas iam at\u00e9 a casa deles. E o governo deixou de ser paternalista \u2014 de dar sementes, adubos e ferramentas \u2014 para fornecer informa\u00e7\u00e3o, ensino intelectual e orienta\u00e7\u00e3o t\u00e9cnica. Uma revolu\u00e7\u00e3o silenciosa, mas de efeitos duradouros.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: 'comic sans ms', sans-serif; color: #000080;\">Um dos frutos mais concretos desse modelo foi o projeto da fruticultura catarinense. Glauco foi o criador do bem-sucedido programa que tornou Santa Catarina uma das refer\u00eancias nacionais na produ\u00e7\u00e3o de ma\u00e7\u00e3. Quando apresentou a fruta aos agentes p\u00fablicos da \u00e9poca, ningu\u00e9m acreditava que era produzida no Estado \u2014 achavam que vinha da Calif\u00f3rnia ou da Argentina. A abertura da linha de financiamento que se seguiu transformou completamente o setor: hoje, Santa Catarina responde por mais de 50% da safra nacional de ma\u00e7\u00e3s e exporta mais do que importa.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: 'comic sans ms', sans-serif; color: #000080;\">No plano da soberania alimentar, Glauco foi sempre enf\u00e1tico: o Brasil n\u00e3o pode aceitar o papel de celeiro do mundo \u00e0s custas de sua pr\u00f3pria popula\u00e7\u00e3o. Em suas palavras: &#8216;Nossa responsabilidade \u00e9 garantir a produ\u00e7\u00e3o de alimentos suficientes e de qualidade para a pr\u00f3pria popula\u00e7\u00e3o brasileira.&#8217; Criticava com veem\u00eancia o modelo exportador de commodities sem valor agregado \u2014 exportar gr\u00e3os, carne com osso e animais vivos quando o correto seria processar, industrializar, colocar o produto acabado na mesa das donas de casa do exterior. Santa Catarina, dizia ele com orgulho, \u00e9 uma exce\u00e7\u00e3o nesse cen\u00e1rio, pois seus su\u00ednos e frangos s\u00e3o desdobrados e exportados com valor agregado.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: 'comic sans ms', sans-serif; color: #000080;\">Sobre a estrutura agr\u00e1ria brasileira, defendia o caminho do meio \u2014 confuciano por convic\u00e7\u00e3o: nem o latif\u00fandio mecanizado em excesso, que compacta o solo e reduz sua vida, nem o minif\u00fandio sem escala. As m\u00e9dias propriedades, na sua vis\u00e3o, eram o equil\u00edbrio ideal. Lembrava que o Brasil possui entre 70 e 80 milh\u00f5es de hectares cultivados, mas outros 300 milh\u00f5es podem ser explorados sem risco de degrada\u00e7\u00e3o ambiental, segundo a Embrapa \u2014 al\u00e9m de 140 milh\u00f5es de hectares degradados que aguardam revitaliza\u00e7\u00e3o.<\/span><\/p>\n<h2><span style=\"font-family: 'comic sans ms', sans-serif; color: #003300;\">O Pensador do Futuro: Agrot\u00f3xicos, Clima e Agricultura Urbana<\/span><\/h2>\n<h2 style=\"text-align: center;\"><span style=\"font-family: 'comic sans ms', sans-serif; color: #000080; font-size: 14pt;\"><em>&#8220;A Terra n\u00e3o pertence ao homem; o homem pertence \u00e0 Terra.&#8221;<\/em><em><br \/>\nChefe Seattle<\/em><\/span><\/h2>\n<p><span style=\"font-family: 'comic sans ms', sans-serif; color: #000080;\">Mesmo ao avan\u00e7ar nos anos, Glauco Olinger nunca perdeu o interesse pelos grandes debates do presente. Sobre os agrot\u00f3xicos, tema que tomou conta do debate p\u00fablico, foi preciso e corajoso: &#8216;Na quest\u00e3o dos agrot\u00f3xicos, o debate tem mais ideologia do que conhecimento cient\u00edfico. E onde entra a ideologia, a ci\u00eancia sai pela porta dos fundos.&#8217; Distinguia com clareza o defensivo agr\u00edcola necess\u00e1rio do veneno proibido mal fiscalizado, e criticava o Estado por &#8216;juntar tudo num saco s\u00f3&#8217; \u2014 produto, dizia, da falta de informa\u00e7\u00e3o.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: 'comic sans ms', sans-serif; color: #000080;\">Quanto ao futuro do planeta, n\u00e3o era nem catastrofista nem negacionista: reconhecia que o homem interv\u00e9m danosamente no clima ao destruir florestas \u2014 que t\u00eam o papel fundamental de reter umidade e garantir a evapora\u00e7\u00e3o \u2014, mas ponderava que h\u00e1 transforma\u00e7\u00f5es que decorrem de abalos s\u00edsmicos, movimentos da crosta terrestre e erup\u00e7\u00f5es vulc\u00e2nicas, fen\u00f4menos independentes da a\u00e7\u00e3o humana. Apontava a agricultura urbana como um dos caminhos promissores, ainda de pequena escala mas em crescimento acelerado nas principais metr\u00f3poles do mundo.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: 'comic sans ms', sans-serif; color: #000080;\">Sua vis\u00e3o sobre a China e a geopol\u00edtica alimentar era igualmente afiada: com quase 1,5 bilh\u00e3o de habitantes e apenas 15% do territ\u00f3rio aproveit\u00e1vel para agricultura, o gigante asi\u00e1tico depende crescentemente de alimentos externos. A devasta\u00e7\u00e3o de mais de 30% da suinocultura chinesa pela peste su\u00edna, alertava ele, cria condi\u00e7\u00f5es excepcionais para Santa Catarina \u2014 que j\u00e1 produz carne processada pronta para o consumidor final, exatamente o que a China precisa.<\/span><\/p>\n<h2><span style=\"font-family: 'comic sans ms', sans-serif; color: #003300;\">A Receita de uma Vida Longa: Sa\u00fade, Disciplina e Prop\u00f3sito<\/span><\/h2>\n<h2 style=\"text-align: center;\"><span style=\"font-family: 'comic sans ms', sans-serif; color: #000080; font-size: 14pt;\"><em>&#8220;Cuida do teu corpo. \u00c9 o \u00fanico lugar que tens para viver.&#8221;<\/em><em><br \/>\nJim Rohn<\/em><\/span><\/h2>\n<p><span style=\"font-family: 'comic sans ms', sans-serif; color: #000080;\">N\u00e3o seria justo falar de Glauco Olinger sem registrar o que ele pr\u00f3prio chamava de sua receita para uma vida longa e saud\u00e1vel \u2014 n\u00e3o por vaidade, mas pelo exemplo genu\u00edno que representa. Abandonou o cigarro de palha e o cachimbo quando descobriu os males que causavam, numa \u00e9poca em que poucos tinham essa consci\u00eancia. Aprendeu a parar de comer antes de se sentir farto. Eliminou o a\u00e7\u00facar e o sal da dieta. Passou a consumir muitas frutas e legumes \u2014 os mesmos que ajudou a produzir em larga escala em Santa Catarina.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: 'comic sans ms', sans-serif; color: #000080;\">Antes de dormir, praticava exerc\u00edcios de mem\u00f3ria para manter os neur\u00f4nios ocupados. Caminhava regularmente pelas ruas pr\u00f3ximas ao seu apartamento na Avenida Beira-Mar Norte, em Florian\u00f3polis. Fazia gin\u00e1stica di\u00e1ria mesmo depois dos 100 anos. Aos 103 anos, ainda escrevia livros, ainda entregava pessoalmente suas obras aos editores, ainda tinha ideias para o pr\u00f3ximo t\u00edtulo. H\u00e1 uma li\u00e7\u00e3o profunda nessa trajet\u00f3ria: a longevidade de Glauco n\u00e3o \u00e9 um acidente gen\u00e9tico \u2014 \u00e9 o resultado coerente de uma vida vivida com modera\u00e7\u00e3o, prop\u00f3sito e entrega.<\/span><\/p>\n<h2><span style=\"font-family: 'comic sans ms', sans-serif;\">A Estrat\u00e9gia da Ma\u00e7\u00e3: Coragem, Vis\u00e3o e um Fruto no Bolso do Palet\u00f3<\/span><\/h2>\n<h2 style=\"text-align: center;\"><span style=\"font-family: 'comic sans ms', sans-serif; color: #000080; font-size: 14pt;\"><em>&#8220;A coragem \u00e9 a primeira das qualidades humanas porque garante todas as demais.&#8221; <\/em><em>\u2014 Arist\u00f3teles<\/em><\/span><\/h2>\n<p><span style=\"font-family: 'comic sans ms', sans-serif; color: #000080;\">H\u00e1 epis\u00f3dios na hist\u00f3ria que valem por si s\u00f3s \u2014 que resumem, numa cena, d\u00e9cadas de trabalho e convic\u00e7\u00e3o. O de Glauco Olinger com o ministro Delfim Netto \u00e9 um desses. Na d\u00e9cada de 1970, o Brasil importava quase toda a ma\u00e7\u00e3 que consumia da Argentina, do Chile ou dos Estados Unidos. O cultivo em Santa Catarina engatinhava, sem apoio financeiro e sem visibilidade nacional. O governo federal sequer sabia que era poss\u00edvel produzir ma\u00e7\u00e3s de alta qualidade em solo brasileiro.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: 'comic sans ms', sans-serif; color: #000080;\">Glauco viajou a Bras\u00edlia com uma caixa de ma\u00e7\u00e3s colhidas em Santa Catarina. Entrou no gabinete do ent\u00e3o ministro da Fazenda, Ant\u00f4nio Delfim Netto, tirou uma ma\u00e7\u00e3 do bolso do palet\u00f3 e a ofereceu. O ministro comeu, elogiou o sabor e tentou adivinhar a origem \u2014 apostou na Calif\u00f3rnia ou na Argentina. Quando Olinger revelou que a fruta era catarinense, o impacto foi imediato. Convencido ali mesmo, Delfim Netto ordenou a abertura urgente de uma linha de cr\u00e9dito federal espec\u00edfica para a fruticultura de clima temperado.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: 'comic sans ms', sans-serif; color: #000080;\">Com esse financiamento, dezenas de produtores e imigrantes nas regi\u00f5es de S\u00e3o Joaquim e Fraiburgo conseguiram comprar mudas, investir em tecnologia e expandir os pomares. Santa Catarina tornou-se o maior produtor nacional de ma\u00e7\u00e3s, respondendo hoje por mais de 50% da safra do pa\u00eds. O que antes era importado passou a ser exportado. Uma ma\u00e7\u00e3 no bolso do palet\u00f3 mudou a hist\u00f3ria econ\u00f4mica de um estado.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: 'comic sans ms', sans-serif; color: #000080;\">Esse epis\u00f3dio n\u00e3o foi um golpe de sorte: foi o resultado de anos de constru\u00e7\u00e3o institucional. Glauco Olinger foi o fundador da Acaresc em 1956 \u2014 hoje Epagri \u2014, e atrav\u00e9s dessa institui\u00e7\u00e3o garantiu que os produtores de ma\u00e7\u00e3 recebessem assist\u00eancia t\u00e9cnica cont\u00ednua e gratuita, com extensionistas ensinando o manejo correto das plantas diretamente nas propriedades. Foi tamb\u00e9m consultor da FAO \u2014 Organiza\u00e7\u00e3o das Na\u00e7\u00f5es Unidas para a Alimenta\u00e7\u00e3o e a Agricultura \u2014, levando ao plano internacional a mesma vis\u00e3o que aplicou em Santa Catarina. Fundou o Centro de Ci\u00eancias Agr\u00e1rias da UFSC, da qual \u00e9 Professor Em\u00e9rito. Foi condecorado por diversas institui\u00e7\u00f5es e conquistou premia\u00e7\u00f5es relevantes na \u00e1rea de pesquisa e extens\u00e3o rural. E escreveu \u2014 ao longo de mais de seis d\u00e9cadas \u2014 mais de trinta livros, que s\u00e3o hoje refer\u00eancia obrigat\u00f3ria para quem estuda o desenvolvimento agr\u00e1rio brasileiro.<\/span><\/p>\n<h2><span style=\"font-family: 'comic sans ms', sans-serif;\">Conclus\u00e3o<\/span><\/h2>\n<p><span style=\"font-family: 'comic sans ms', sans-serif; color: #000080;\">Chego ao fim desta reflex\u00e3o com a convic\u00e7\u00e3o de que Glauco Olinger n\u00e3o \u00e9 apenas um personagem da hist\u00f3ria de Santa Catarina: ele \u00e9 uma categoria. Uma categoria de ser humano que, sem renunciar \u00e0 alegria de viver, entregou o melhor de si \u00e0 constru\u00e7\u00e3o de algo maior \u2014 a agricultura familiar, a extens\u00e3o rural, a universidade, o planejamento p\u00fablico, a soberania alimentar do Brasil. N\u00e3o foi um pol\u00edtico que virou t\u00e9cnico, nem um t\u00e9cnico que virou pol\u00edtico: foi, sempre, um servidor \u2014 no sentido mais nobre e menos burocr\u00e1tico da palavra.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: 'comic sans ms', sans-serif; color: #000080;\">Fico me perguntando quantos Glauco Olingers o Brasil desperdi\u00e7ou por falta de institui\u00e7\u00f5es que os acolhessem, que os financiassem, que os ouvissem. E me pergunto, igualmente, o que aconteceria se o esp\u00edrito do PLAMEG \u2014 aquele esp\u00edrito de diagn\u00f3stico rigoroso, escuta das regi\u00f5es e planejamento de longo prazo \u2014 voltasse a habitar os gabinetes do poder p\u00fablico brasileiro. Acredito que a resposta estaria nas pr\u00f3prias palavras de Glauco: &#8216;N\u00e3o existe na\u00e7\u00e3o que se desenvolveu sem investir na pesquisa b\u00e1sica e aplicada.&#8217;<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: 'comic sans ms', sans-serif; color: #000080;\">Este lageano de alma tropeira e mente cient\u00edfica nos ensinou, acima de tudo, que a grandeza n\u00e3o precisa de holofotes. Ela precisa, apenas, de ra\u00edzes fundas \u2014 como as de uma arauc\u00e1ria no alto da Serra Catarinense. E as ra\u00edzes de Glauco Olinger j\u00e1 est\u00e3o t\u00e3o fincadas nesta terra que nenhum vento de esquecimento ser\u00e1 capaz de arranc\u00e1-las.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: 'comic sans ms', sans-serif; color: #000080;\"><strong><em>&#8220;Um povo que n\u00e3o conhece seus construtores est\u00e1 condenado a reinventar o que j\u00e1 foi constru\u00eddo \u2014 e a perder o tempo precioso que poderia dedicar a construir o que ainda falta.&#8221;(Jo\u00e3o Guimar\u00e3es Rosa)<\/em><\/strong><\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><strong>Autor: Walmor Tadeu Schweitzer<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><strong>Servidor Publico Aposentado<\/strong><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Confesso que, ao me debru\u00e7ar sobre a trajet\u00f3ria de Glauco Olinger, sinto algo que vai al\u00e9m da admira\u00e7\u00e3o acad\u00eamica ou do respeito protocolar: sinto a rever\u00eancia que se reserva aos seres verdadeiramente raros. 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