{"id":5863,"date":"2026-07-04T16:04:29","date_gmt":"2026-07-04T19:04:29","guid":{"rendered":"https:\/\/repensandoavida.com.br\/blog\/?p=5863"},"modified":"2026-07-07T14:16:48","modified_gmt":"2026-07-07T17:16:48","slug":"pomicultura-em-lages-potencial-e-viabilidade","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/repensandoavida.com.br\/blog\/pomicultura-em-lages-potencial-e-viabilidade\/","title":{"rendered":"Lages e a Ma\u00e7\u00e3: do Potencial \u00e0 Viabilidade"},"content":{"rendered":"<p><span style=\"font-family: 'comic sans ms', sans-serif; color: #0000ff;\">Escrevo este <strong>ensaio<\/strong> movido por uma inquieta\u00e7\u00e3o simples que me acompanha h\u00e1 tempos: <strong>por que Lages \u2014 cidade que j\u00e1 teve pomares de dezenas de hectares e que est\u00e1 localizada a pouco mais de 80 quil\u00f4metros de S\u00e3o Joaquim, hoje reconhecida por lei federal como a Capital Nacional da Ma\u00e7\u00e3 \u2014 n\u00e3o ocupa um lugar de maior destaque nesse mercado bilion\u00e1rio?<\/strong> Essa mesma inquieta\u00e7\u00e3o j\u00e1 havia me levado a publicar os estudos <strong>&#8220;O Futuro de Lages Pode Ter Cheiro de Ma\u00e7\u00e3&#8221; e &#8220;Potencialidade de Lages na Produ\u00e7\u00e3o de Ma\u00e7\u00e3&#8221;,<\/strong> e foi justamente a repercuss\u00e3o desses dois artigos que me estimulou a aprofundar ainda mais o tema nas p\u00e1ginas do presente <strong>texto<\/strong>.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: 'comic sans ms', sans-serif; color: #0000ff;\"><strong>A microrregi\u00e3o dos Campos de Lages, da qual o pr\u00f3prio munic\u00edpio \u00e9 refer\u00eancia geogr\u00e1fica, j\u00e1 responde por parte relevante da produ\u00e7\u00e3o catarinense de ma\u00e7\u00e3.<\/strong> O corredor da BR-282, que atravessa Lages rumo \u00e0 serra e ao litoral, \u00e9 a espinha dorsal log\u00edstica de todo esse sistema produtivo. Se o mercado nacional absorve entre 85% e 90% de tudo o que se produz em polos consolidados como S\u00e3o Joaquim e Fraiburgo, e o excedente exportado j\u00e1 conquistou paladares na Europa, na R\u00fassia e no Oriente M\u00e9dio, n\u00e3o vejo por que Lages deveria ficar \u00e0 margem dessa cadeia de valor \u2014 sobretudo quando considero que o munic\u00edpio compartilha com seus vizinhos serranos o mesmo ativo natural mais precioso: o frio. Este \u00e9, na minha leitura, o verdadeiro &#8220;capital natural&#8221; da regi\u00e3o, um ativo clim\u00e1tico que nenhuma tecnologia substitui em regi\u00f5es mais quentes do pa\u00eds.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: 'comic sans ms', sans-serif; color: #0000ff;\">Ao longo deste artigo, apresento minha an\u00e1lise sobre os fatores que explicam tanto o potencial quanto os trope\u00e7os do passado, apoiada em dados t\u00e9cnicos, informa\u00e7\u00f5es estat\u00edsticas, bibliografia especializada e, sobretudo, em depoimentos de produtores que viveram na pele os altos e baixos dessa atividade na regi\u00e3o. Ao final, defendo minha opini\u00e3o sobre o que ainda pode ser feito: <strong>compreendo que Lages tem, hoje, uma segunda chance de se somar a S\u00e3o Joaquim e Fraiburgo nesse mercado que j\u00e1 vale bilh\u00f5es de reais e que ainda tem apetite crescente l\u00e1 fora.<\/strong><\/span><\/p>\n<hr \/>\n<p><span style=\"font-family: 'comic sans ms', sans-serif; font-size: 18pt; color: #ff0000;\"><strong>1. Origem, Conceito e Consolida\u00e7\u00e3o da Pomicultura na Serra Catarinense<\/strong><\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: 'comic sans ms', sans-serif; color: #008080; font-size: 18pt;\"><strong>1.1 Origem<\/strong><\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: 'comic sans ms', sans-serif; color: #0000ff;\"><strong>A pomicultura brasileira teve origem no munic\u00edpio de Fraiburgo, em Santa Catarina, entre 1963 e 1964, com a importa\u00e7\u00e3o de mudas de macieira pela Sociedade Agr\u00edcola Fraiburgo \u2014 empresa de capital nacional e franco-argelino.<\/strong> A companhia implantou um pomar experimental de 50 hectares, reunindo diversas esp\u00e9cies frut\u00edferas de clima temperado com potencial comercial, com o objetivo de observar sua adapta\u00e7\u00e3o e selecionar aquelas com viabilidade para explora\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica na regi\u00e3o.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: 'comic sans ms', sans-serif; color: #008080; font-size: 18pt;\"><strong>1.2 Conceito de Pomicultura<\/strong><\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: 'comic sans ms', sans-serif; color: #0000ff;\"><strong>A pomicultura \u00e9 o ramo da fruticultura dedicado ao cultivo de plantas frut\u00edferas de caro\u00e7o e de pomo \u2014 como macieiras, pereiras, pessegueiros e ameixeiras<\/strong> \u2014, abrangendo desde a escolha de cultivares e o manejo do solo at\u00e9 as t\u00e9cnicas de poda, aduba\u00e7\u00e3o, controle fitossanit\u00e1rio e colheita. <strong>No contexto brasileiro, o termo \u00e9 frequentemente associado, de forma mais restrita, \u00e0 cultura da macieira (Malus domestica), dada a relev\u00e2ncia econ\u00f4mica que essa esp\u00e9cie assumiu na Regi\u00e3o Sul do pa\u00eds a partir da segunda metade do s\u00e9culo XX.<\/strong> \u00c9 justamente essa vertente da pomicultura \u2014 a produ\u00e7\u00e3o de ma\u00e7\u00e3 \u2014 que moldou a hist\u00f3ria econ\u00f4mica e social da Serra Catarinense.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: 'comic sans ms', sans-serif; color: #008080; font-size: 18pt;\"><strong>1.3 Consolida\u00e7\u00e3o e Expans\u00e3o da Pomicultura na Serra Catarinense<\/strong><\/span><\/p>\n<p><strong><span style=\"font-family: 'comic sans ms', sans-serif; color: #0000ff;\">A hist\u00f3ria da pomicultura na Regi\u00e3o Serrana e no Meio-Oeste (Fraiburgo) une cooperativismo, pioneirismo t\u00e9cnico, condi\u00e7\u00f5es edafoclim\u00e1ticas favor\u00e1veis e investimentos robustos, fatores que, combinados, transformaram o Brasil de importador em uma das pot\u00eancias mundiais na produ\u00e7\u00e3o de ma\u00e7\u00e3.<\/span><\/strong><\/p>\n<p><span style=\"font-family: 'comic sans ms', sans-serif; color: #0000ff;\"><strong>Seguindo o modelo de substitui\u00e7\u00e3o de importa\u00e7\u00f5es adotado a partir da Revolu\u00e7\u00e3o de 1964, o governo brasileiro elegeu a cultura da macieira como prioridade, j\u00e1 que a fruta figurava como o segundo item mais expressivo na pauta de importa\u00e7\u00f5es agr\u00edcolas do pa\u00eds. Diante disso, o governo solicitou apoio t\u00e9cnico internacional para avaliar as condi\u00e7\u00f5es brasileiras de produ\u00e7\u00e3o, e Estados Unidos e Fran\u00e7a enviaram especialistas para o estudo.<\/strong> Os t\u00e9cnicos americanos desaconselharam o cultivo da macieira em territ\u00f3rio brasileiro. J\u00e1 o especialista franc\u00eas \u2014 \u00fanico respons\u00e1vel pela an\u00e1lise em nome de seu pa\u00eds \u2014 incluiu Fraiburgo em sua visita, munic\u00edpio ao qual havia previamente fornecido mudas. L\u00e1, encontrou plantas com quatro anos de idade j\u00e1 em plena produ\u00e7\u00e3o, com frutos de boa qualidade, o que confirmou a exist\u00eancia de condi\u00e7\u00f5es adequadas ao plantio na regi\u00e3o.<\/span><\/p>\n<p><strong><span style=\"font-family: 'comic sans ms', sans-serif; color: #0000ff;\">Em decorr\u00eancia do \u00eaxito observado em Fraiburgo e posteriormente em S\u00e3o Joaquim, o Governo Federal agilizou a cria\u00e7\u00e3o, em 1969, de incentivos fiscais. Em Santa Catarina, instituiu-se o Programa de Fruticultura de Clima Temperado (Profit), voltado a m\u00e9dios e pequenos produtores. O modelo catarinense viria posteriormente a servir de refer\u00eancia para o Paran\u00e1 e o Rio Grande do Sul, Estados que tamb\u00e9m reuniam condi\u00e7\u00f5es favor\u00e1veis \u00e0 produ\u00e7\u00e3o de ma\u00e7\u00e3 e passaram a incentivar o plantio da cultura<\/span><\/strong><\/p>\n<p><span style=\"font-family: 'comic sans ms', sans-serif; color: #0000ff;\">Impulsionados pelo Governo Federal por meio de linhas especiais de cr\u00e9dito banc\u00e1rio e de incentivos fiscais, os primeiros pomares foram implantados majoritariamente com variedades tradicionalmente cultivadas no Hemisf\u00e9rio Norte e na Argentina \u2014 como Golden Delicious, Red Delicious e Starkrimson \u2014, em sistemas de baixa densidade de plantio.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: 'comic sans ms', sans-serif; color: #0000ff;\">A cultura da macieira expandiu-se rapidamente ap\u00f3s sua implanta\u00e7\u00e3o, com incrementos consider\u00e1veis de produ\u00e7\u00e3o e produtividade, acompanhados de sucessivas atualiza\u00e7\u00f5es tecnol\u00f3gicas no manejo dos pomares. <strong>Entre 1984 e 1991, o volume de colheitas praticamente dobrou em Santa Catarina e no Paran\u00e1, e triplicou no Rio Grande do<\/strong> <strong>Sul.<\/strong><\/span><\/p>\n<p><strong><span style=\"font-family: 'comic sans ms', sans-serif; color: #0000ff;\">As variedades modernas Gala e Fuji, introduzidas no pa\u00eds a partir de meados da d\u00e9cada de 1970, respondem atualmente por mais de 80% da fruta produzida no Brasil. Do ponto de vista tecnol\u00f3gico, a pomicultura nacional atingiu n\u00edveis bastante avan\u00e7ados, acompanhando a tend\u00eancia mundial de cultivo em alta densidade, o que permite antecipar a primeira colheita dos novos pomares.<\/span><\/strong><\/p>\n<p><span style=\"font-family: 'comic sans ms', sans-serif;\"><span style=\"color: #0000ff;\">A \u00e1rea cultivada com macieiras cresceu de forma expressiva at\u00e9 meados da d\u00e9cada de 1980, apresentando, desde ent\u00e3o, varia\u00e7\u00f5es pouco significativas. Esse comportamento decorre do equil\u00edbrio entre a implanta\u00e7\u00e3o de novos pomares e a erradica\u00e7\u00e3o daqueles que se tornam invi\u00e1veis do ponto de vista econ\u00f4mico ou tecnol\u00f3gico<\/span>.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: 'comic sans ms', sans-serif; color: #008080; font-size: 18pt;\"><strong>1.4 S\u00e3o Joaquim: a Capital Nacional da Ma\u00e7\u00e3<\/strong><\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: 'comic sans ms', sans-serif; color: #0000ff;\">A fruticultura de alta qualidade come\u00e7ou a ganhar escala na d\u00e9cada de 1970. As cooperativas e empresas pioneiras transformaram S\u00e3o Joaquim na Capital Nacional da Ma\u00e7\u00e3, especialmente ao consolidar o cultivo das variedades Gala e Fuji. Entre os protagonistas dessa hist\u00f3ria, destaco:<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: 'comic sans ms', sans-serif; color: #0000ff;\"><strong>Fam\u00edlia Hiragami: <\/strong>em 1974, Fumio Hiragami e um grupo de fam\u00edlias de imigrantes japoneses vindos de S\u00e3o Paulo chegaram a S\u00e3o Joaquim. A Hiragami foi uma das primeiras a introduzir o plantio em larga escala e pioneira na produ\u00e7\u00e3o da ma\u00e7\u00e3 Fuji na regi\u00e3o. Relembro as palavras do Sr. Fumio Hiragami sobre a import\u00e2ncia de participar da Festa Nacional da Ma\u00e7\u00e3 desde sua primeira edi\u00e7\u00e3o \u2014 ele sempre acreditou na qualidade do seu trabalho, compromisso reconhecido com o pr\u00eamio de Melhor Ma\u00e7\u00e3 Fuji da festa, o que fortaleceu ainda mais a hist\u00f3ria do Grupo Hiragami e da fruticultura da Serra Catarinense. Que seu legado continue inspirando as pr\u00f3ximas gera\u00e7\u00f5es.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: 'comic sans ms', sans-serif; color: #0000ff;\"><strong>Rog\u00e9rio Campos: <\/strong>produtor pioneiro, trouxe a primeira m\u00e1quina de classifica\u00e7\u00e3o de frutas e ajudou a organizar os primeiros pomares antes da funda\u00e7\u00e3o de cooperativas na regi\u00e3o.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: 'comic sans ms', sans-serif; color: #0000ff;\"><strong>Cooperativas: <\/strong>a Cooperserra foi fundada em 1977 e foi a primeira cooperativa de ma\u00e7\u00e3 da Serra Catarinense. A Sanjo Cooperativa Agr\u00edcola foi criada em 1993 por 34 fruticultores. Mais tarde, em 1998, foi fundada a cooperativa Frutas de Ouro.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: 'comic sans ms', sans-serif; color: #008080; font-size: 18pt;\"><strong>1.5 Fraiburgo: a Terra da Ma\u00e7\u00e3<\/strong><\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: 'comic sans ms', sans-serif; color: #0000ff;\">Conhecida como a Terra da Ma\u00e7\u00e3, Fraiburgo foi onde come\u00e7ou o plantio comercial em grande escala no Brasil.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: 'comic sans ms', sans-serif; color: #0000ff;\"><strong>Irm\u00e3os Frey: <\/strong>Ren\u00e9 e Arnoldo Frey foram os fundadores do munic\u00edpio (1925) e grandes incentivadores da agricultura na regi\u00e3o.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: 'comic sans ms', sans-serif; color: #0000ff;\"><strong>Roger Biau: <\/strong>engenheiro agr\u00f4nomo franc\u00eas respons\u00e1vel por trazer os primeiros estudos e t\u00e9cnicas essenciais para viabilizar o cultivo massivo de ma\u00e7\u00e3s na cidade nos anos 1960.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: 'comic sans ms', sans-serif; color: #008080; font-size: 18pt;\"><strong>1.6 A Cria\u00e7\u00e3o da Sanjo e o Legado de Glauco Olinger<\/strong><\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: 'comic sans ms', sans-serif; color: #0000ff;\">A Sanjo Cooperativa Agr\u00edcola foi fundada em 1993 por um grupo de 34 fruticultores em S\u00e3o Joaquim que buscavam padronizar a classifica\u00e7\u00e3o, armazenagem e comercializa\u00e7\u00e3o para ganhar for\u00e7a no mercado nacional.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: 'comic sans ms', sans-serif; color: #0000ff;\">Nesse processo revolucion\u00e1rio, a figura do agr\u00f4nomo Glauco Olinger foi essencial. Como um dos maiores nomes da extens\u00e3o rural do pa\u00eds e fundador da antiga Acaresc (hoje Epagri), Olinger enxergou o potencial do clima frio serrano. Ele foi o respons\u00e1vel pol\u00edtico e t\u00e9cnico por liderar as pesquisas nos anos 1960 e 1970, estruturar as primeiras esta\u00e7\u00f5es experimentais e convencer agricultores e governantes de que a Regi\u00e3o Serrana poderia produzir frutas de clima temperado de alt\u00edssima qualidade.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: 'comic sans ms', sans-serif; color: #0000ff;\"><strong>Foi a ag\u00eancia de fomento do Jap\u00e3o que trouxe a variedade Fuji para a esta\u00e7\u00e3o de pesquisa que hoje \u00e9 a Epagri, e foi a coopera\u00e7\u00e3o t\u00e9cnica alem\u00e3 (GTZ) que enviou especialistas em fruticultura para a esta\u00e7\u00e3o de Ca\u00e7ador. Foi tamb\u00e9m nesse per\u00edodo que imigrantes franco-argelinos, expulsos da Arg\u00e9lia durante a guerra civil, se instalaram em Fraiburgo pela m\u00e3o da fam\u00edlia Frey e trouxeram consigo a variedade Gala, origin\u00e1ria da Nova Zel\u00e2ndia.<\/strong> Todo esse arranjo t\u00e9cnico e humano \u00e9, na minha leitura, prova de que a fruticultura catarinense nasceu de coopera\u00e7\u00e3o internacional bem articulada \u2014 e n\u00e3o por acaso, um mesmo nome aparece como fio condutor de boa parte desses acordos: o do Dr. Glauco Olinger<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: 'comic sans ms', sans-serif; color: #0000ff; font-size: 14pt;\"><strong>Fontes<\/strong><\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: 'comic sans ms', sans-serif; color: #0000ff;\">BRANDT, Suzane Aparecida. <strong>Evolu\u00e7\u00e3o da produ\u00e7\u00e3o de ma\u00e7\u00e3 em Santa Catarina: novas estrat\u00e9gias competitivas.<\/strong> Anais do I Encontro de Economia Catarinense (EEC), 2007.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: 'comic sans ms', sans-serif; color: #0000ff;\">FETT, M. S. <strong>An\u00e1lise econ\u00f4mica de sistema de macieiras no munic\u00edpio de Vacaria\/RS.<\/strong> 2000. 145 f. Disserta\u00e7\u00e3o de Mestrado \u2014 Programa de P\u00f3s-Gradua\u00e7\u00e3o em Economia Rural, Faculdade de Ci\u00eancias Econ\u00f4micas, Universidade Federal do Rio Grande do Sul, Porto Alegre, 2000.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: 'comic sans ms', sans-serif; color: #0000ff;\"><em>Depoimentos orais de produtores rurais da regi\u00e3o de Lages e Serra Catarinense, colhidos em pesquisa de campo sobre a hist\u00f3ria da fruticultura local<\/em><\/span><\/p>\n<hr \/>\n<p><span style=\"font-size: 18pt;\"><strong><span style=\"font-family: 'comic sans ms', sans-serif; color: #ff0000;\">2. O CICLO DA MACIEIRA: PACI\u00caNCIA E PLANEJAMENTO<\/span><\/strong><\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: 18pt;\"><strong><span style=\"font-family: 'comic sans ms', sans-serif; color: #008080;\">2.1 O In\u00edcio da Produ\u00e7\u00e3o<\/span><\/strong><\/span><\/p>\n<p><strong><span style=\"font-family: 'comic sans ms', sans-serif; color: #800000;\"><em>&#8220;Aquele que planta uma \u00e1rvore sabe que n\u00e3o colher\u00e1 sua sombra, mas trabalha para quem vir\u00e1 depois.&#8221;<\/em>\u00a0(adapta\u00e7\u00e3o de pensamento atribu\u00eddo a Marco T\u00falio C\u00edcero)<\/span><\/strong><\/p>\n<p><span style=\"font-family: 'comic sans ms', sans-serif; color: #0000ff;\">Um pomar de macieiras n\u00e3o \u00e9 um investimento de retorno imediato, e isso, a meu ver, separa o verdadeiro fruticultor do simples especulador de terras. <strong>As primeiras floradas comerciais costumam aparecer entre o terceiro e o quinto ano ap\u00f3s o plantio das mudas, mas a produ\u00e7\u00e3o plena, aquela que justifica economicamente todo o investimento em preparo de solo, tutoramento e sistemas de irriga\u00e7\u00e3o, s\u00f3 se consolida a partir do s\u00e9timo ou oitavo ano, quando a copa da \u00e1rvore atinge maturidade estrutural.<\/strong><\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: 'comic sans ms', sans-serif; color: #0000ff;\">Esse intervalo de matura\u00e7\u00e3o \u00e9, na minha vis\u00e3o, o principal motivo pelo qual poucos investidores de curto prazo se aventuram nessa cultura: \u00e9 preciso paci\u00eancia para esperar a \u00e1rvore &#8220;aprender&#8221; a produzir com regularidade.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: 'comic sans ms', sans-serif; color: #0000ff; font-size: 14pt;\"><strong>Fonte:<\/strong><\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: 'comic sans ms', sans-serif; color: #0000ff;\">Zoneamento agroclim\u00e1tico e exig\u00eancia de frio hibernal para a cultura da macieira. Empresa de Pesquisa Agropecu\u00e1ria e Extens\u00e3o Rural de Santa Catarina.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: 18pt;\"><strong><span style=\"font-family: 'comic sans ms', sans-serif; color: #008000;\">2.2 Vida \u00datil do Pomar<\/span><\/strong><\/span><\/p>\n<p><strong><span style=\"font-family: 'comic sans ms', sans-serif; color: #800000;\"><em>&#8220;O melhor momento para plantar uma \u00e1rvore foi h\u00e1 vinte anos. O segundo melhor momento \u00e9 agora.&#8221;<\/em>\u00a0(prov\u00e9rbio chin\u00eas)<\/span><\/strong><\/p>\n<p><span style=\"font-family: 'comic sans ms', sans-serif; color: #0000ff;\">Um pomar bem manejado, com podas de renova\u00e7\u00e3o, controle fitossanit\u00e1rio e reposi\u00e7\u00e3o de nutrientes, pode manter produtividade comercial por vinte a vinte e cinco anos. \u00c9 exatamente esse horizonte de longo prazo que, penso eu, deveria orientar qualquer pol\u00edtica p\u00fablica ou linha de cr\u00e9dito voltada \u00e0 fruticultura em Lages.<\/span><\/p>\n<p><strong><span style=\"font-family: 'comic sans ms', sans-serif; color: #0000ff;\">A cultura da macieira depende de pelo menos 900 horas de frio anual abaixo de 7\u00b0C para florescer e frutificar com qualidade, uma exig\u00eancia que a Serra Catarinense, incluindo o entorno de Lages, cumpre com folga.<\/span><\/strong><\/p>\n<p><span style=\"font-family: 'comic sans ms', sans-serif; color: #0000ff; font-size: 14pt;\"><strong>Fonte:<\/strong><\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: 'comic sans ms', sans-serif; color: #0000ff;\">Zoneamento agroclim\u00e1tico e exig\u00eancia de frio hibernal para a cultura da macieira. Empresa de Pesquisa Agropecu\u00e1ria e Extens\u00e3o Rural de Santa Catarina.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: 18pt;\"><strong><span style=\"font-family: 'comic sans ms', sans-serif; color: #008000;\">2.3 Mecaniza\u00e7\u00e3o e Trabalho Humano<\/span><\/strong><\/span><\/p>\n<p><span style=\"color: #800000;\"><strong><span style=\"font-family: 'comic sans ms', sans-serif;\"><em>&#8220;Se eu tivesse perguntado \u00e0s pessoas o que queriam, elas teriam dito cavalos mais r\u00e1pidos.&#8221;<\/em>\u00a0(Henry Ford)<\/span><\/strong><\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: 'comic sans ms', sans-serif; color: #0000ff;\">Tenho a convic\u00e7\u00e3o de que a mecaniza\u00e7\u00e3o \u00e9 o pr\u00f3ximo grande salto de produtividade para a fruticultura da regi\u00e3o, mas ela avan\u00e7a de forma desigual conforme o relevo. Estudos sobre a cadeia catarinense da ma\u00e7\u00e3 j\u00e1 registraram que regi\u00f5es de relevo mais suave, como Fraiburgo, oferecem condi\u00e7\u00f5es mais prop\u00edcias \u00e0 mecaniza\u00e7\u00e3o do que \u00e1reas de maior declividade, como as encontradas em parte da Serra Catarinense.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: 'comic sans ms', sans-serif; color: #0000ff;\"><strong>Isso significa que, em Lages, a mecaniza\u00e7\u00e3o plena dos tratos culturais (ro\u00e7adas, pulveriza\u00e7\u00e3o, poda mec\u00e2nica assistida) \u00e9 vi\u00e1vel em boa parte das \u00e1reas mais planas, possuimos muitas,\u00a0 mas a colheita da fruta fresca de mesa continua exigindo, em grande medida, m\u00e3o de obra humana, j\u00e1 que a ma\u00e7\u00e3 se machuca com facilidade e sua apar\u00eancia \u00e9 decisiva para o pre\u00e7o no mercado consumidor.<\/strong> J\u00e1 a etapa de classifica\u00e7\u00e3o e embalagem, feita em galp\u00f5es com esteiras \u00f3ticas e c\u00e2maras frias, essa sim j\u00e1 \u00e9 altamente mecanizada e automatizada em toda a regi\u00e3o produtora.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"color: #0000ff; font-family: 'comic sans ms', sans-serif;\">Mesmo com toda a mecaniza\u00e7\u00e3o que j\u00e1 chegou nas diferentes etapas do cultivo, d\u00e1 pra perceber \u2014 e ouvi isso de v\u00e1rios produtores da regi\u00e3o \u2014 que poda e colheita ainda dependem muito de m\u00e3o de obra humana. Na minha vis\u00e3o, esse \u00e9 hoje um dos maiores gargalos para a fruticultura crescer em Lages: de nada adianta ter m\u00e1quina se falta gente disposta a colocar a m\u00e3o na massa no campo, algo cada vez mais raro at\u00e9 em regi\u00f5es que sempre foram agr\u00edcolas.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"color: #0000ff; font-family: 'comic sans ms', sans-serif;\">Uma sa\u00edda para esse problema pode estar em olhar para o que j\u00e1 funciona em cidades vizinhas, como Sao Joaquim, Fraiburgo e Vacaria. Em Bra\u00e7o do Norte, por exemplo, os empres\u00e1rios resolveram buscar m\u00e3o de obra l\u00e1 no Nordeste, e todo ano recebem uma leva de nordestinos que v\u00eam trabalhar de forma sazonal tamb\u00e9m na agropecu\u00e1ria. \u00c9 o tipo de solu\u00e7\u00e3o que mostra como trazer gente de fora pode ajudar a tapar esse buraco de m\u00e3o de obra \u2014 e talvez seja um caminho que valha a pena pensar pra fruticultura de Lages tamb\u00e9m.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: 'comic sans ms', sans-serif; color: #0000ff; font-size: 14pt;\"><strong>Fontes:<\/strong><\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: 'comic sans ms', sans-serif; color: #0000ff;\">BRANDT, Suzane Aparecida. A constru\u00e7\u00e3o social do mercado de ma\u00e7\u00e3 em Fraiburgo\/SC. Anais do I Encontro de Economia Catarinense (EEC), 2007.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: 'comic sans ms', sans-serif; color: #0000ff;\"><em>Depoimentos orais de produtores rurais da regi\u00e3o de Lages e Serra Catarinense, colhidos em pesquisa de campo sobre a\u00a0 fruticultura local.<\/em><\/span><\/p>\n<hr \/>\n<p><span style=\"font-size: 18pt;\"><strong><span style=\"font-family: 'comic sans ms', sans-serif; color: #ff0000;\">3. FONTES DE RECURSOS E FINANCIAMENTO<\/span><\/strong><\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: 'comic sans ms', sans-serif; color: #0000ff;\"><strong>Antes de detalhar as linhas de cr\u00e9dito, considero importante esclarecer um ponto que costuma gerar d\u00favidas: no Brasil, o cr\u00e9dito rural n\u00e3o segue o ano civil tradicional (de janeiro a dezembro), mas sim o calend\u00e1rio das safras<\/strong>. \u00c9 por isso que as taxas de juros que menciono a seguir referem-se ao ano agr\u00edcola de 2026\/2027, com vig\u00eancia oficial de 1\u00ba de julho de 2026 a 30 de junho de 2027.<strong> O Governo Federal define essas condi\u00e7\u00f5es anualmente por meio do lan\u00e7amento do Plano Safra, adaptando-as \u00e0s conjunturas econ\u00f4micas do pa\u00eds<\/strong>. Portanto, sempre que um produtor for buscar financiamento, precisa verificar a edi\u00e7\u00e3o do Plano Safra vigente naquele momento \u2014 mas, de toda forma, as taxas hist\u00f3ricas mostram que o subs\u00eddio \u00e9 expressivo e duradouro.<\/span><\/p>\n<p><strong><span style=\"font-family: 'comic sans ms', sans-serif; color: #0000ff;\">Atrav\u00e9s da Epagri, oferecem-se financiamentos e subs\u00eddios: o produtor conta com o Programa de Incentivo \u00e0 Cobertura de Pomares, que oferece linhas de cr\u00e9dito subvencionadas (como juros de at\u00e9 2,5% ao ano) para proteger as frutas contra intemp\u00e9ries, a exemplo do granizo.<\/span><\/strong><\/p>\n<p><span style=\"font-family: 'comic sans ms', sans-serif; color: #0000ff;\">Feita essa ressalva, vejamos as linhas espec\u00edficas para a pomicultura, operadas pelo BNDES em conjunto com o Plano Safra e bancos parceiros. Os juros s\u00e3o considerados muito vi\u00e1veis e subsidiados, o que, na minha opini\u00e3o, representa uma oportunidade \u00fanica para quem deseja investir nessa cultura.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: 'comic sans ms', sans-serif; color: #0000ff; font-size: 14pt;\"><strong>Fonte:<\/strong><\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: 'comic sans ms', sans-serif; color: #0000ff;\">EPAGRI\/CEPA \u2014 Centro de Socioeconomia e Planejamento Agr\u00edcola. Boletim Agropecu\u00e1rio. Florian\u00f3polis: Epagri, edi\u00e7\u00f5es mensais.<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><span style=\"font-size: 18pt;\"><strong><span style=\"font-family: 'comic sans ms', sans-serif; color: #008000;\">3.1 Pequenos Produtores (Agricultura Familiar)<\/span><\/strong><\/span><\/p>\n<p><strong><span style=\"font-family: 'comic sans ms', sans-serif; color: #0000ff;\">Enquadram-se no Pronaf (Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar). Podem financiar custeio, implanta\u00e7\u00e3o ou moderniza\u00e7\u00e3o do pomar. As taxas de juros para custeio de frutas variam de 1,0% a 5,5% ao ano; para investimentos (como compra de equipamentos, preparo do solo e aquisi\u00e7\u00e3o de mudas), as taxas ficam entre 1,5% e 5,0% ao ano.<\/span><\/strong><\/p>\n<p><span style=\"font-family: 'comic sans ms', sans-serif; color: #0000ff; font-size: 14pt;\"><strong>Fonte:<\/strong><\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: 'comic sans ms', sans-serif; color: #0000ff;\">EPAGRI\/CEPA \u2014 Centro de Socioeconomia e Planejamento Agr\u00edcola. Boletim Agropecu\u00e1rio. Florian\u00f3polis: Epagri, edi\u00e7\u00f5es mensais.<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><span style=\"font-size: 18pt;\"><strong><span style=\"font-family: 'comic sans ms', sans-serif; color: #008000;\">3.2 M\u00e9dios Produtores<\/span><\/strong><\/span><\/p>\n<p><strong><span style=\"font-family: 'comic sans ms', sans-serif; color: #0000ff;\">Acessam o Pronamp (Programa Nacional de Apoio ao M\u00e9dio Produtor Rural), que possui limites de cr\u00e9dito mais altos para investimentos e custeio de lavouras permanentes. As taxas de juros ficam em torno de 8% ao ano.<\/span><\/strong><\/p>\n<p><span style=\"font-family: 'comic sans ms', sans-serif; color: #0000ff; font-size: 14pt;\"><strong>Fonte:<\/strong><\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: 'comic sans ms', sans-serif; color: #0000ff;\">EPAGRI\/CEPA \u2014 Centro de Socioeconomia e Planejamento Agr\u00edcola. Boletim Agropecu\u00e1rio. Florian\u00f3polis: Epagri, edi\u00e7\u00f5es mensais.<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><span style=\"font-size: 18pt;\"><strong><span style=\"font-family: 'comic sans ms', sans-serif; color: #008000;\">3.3 Grandes Produtores<\/span><\/strong><\/span><\/p>\n<p><strong><span style=\"font-family: 'comic sans ms', sans-serif; color: #0000ff;\">Operam atrav\u00e9s de linhas de Cr\u00e9dito Empresarial Rural e programas focados em inova\u00e7\u00e3o, sustentabilidade e irriga\u00e7\u00e3o. Para investimentos em geral, as taxas costumam variar entre 10,5% e 12% ao ano, dependendo da finalidade e das fontes de recursos.<\/span><\/strong><\/p>\n<p><span style=\"font-family: 'comic sans ms', sans-serif; color: #0000ff; font-size: 14pt;\"><strong>Fonte:<\/strong><\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: 'comic sans ms', sans-serif; color: #0000ff;\">EPAGRI\/CEPA \u2014 Centro de Socioeconomia e Planejamento Agr\u00edcola. Boletim Agropecu\u00e1rio. Florian\u00f3polis: Epagri, edi\u00e7\u00f5es mensais.<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><span style=\"font-size: 18pt;\"><strong><span style=\"font-family: 'comic sans ms', sans-serif; color: #008000;\">3.4 Programas Estaduais e BNDES<\/span><\/strong><\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: 'comic sans ms', sans-serif; color: #0000ff;\"><strong>Al\u00e9m dessas, h\u00e1 os programas de est\u00edmulo estaduais, com subs\u00eddios da Secretaria de Estado da Agricultura de Santa Catarina para instala\u00e7\u00e3o de coberturas de telas antigranizo e sistemas de irriga\u00e7\u00e3o artificial, e as linhas do BNDES voltadas \u00e0 moderniza\u00e7\u00e3o e estocagem em c\u00e2maras frias de atmosfera controlada.<\/strong> Na minha avalia\u00e7\u00e3o, o acesso a essas linhas de cr\u00e9dito, com condi\u00e7\u00f5es t\u00e3o favor\u00e1veis \u2014 ainda que renovadas anualmente \u2014, \u00e9 um dos fatores que podem viabilizar a retomada da fruticultura em Lages, desde que os produtores estejam organizados e bem assessorados tecnicamente.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: 'comic sans ms', sans-serif; color: #0000ff; font-size: 14pt;\"><strong>Fonte:<\/strong><\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: 'comic sans ms', sans-serif; color: #0000ff;\">EPAGRI\/CEPA \u2014 Centro de Socioeconomia e Planejamento Agr\u00edcola. Boletim Agropecu\u00e1rio. Florian\u00f3polis: Epagri, edi\u00e7\u00f5es mensais.<\/span><\/p>\n<hr \/>\n<p><strong><span style=\"font-family: 'comic sans ms', sans-serif; color: #ff0000; font-size: 14pt;\">4. O QUE A EPAGRI OFERECE AO POMICULTOR CATARINENSE<\/span><\/strong><\/p>\n<p><span style=\"font-family: 'comic sans ms', sans-serif; color: #0000ff;\">A Epagri oferece ao produtor de ma\u00e7\u00e3 mudas de qualidade comprovada e livres de v\u00edrus, desenvolvimento de variedades exclusivas e tolerantes a doen\u00e7as (como Luiza, Venice e Isadora), al\u00e9m de assist\u00eancia t\u00e9cnica e capacita\u00e7\u00e3o gratuita com cursos sobre todas as etapas do pomar.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: 'comic sans ms', sans-serif; color: #0000ff;\">A institui\u00e7\u00e3o disponibiliza um leque amplo de suporte para o cultivo na regi\u00e3o de Lages:<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: 'comic sans ms', sans-serif; color: #0000ff;\"><strong>Novas Cultivares:<\/strong>Acesso a variedades desenvolvidas pela pr\u00f3pria Epagri (muitas delas comercializadas internacionalmente sob a marca Samb\u00f3a), que demandam menor uso de defensivos agr\u00edcolas.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: 'comic sans ms', sans-serif; color: #0000ff;\"><strong>Capacita\u00e7\u00e3o e Extens\u00e3o:<\/strong>Os escrit\u00f3rios locais da Epagri e a Esta\u00e7\u00e3o Experimental de Lages realizam capacita\u00e7\u00f5es frequentes que abordam desde a an\u00e1lise de solo at\u00e9 o monitoramento de pragas e a poda.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: 'comic sans ms', sans-serif; color: #0000ff;\"><strong>Pesquisa de Insumos:<\/strong>Pesquisas na \u00e1rea de Lages auxiliam os produtores at\u00e9 na destina\u00e7\u00e3o e uso comercial de subprodutos, como o uso do baga\u00e7o da ma\u00e7\u00e3 para alimenta\u00e7\u00e3o de gado de corte.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: 'comic sans ms', sans-serif; color: #0000ff; font-size: 14pt;\"><strong>Fontes:<\/strong><\/span><\/p>\n<p style=\"margin: 0cm;\"><span style=\"font-family: 'Comic Sans MS'; color: blue;\">Dispon\u00edvel em:\u00a0<a href=\"https:\/\/epagri.sc.gov.br\/\">epagri.<span style=\"color: #0000ff;\">sc.gov.br<\/span><\/a><span style=\"color: #0000ff;\">.<\/span><\/span><\/p>\n<p style=\"margin: 0cm;\"><span style=\"font-family: 'Comic Sans MS'; color: blue;\">EPAGRI\/CEPA \u2014 Centro de Socioeconomia e Planejamento Agr\u00edcola. Boletim Agropecu\u00e1rio. Florian\u00f3polis: Epagri, edi\u00e7\u00f5es mensais.<\/span><\/p>\n<hr \/>\n<p><strong><span style=\"font-family: 'comic sans ms', sans-serif; color: #ff0000; font-size: 18pt;\">5. DO POMAR AO MERCADO: INFRAESTRUTURA E LOG\u00cdSTICA<\/span><\/strong><\/p>\n<p><strong><span style=\"font-family: 'comic sans ms', sans-serif; color: #800000;\"><em>&#8220;Uma na\u00e7\u00e3o vive tanto quanto suas estradas a conectam.&#8221;<\/em>\u00a0(pensamento popularizado a partir de discursos sobre infraestrutura, atribu\u00eddo a diversos gestores p\u00fablicos brasileiros do s\u00e9culo XX)<\/span><\/strong><\/p>\n<p><span style=\"font-family: 'comic sans ms', sans-serif; color: #0000ff;\"><strong>Lages ocupa\u00a0 uma posi\u00e7\u00e3o geogr\u00e1fica privilegiada que ainda \u00e9 subaproveitada: \u00e9 o ponto de passagem obrigat\u00f3rio da BR-282 entre a Serra Catarinense e o litoral, rota pela qual escoa boa parte da produ\u00e7\u00e3o rumo aos portos de Itaja\u00ed e Navegantes, de onde partem os embarques para a Europa, a R\u00fassia e o Oriente M\u00e9di<\/strong>o.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: 'comic sans ms', sans-serif; color: #0000ff;\">A libera\u00e7\u00e3o da certifica\u00e7\u00e3o fitossanit\u00e1ria em postos alfandegados na pr\u00f3pria origem, sem necessidade de deslocar a carga at\u00e9 o porto para inspe\u00e7\u00e3o, deu agilidade real ao setor exportador catarinense. Some-se a isso a import\u00e2ncia das c\u00e2maras frias de atmosfera controlada, capazes de conservar a fruta por at\u00e9 doze meses, permitindo que ela chegue fresca aos grandes CEASAs de S\u00e3o Paulo, Rio de Janeiro, Belo Horizonte, Curitiba e Porto Alegre mesmo fora da \u00e9poca de colheita. Sem essa combina\u00e7\u00e3o de rodovia, porto e armazenagem, todo o potencial produtivo da regi\u00e3o perderia competitividade diante de outros polos nacionais.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: 'comic sans ms', sans-serif; color: #0000ff;\">Foi justamente a falta dessa estrutura de armazenamento que, d\u00e9cadas atr\u00e1s, condenou boa parte dos pomares da regi\u00e3o, como abordarei mais adiante. A evolu\u00e7\u00e3o tecnol\u00f3gica das \u00faltimas d\u00e9cadas mudou de forma decisiva essa equa\u00e7\u00e3o, garantindo melhor qualidade, redu\u00e7\u00e3o de perdas e, principalmente, a possibilidade de comercializar a produ\u00e7\u00e3o nos per\u00edodos mais favor\u00e1veis ao mercado, e n\u00e3o apenas no momento da colheita.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: 'comic sans ms', sans-serif; color: #0000ff; font-size: 14pt;\"><strong>Fonte:<\/strong><\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: 'comic sans ms', sans-serif;\"><span style=\"color: #0000ff;\">Governo do Estado de Santa Catarina. Dados sobre acesso rodovi\u00e1rio via BR-282 e SC-390 aos polos produtores da Serra Catarinense<\/span>.<\/span><\/p>\n<hr \/>\n<p><strong><span style=\"font-family: 'comic sans ms', sans-serif; color: #ff0000; font-size: 18pt;\">6. O TAMANHO DO MERCADO<\/span><\/strong><\/p>\n<p><strong><span style=\"font-family: 'comic sans ms', sans-serif; color: #800000;\"><em>&#8220;A oportunidade \u00e9 perdida na maioria das vezes porque est\u00e1 vestida de macac\u00e3o e parece trabalho.&#8221;<\/em>\u00a0(pensamento popularmente atribu\u00eddo a Thomas Edison)<\/span><\/strong><\/p>\n<p><strong><span style=\"font-family: 'comic sans ms', sans-serif; color: #0000ff;\">Quando observo os n\u00fameros do setor, entendo por que tantos produtores da regi\u00e3o apostaram, e ainda apostam, na macieira. O valor bruto da produ\u00e7\u00e3o catarinense de ma\u00e7\u00e3 j\u00e1 superou a casa dos R$ 870 milh\u00f5es em safras recentes, com produtividade m\u00e9dia acima de 30 mil quilos por hectare nas \u00e1reas mais tecnificadas.<\/span><\/strong><\/p>\n<p><span style=\"font-family: 'comic sans ms', sans-serif; color: #0000ff;\">O selo de Indica\u00e7\u00e3o Geogr\u00e1fica conquistado pela Fuji da regi\u00e3o agrega valor comercial ao produto e abre portas em mercados mais exigentes. Na minha avalia\u00e7\u00e3o, esse \u00e9 o tipo de mercado que recompensa quem consegue aliar escala, qualidade e regularidade de fornecimento, e \u00e9 justamente a\u00ed que vejo espa\u00e7o para Lages se posicionar como fornecedora complementar aos polos j\u00e1 consolidados, aproveitando terras ainda dispon\u00edveis e a proximidade com a infraestrutura log\u00edstica existente.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: 'comic sans ms', sans-serif; color: #0000ff; font-size: 14pt;\"><strong>Fonte:<\/strong><\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: 'comic sans ms', sans-serif; color: #0000ff;\">Instituto Brasileiro de Geografia e Estat\u00edstica (IBGE). Produ\u00e7\u00e3o Agr\u00edcola Municipal (PAM), edi\u00e7\u00f5es recentes.<\/span><\/p>\n<hr \/>\n<p><strong><span style=\"font-family: 'comic sans ms', sans-serif; color: #ff0000; font-size: 18pt;\">7. O Passado Explica, Mas N\u00e3o Condena o Futuro<\/span><\/strong><\/p>\n<p><strong><span style=\"font-family: 'comic sans ms', sans-serif; color: #800000;\"><em>&#8220;N\u00e3o \u00e9 o mais forte que sobrevive, nem o mais inteligente, mas o que melhor se adapta \u00e0s mudan\u00e7as.&#8221;<\/em>\u00a0(pensamento associado \u00e0 teoria da adapta\u00e7\u00e3o de Charles Darwin)<\/span><\/strong><\/p>\n<p class=\"font-claude-response-body break-words whitespace-normal\"><span style=\"font-family: 'comic sans ms', sans-serif; color: #0000ff;\">Ao conversar com pessoas\u00a0 vinculadas ao agroneg\u00f3cio sobre a viabilidade da produ\u00e7\u00e3o de ma\u00e7\u00e3 em Lages, notei nelas um tom de certo pessimismo, herdado da frustra\u00e7\u00e3o vivida por essa atividade no passado. Muitas, por\u00e9m, esquecem que esse rev\u00e9s ocorreu h\u00e1 36 anos \u2014 e parecem n\u00e3o perceber o quanto o cen\u00e1rio mudou desde ent\u00e3o.<\/span><\/p>\n<p class=\"font-claude-response-body break-words whitespace-normal\"><span style=\"font-family: 'comic sans ms', sans-serif; color: #0000ff;\">Hoje, as pesquisas j\u00e1 produzem clones de ma\u00e7\u00e3 adaptados \u00e0s condi\u00e7\u00f5es locais de altitude e clima. Existem fontes de financiamento, fornecimento regular de mudas e assist\u00eancia t\u00e9cnica qualificada nos tratos culturais, al\u00e9m de linhas de cr\u00e9dito para c\u00e2maras frigor\u00edficas e redes de prote\u00e7\u00e3o contra intemp\u00e9ries. Some-se a isso uma cadeia produtiva j\u00e1 consolidada na regi\u00e3o: mercados compradores em potencial,\u00a0 grande extens\u00e3o territorial, terrenos mais planos do que os de outras localidades \u2014 o que facilita a mecaniza\u00e7\u00e3o no combate a pragas \u2014, defensivos mais eficazes do que antigamente e t\u00e9cnicas de raleio mais simples, que reduzem custos. Cooperativas de cr\u00e9dito, produ\u00e7\u00e3o e comercializa\u00e7\u00e3o completam essa estrutura de apoio. Diante de tantos avan\u00e7os, chama aten\u00e7\u00e3o que ainda existam pessoas que ignorem esse potencial, seja por desconhecimento dessas inova\u00e7\u00f5es, seja por puro pessimismo.<\/span><\/p>\n<p class=\"font-claude-response-body break-words whitespace-normal\"><span style=\"font-family: 'comic sans ms', sans-serif; color: #0000ff;\">N\u00e3o posso, por\u00e9m, esconder o lado mais duro dessa hist\u00f3ria, porque aprender com o insucesso \u00e9 t\u00e3o importante quanto celebrar o sucesso dos vizinhos.<\/span><\/p>\n<p class=\"font-claude-response-body break-words whitespace-normal\"><span style=\"font-family: 'comic sans ms', sans-serif; color: #0000ff;\">Ouvi de um produtor da regi\u00e3o um relato que considero emblem\u00e1tico. Ele chegou a manter o maior pomar de ma\u00e7\u00e3 da regi\u00e3o, com 75 hectares, em um momento em que a fruticultura de clima temperado ganhava for\u00e7a no Brasil. Mas, depois de vinte e cinco anos de cultivo, o granizo \u2014 &#8220;deu pedra e estragou tudo&#8221;, nas palavras dele \u2014 inviabilizou a continuidade da lavoura. Instalar coberturas de tela antigranizo tinha um custo proibitivo para o produtor m\u00e9dio da \u00e9poca, e, sem cr\u00e9dito subsidiado suficiente nem seguro agr\u00edcola consolidado, muitos pomares simplesmente n\u00e3o resistiram ao clima que, paradoxalmente, \u00e9 o mesmo que torna a regi\u00e3o t\u00e3o prop\u00edcia \u00e0 macieira. Esse \u00e9, a meu ver, o ponto central: o frio que garante a qualidade da fruta vem acompanhado do risco de geada tardia e de granizo \u2014 e onde n\u00e3o houve investimento em prote\u00e7\u00e3o, o pomar pagou caro por essa vulnerabilidade.<\/span><\/p>\n<p class=\"font-claude-response-body break-words whitespace-normal\"><span style=\"font-family: 'comic sans ms', sans-serif; color: #0000ff;\">Outro depoimento revela a segunda face do mesmo problema:<\/span><\/p>\n<p class=\"font-claude-response-body break-words whitespace-normal\"><strong><span style=\"font-family: 'comic sans ms', sans-serif; color: #0000ff;\">&#8220;J\u00e1 tivemos pomar de ma\u00e7\u00e3 nos anos 80 e 90. Naquela \u00e9poca faltava estrutura de armazenamento. Quando chegava a colheita, muitas vezes n\u00e3o havia pre\u00e7o que remunerasse o produtor. Sem c\u00e2maras frias e sem condi\u00e7\u00f5es de esperar o melhor momento para vender, acabamos removendo o pomar. Hoje a tecnologia ajuda muito. O principal problema de qualquer atividade \u00e9 a falta de m\u00e3o de obra. O povo n\u00e3o quer mais trabalhar.&#8221;<\/span><\/strong><\/p>\n<p class=\"font-claude-response-body break-words whitespace-normal\"><span style=\"font-family: 'comic sans ms', sans-serif; color: #0000ff;\"><strong>H\u00e1 ainda outro caso digno de nota: o de um produtor que chegou a plantar 30 mil mudas de macieiras, entre elas as variedades Fuji, Gala e Golden. Esse produtor recebia orienta\u00e7\u00e3o direta de um professor especialista em fruticultura do CAV\/UDESC-Lages. Conheci seu propriet\u00e1rio no departamento agropecu\u00e1rio da prefeitura de Lages, onde trabalhei entre 1976 e 1979. Ele costumava ir com frequ\u00eancia conversar com o diretor do departamento, o engenheiro Mario Sell Duarte, sobre suas atividades como fruticulto<\/strong>r.<\/span><\/p>\n<p class=\"font-claude-response-body break-words whitespace-normal\"><span style=\"font-family: 'comic sans ms', sans-serif; color: #0000ff;\">Depoimentos como esses n\u00e3o s\u00e3o exce\u00e7\u00e3o \u2014 muitos outros produtores relatam hist\u00f3rias semelhantes. Isso demonstra que, se a atividade de cultivo da ma\u00e7\u00e3 tivesse se consolidado e recebido o devido apoio ao longo do tempo no munic\u00edpio de Lages, certamente estar\u00edamos hoje entre os maiores produtores dessa fruta do pa\u00eds.<\/span><\/p>\n<p class=\"font-claude-response-body break-words whitespace-normal\"><span style=\"font-family: 'comic sans ms', sans-serif; color: #0000ff;\">Esse relato traduz uma realidade vivida no passado por in\u00fameros fruticultores lageanos: s<strong>em estrutura para armazenar a fruta, o produtor era obrigado a vender tudo de uma vez, justamente no per\u00edodo de maior oferta \u2014 e, portanto, de pre\u00e7os mais baixos. Sem poder de negocia\u00e7\u00e3o, o investimento, que levava anos para dar retorno, tornava-se invi\u00e1vel.<\/strong><\/span><\/p>\n<p class=\"font-claude-response-body break-words whitespace-normal\"><span style=\"font-family: 'comic sans ms', sans-serif; color: #0000ff;\">Na minha leitura, os insucessos relatados \u2014 o pomar de 75 hectares perdido para o granizo, o pomar removido pela falta de estrutura de armazenamento entre os anos 80 e 90, e o pomar de 30 mil mudas plantado com orienta\u00e7\u00e3o t\u00e9cnica especializada \u2014 s\u00e3o faces da mesma moeda: <strong>a aus\u00eancia de estrutura de apoio \u00e0 produ\u00e7\u00e3o, seja ela clim\u00e1tica, seja ela comercial. Mesmo quando havia know-how t\u00e9cnico e disposi\u00e7\u00e3o para investir, faltava o suporte estrutural \u2014 c\u00e2maras frias, prote\u00e7\u00e3o antigranizo, cr\u00e9dito e seguro agr\u00edcola \u2014 capaz de sustentar o neg\u00f3cio a longo prazo.<\/strong><\/span><\/p>\n<p class=\"font-claude-response-body break-words whitespace-normal\"><span style=\"color: #0000ff; font-size: 14pt; font-family: 'comic sans ms', sans-serif;\"><strong>Fontes:<\/strong><\/span><\/p>\n<p><span style=\"color: #0000ff; font-family: 'comic sans ms', sans-serif;\">Depoimentos orais de produtores rurais da regi\u00e3o de Lages, colhidos em pesquisa de campo sobre a hist\u00f3ria da fruticultura local.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"color: #0000ff; font-family: 'comic sans ms', sans-serif;\">BRANDT, Suzane Aparecida. <em>Evolu\u00e7\u00e3o da produ\u00e7\u00e3o de ma\u00e7\u00e3 em Santa Catarina: novas estrat\u00e9gias competitivas.<\/em> Anais do I Encontro de Economia Catarinense (EEC), 2007 (hist\u00f3rico da chegada da fam\u00edlia Frey e da variedade Gala a Fraiburgo).<\/span><\/p>\n<hr \/>\n<p><span style=\"font-size: 18pt;\"><strong><span style=\"font-family: 'comic sans ms', sans-serif; color: #ff0000;\">8. O PODER DO COOPERATIVISMO<\/span><\/strong><\/span><\/p>\n<p><strong><span style=\"font-family: 'comic sans ms', sans-serif; color: #800000;\"><em>&#8220;Sozinhos podemos ir mais r\u00e1pido; juntos podemos ir mais longe.&#8221;<\/em>\u00a0(prov\u00e9rbio africano)<\/span><\/strong><\/p>\n<p><strong><span style=\"font-family: 'comic sans ms', sans-serif; color: #0000ff;\">Se existe uma ferramenta capaz de transformar o potencial da produ\u00e7\u00e3o de ma\u00e7\u00e3 em desenvolvimento econ\u00f4mico duradouro, essa ferramenta chama-se cooperativismo. A experi\u00eancia dos grandes polos produtores demonstra que a uni\u00e3o entre os agricultores reduz custos, aumenta a competitividade e fortalece toda a cadeia produtiva.<\/span><\/strong><\/p>\n<p><span style=\"font-family: 'comic sans ms', sans-serif; color: #0000ff;\">Uma cooperativa de produtores pode oferecer, entre outros, os seguintes benef\u00edcios:<\/span><\/p>\n<ul>\n<li><span style=\"font-family: 'comic sans ms', sans-serif; color: #0000ff;\">Negocia\u00e7\u00e3o conjunta da produ\u00e7\u00e3o, aumentando o poder de barganha diante dos compradores<\/span><\/li>\n<li><span style=\"font-family: 'comic sans ms', sans-serif; color: #0000ff;\">Forma\u00e7\u00e3o de lotes maiores e padronizados, capazes de atender grandes redes de supermercados e o mercado externo<\/span><\/li>\n<li><span style=\"font-family: 'comic sans ms', sans-serif; color: #0000ff;\">Maior estabilidade na forma\u00e7\u00e3o dos pre\u00e7os, reduzindo os efeitos das oscila\u00e7\u00f5es provocadas pelo excesso de oferta durante a safra<\/span><\/li>\n<li><span style=\"font-family: 'comic sans ms', sans-serif; color: #0000ff;\">Compartilhamento de estruturas de alto custo, como c\u00e2maras frias, centrais de classifica\u00e7\u00e3o, embalagem e log\u00edstica<\/span><\/li>\n<li><span style=\"font-family: 'comic sans ms', sans-serif; color: #0000ff;\">Assist\u00eancia t\u00e9cnica permanente em manejo, poda, irriga\u00e7\u00e3o, controle fitossanit\u00e1rio e inova\u00e7\u00e3o tecnol\u00f3gica<\/span><\/li>\n<li><span style=\"font-family: 'comic sans ms', sans-serif; color: #0000ff;\">Compra coletiva de insumos, reduzindo significativamente os custos de produ\u00e7\u00e3o<\/span><\/li>\n<li><span style=\"font-family: 'comic sans ms', sans-serif; color: #0000ff;\">Acesso facilitado ao cr\u00e9dito rural, financiamentos e programas governamentais<\/span><\/li>\n<li><span style=\"font-family: 'comic sans ms', sans-serif; color: #0000ff;\">Fortalecimento da marca regional, agregando valor \u00e0 fruta produzida na Serra Catarinense<\/span><\/li>\n<li><span style=\"font-family: 'comic sans ms', sans-serif; color: #0000ff;\">Abertura de novos mercados nacionais e internacionais por meio de estrat\u00e9gias conjuntas de comercializa\u00e7\u00e3o e exporta\u00e7\u00e3o<\/span><\/li>\n<\/ul>\n<p><span style=\"font-family: 'comic sans ms', sans-serif; color: #0000ff;\">Al\u00e9m dos ganhos econ\u00f4micos, o cooperativismo fortalece o esp\u00edrito de colabora\u00e7\u00e3o entre os produtores, permitindo a troca constante de experi\u00eancias, tecnologias e solu\u00e7\u00f5es para problemas comuns, como granizo, geadas, escassez de m\u00e3o de obra e mudan\u00e7as clim\u00e1ticas \u2014 exatamente os fatores que, como mostrei nas se\u00e7\u00f5es anteriores, j\u00e1 derrubaram pomares em Lages no passado.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: 'comic sans ms', sans-serif; color: #0000ff;\">Na minha avalia\u00e7\u00e3o, caso Lages decida retomar de forma consistente a produ\u00e7\u00e3o de ma\u00e7\u00e3s, dificilmente esse novo ciclo ocorrer\u00e1 de maneira sustent\u00e1vel sem uma organiza\u00e7\u00e3o coletiva dos produtores. O futuro da fruticultura regional passa n\u00e3o apenas pela tecnologia, mas tamb\u00e9m pela uni\u00e3o, pelo planejamento e pela coopera\u00e7\u00e3o entre aqueles que produzem.<\/span><\/p>\n<p><strong><span style=\"font-family: 'comic sans ms', sans-serif; color: #0000ff;\">A hist\u00f3ria demonstra que as regi\u00f5es que prosperaram na fruticultura foram justamente aquelas que compreenderam que competir individualmente \u00e9 poss\u00edvel, mas crescer coletivamente \u00e9 muito mais eficiente. Talvez essa seja uma das principais li\u00e7\u00f5es deixadas pelas \u00faltimas quatro d\u00e9cadas da cultura da ma\u00e7\u00e3 em Santa Catarina.<\/span><\/strong><\/p>\n<p><span style=\"font-family: 'comic sans ms', sans-serif; color: #0000ff; font-size: 14pt;\"><strong>Fonte:<\/strong><\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: 'comic sans ms', sans-serif; color: #0000ff;\">Depoimentos e pr\u00e1tica cooperativista observada nos principais polos catarinenses de fruticultura (Fraiburgo e S\u00e3o Joaquim).<\/span><\/p>\n<hr \/>\n<p><span style=\"font-family: 'comic sans ms', sans-serif; color: #0000ff;\">Concluo o presente artigo com a convic\u00e7\u00e3o de que Lages n\u00e3o carece de voca\u00e7\u00e3o natural para a ma\u00e7\u00e3. Carece, isto sim, de continuidade de investimento, de prote\u00e7\u00e3o contra o risco clim\u00e1tico e de organiza\u00e7\u00e3o coletiva entre seus produtores.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: 'comic sans ms', sans-serif; color: #0000ff;\">Tenho para mim que os instrumentos hoje dispon\u00edveis \u2014 do cr\u00e9dito rural oficial do Plano Safra \u00e0s linhas do BNDES para c\u00e2maras frias, passando pelos subs\u00eddios estaduais para telas antigranizo e irriga\u00e7\u00e3o \u2014 s\u00e3o exatamente o que faltou \u00e0s gera\u00e7\u00f5es anteriores de fruticultores da regi\u00e3o. E, como detalhei na se\u00e7\u00e3o de financiamentos, as taxas de juros subsidiadas e as linhas espec\u00edficas por porte de produtor tornam esse cen\u00e1rio ainda mais favor\u00e1vel, lembrando sempre que essas condi\u00e7\u00f5es s\u00e3o redefinidas anualmente pelo Plano Safra, conforme a realidade econ\u00f4mica de cada per\u00edodo.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: 'comic sans ms', sans-serif; color: #0000ff;\">Se a li\u00e7\u00e3o do pomar de 75 hectares perdido para o granizo e a do pomar removido pela falta de armazenamento nos ensinam algo, \u00e9 que investir em pomar sem investir, ao mesmo tempo, em prote\u00e7\u00e3o clim\u00e1tica, em capacidade de armazenagem e em coopera\u00e7\u00e3o entre produtores \u00e9 reeditar o mesmo erro.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: 'comic sans ms', sans-serif; color: #0000ff;\">Penso que Lages tem, hoje, uma segunda chance de se somar a S\u00e3o Joaquim e Fraiburgo nesse mercado que j\u00e1 vale bilh\u00f5es de reais e que ainda tem apetite crescente l\u00e1 fora, desde que a cidade aprenda, de fato, com sua pr\u00f3pria hist\u00f3ria, e escolha caminhar de forma coletiva.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><strong><span style=\"font-family: 'comic sans ms', sans-serif; color: #800000; font-size: 14pt;\">Autor:\u00a0Walmor Tadeu Schweitzer<\/span><\/strong><br \/>\n<strong><span style=\"font-family: 'comic sans ms', sans-serif; color: #800000; font-size: 14pt;\">Contato:\u00a0walmor1953@gmail.com<\/span><\/strong><\/p>\n<hr \/>\n<p><span style=\"font-size: 18pt;\"><strong><span style=\"font-family: 'comic sans ms', sans-serif; color: #ff0000;\">FONTES &#8211; GERAL<\/span><\/strong><\/span><\/p>\n<ul>\n<li><span style=\"font-family: 'comic sans ms', sans-serif; color: #0000ff;\">BRANDT, Suzane Aparecida. Evolu\u00e7\u00e3o da produ\u00e7\u00e3o de ma\u00e7\u00e3 em Santa Catarina: novas estrat\u00e9gias competitivas. Anais do I Encontro de Economia Catarinense (EEC), 2007.<\/span><\/li>\n<li><span style=\"font-family: 'comic sans ms', sans-serif; color: #0000ff;\">BRANDT, Suzane Aparecida. A constru\u00e7\u00e3o social do mercado de ma\u00e7\u00e3 em Fraiburgo\/SC. Anais do I Encontro de Economia Catarinense (EEC), 2007.<\/span><\/li>\n<li><span style=\"font-family: 'comic sans ms', sans-serif; color: #0000ff;\">EPAGRI\/CEPA \u2014 Centro de Socioeconomia e Planejamento Agr\u00edcola. Boletim Agropecu\u00e1rio. Florian\u00f3polis: Epagri, edi\u00e7\u00f5es mensais.<\/span><\/li>\n<li><span style=\"font-family: 'comic sans ms', sans-serif; color: #0000ff;\">Zoneamento agroclim\u00e1tico e exig\u00eancia de frio hibernal para a cultura da macieira. Empresa de Pesquisa Agropecu\u00e1ria e Extens\u00e3o Rural de Santa Catarina.<\/span><\/li>\n<li><span style=\"font-family: 'comic sans ms', sans-serif; color: #0000ff;\">INSTITUTO BRASILEIRO DE GEOGRAFIA E ESTAT\u00cdSTICA (IBGE). Produ\u00e7\u00e3o Agr\u00edcola Municipal (PAM), edi\u00e7\u00f5es recentes.<\/span><\/li>\n<li><span style=\"font-family: 'comic sans ms', sans-serif; color: #0000ff;\">Governo do Estado de Santa Catarina. Dados sobre acesso rodovi\u00e1rio via BR-282 e SC-390 aos polos produtores da Serra Catarinense.<\/span><\/li>\n<li><span style=\"font-family: 'comic sans ms', sans-serif; color: #0000ff;\">Depoimentos orais de produtores rurais da regi\u00e3o de Lages e Serra Catarinense, colhidos em pesquisa de campo sobre a hist\u00f3ria da fruticultura local.<\/span><\/li>\n<li><span style=\"font-family: 'comic sans ms', sans-serif; color: #0000ff;\">Observat\u00f3rio Agro Catarinense. Boletins sobre safra de ma\u00e7\u00e3 na microrregi\u00e3o dos Campos de Lages.<\/span><\/li>\n<\/ul>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Escrevo este ensaio movido por uma inquieta\u00e7\u00e3o simples que me acompanha h\u00e1 tempos: por que Lages \u2014 cidade que j\u00e1 teve pomares de dezenas de hectares e que est\u00e1 localizada a pouco mais de 80 quil\u00f4metros de S\u00e3o Joaquim, hoje reconhecida por lei federal como&#8230;<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":5876,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[14,16,1,13,6,12],"tags":[],"class_list":["post-5863","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-administracao","category-agronegocio","category-blog","category-destaque","category-economia","category-historia"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/repensandoavida.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/5863","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/repensandoavida.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/repensandoavida.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/repensandoavida.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/repensandoavida.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=5863"}],"version-history":[{"count":51,"href":"https:\/\/repensandoavida.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/5863\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":5916,"href":"https:\/\/repensandoavida.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/5863\/revisions\/5916"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/repensandoavida.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/media\/5876"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/repensandoavida.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=5863"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/repensandoavida.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=5863"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/repensandoavida.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=5863"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}