{"id":6603,"date":"2026-09-08T22:48:52","date_gmt":"2026-09-09T01:48:52","guid":{"rendered":"https:\/\/repensandoavida.com.br\/blog\/?p=6603"},"modified":"2026-09-09T00:44:05","modified_gmt":"2026-09-09T03:44:05","slug":"6603-2","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/repensandoavida.com.br\/blog\/6603-2\/","title":{"rendered":"260 Anos de Lages: Muito Al\u00e9m de Correia Pinto"},"content":{"rendered":"<p><span style=\"color: #008000;\"><strong><span style=\"font-size: 18pt;\"><span style=\"font-family: 'comic sans ms', sans-serif;\">Lages e o Caminho das Tropas<\/span><span style=\"font-family: 'comic sans ms', sans-serif;\"><em>\u00a0<\/em><\/span><\/span><\/strong><\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: 'comic sans ms', sans-serif;\">Tendo em vista as comemora\u00e7\u00f5es dos 260 anos de funda\u00e7\u00e3o de Lages \u2014 celebrados em 22 de novembro de 2026, marco que une o ano de 1766 ao de 2026 \u2014, elaborei este artigo com o prop\u00f3sito de trazer \u00e0 mem\u00f3ria presente aspectos que considero relevantes para a compreens\u00e3o da hist\u00f3ria de nossa cidade. O texto foi constru\u00eddo com base em fontes documentais e bibliogr\u00e1ficas, no intuito de oferecer um panorama mais completo \u2014 e, sempre que poss\u00edvel, mais fiel \u2014 sobre os epis\u00f3dios que antecederam e sucederam a funda\u00e7\u00e3o oficial da povoa\u00e7\u00e3o, resgatando nomes, lugares e circunst\u00e2ncias muitas vezes deixados \u00e0 margem do relato tradicional.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: 'comic sans ms', sans-serif;\">Ao revisitar a hist\u00f3ria de Lages, sinto admira\u00e7\u00e3o e espanto. Admira\u00e7\u00e3o porque a cidade teve papel decisivo na forma\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica e pol\u00edtica de Santa Catarina; espanto porque, muitas vezes, sua hist\u00f3ria \u00e9 resumida \u00e0 chegada de Ant\u00f4nio Correia Pinto de Macedo, como se os Campos das Lages fossem uma terra desocupada antes de sua expedi\u00e7\u00e3o.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: 'comic sans ms', sans-serif;\">Ao conhecer melhor os registros hist\u00f3ricos, compreendi que Lages n\u00e3o foi simples coadjuvante na forma\u00e7\u00e3o do Estado. A cidade nasceu em uma regi\u00e3o que j\u00e1 possu\u00eda fazendas, cria\u00e7\u00e3o de animais, circula\u00e7\u00e3o de tropeiros e disputas territoriais. Mais tarde, tornou-se um dos principais centros pecuaristas do Sul do Brasil.<\/span><\/p>\n<hr \/>\n<p><strong><span style=\"font-family: 'comic sans ms', sans-serif; font-size: 18pt; color: #008000;\">Uma regi\u00e3o ocupada antes da funda\u00e7\u00e3o oficial<\/span><\/strong><\/p>\n<p><span style=\"font-family: 'comic sans ms', sans-serif;\">Ant\u00f4nio Correia Pinto de Macedo chegou aos Campos das Lages em 1766, com a miss\u00e3o de fundar uma povoa\u00e7\u00e3o e refor\u00e7ar a presen\u00e7a portuguesa no territ\u00f3rio. Entretanto, a ocupa\u00e7\u00e3o da regi\u00e3o era anterior \u00e0 cria\u00e7\u00e3o oficial da vila.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: 'comic sans ms', sans-serif;\">Segundo informa\u00e7\u00f5es atribu\u00eddas a registros do Arquivo Municipal de Curitiba, cerca de 32 anos antes da funda\u00e7\u00e3o da vila j\u00e1 existiam pelo menos dezesseis fazendas, reunindo aproximadamente 82 moradores. A economia estava voltada principalmente \u00e0 cria\u00e7\u00e3o de gado, mulas e cavalos, atividades que definiriam a voca\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica da Serra Catarinense.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: 'comic sans ms', sans-serif;\">Entre os pioneiros mencionados aparecem nomes como Pinto Bento, Bento Soares da Motta e Bento do Amaral Gurgel. Outros estudos tamb\u00e9m citam Manoel da Silva Ribeiro, Ant\u00f4nio Marques Arz\u00e3o, Joaquim Jos\u00e9 Pereira, propriet\u00e1rio da Fazenda Grande, e o sargento-mor Torquato Teixeira de Carvalho, ligado \u00e0 Fazenda S\u00e3o Felipe.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: 'comic sans ms', sans-serif;\">O pr\u00f3prio Correia Pinto tamb\u00e9m j\u00e1 possu\u00eda propriedades na regi\u00e3o antes de sua miss\u00e3o oficial. Estudos mencionam as fazendas Cruz de Malta e Guarda-mor. Essa informa\u00e7\u00e3o mostra que ele n\u00e3o era um desconhecido dos Campos das Lages quando recebeu a tarefa de fundar a povoa\u00e7\u00e3o.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: 'comic sans ms', sans-serif;\">\u00c9 importante, contudo, fazer uma ressalva: a informa\u00e7\u00e3o sobre as dezesseis fazendas e os 82 moradores \u00e9 reproduzida por fontes posteriores que citam registros do Arquivo Municipal de Curitiba. Por isso, em trabalhos acad\u00eamicos ou jornal\u00edsticos, o ideal \u00e9 consultar diretamente os documentos originais.<\/span><\/p>\n<hr \/>\n<p><span style=\"color: #008000;\"><strong><span style=\"font-family: 'comic sans ms', sans-serif; font-size: 18pt;\">Os pousos antes da funda\u00e7\u00e3o definitiva<\/span><\/strong><\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: 'comic sans ms', sans-serif;\">A trajet\u00f3ria de Correia Pinto e de sua comitiva n\u00e3o teria ocorrido em um \u00fanico local. Diferentes fontes mencionam pousos e assentamentos anteriores \u00e0 fixa\u00e7\u00e3o definitiva da povoa\u00e7\u00e3o de Lages. Como h\u00e1 diverg\u00eancias entre os relatos, \u00e9 necess\u00e1rio apresentar essas informa\u00e7\u00f5es com cautela.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: 14pt; color: #ff0000;\"><strong><span style=\"font-family: 'comic sans ms', sans-serif;\">Chapada das Taipas<\/span><\/strong><\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: 'comic sans ms', sans-serif;\">Segundo o historiador Licurgo Costa, a povoa\u00e7\u00e3o teria come\u00e7ado na localidade conhecida como Taipas, onde existia uma igreja frequentada pelos tropeiros. O local, entretanto, teria sido abandonado pouco tempo depois.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: 'comic sans ms', sans-serif;\">Essa refer\u00eancia aparece em obra de Licurgo Costa reproduzida pela Associa\u00e7\u00e3o Comercial e Industrial de Lages \u2014 ACIL \u2014, que cita a exist\u00eancia de um antigo n\u00facleo ligado \u00e0 passagem dos tropeiros e \u00e0 religiosidade da regi\u00e3o (COSTA, 1982, apud ACIL, 2000, p. 17).<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: 'comic sans ms', sans-serif;\">A men\u00e7\u00e3o \u00e0 igreja dos tropeiros \u00e9 significativa porque demonstra que a ocupa\u00e7\u00e3o dos Campos das Lages n\u00e3o dependia apenas de decis\u00f5es administrativas. Os caminhos de circula\u00e7\u00e3o de tropas, os locais de descanso e os pontos de devo\u00e7\u00e3o tamb\u00e9m contribu\u00edram para a forma\u00e7\u00e3o dos primeiros n\u00facleos de povoamento.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: 14pt; color: #ff0000;\"><strong><span style=\"font-family: 'comic sans ms', sans-serif;\">Morrinhos, na Coxilha Rica<\/span><\/strong><\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: 'comic sans ms', sans-serif;\">Outro epis\u00f3dio importante teria ocorrido em Morrinhos, na Coxilha Rica. De acordo com um relato baseado no Morgado de Mateus, a expedi\u00e7\u00e3o de Correia Pinto teria alcan\u00e7ado aquela regi\u00e3o em 22 de novembro de 1766.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: 'comic sans ms', sans-serif;\">O grupo, por\u00e9m, teria sido obrigado a deixar o local porque a \u00e1rea era considerada pertencente ao dom\u00ednio espanhol conforme a interpreta\u00e7\u00e3o dos limites estabelecidos pelo Tratado de Tordesilhas. A expedi\u00e7\u00e3o seguiu ent\u00e3o para o norte, em busca de uma \u00e1rea onde pudesse estabelecer uma povoa\u00e7\u00e3o sob dom\u00ednio portugu\u00eas.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: 'comic sans ms', sans-serif;\">Esse epis\u00f3dio revela que a funda\u00e7\u00e3o de Lages esteve relacionada \u00e0s disputas territoriais entre Portugal e Espanha. A cidade n\u00e3o surgiu apenas como um n\u00facleo de cria\u00e7\u00e3o de gado, mas tamb\u00e9m como parte de uma estrat\u00e9gia de ocupa\u00e7\u00e3o e consolida\u00e7\u00e3o da fronteira meridional portuguesa.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"color: #ff0000; font-size: 14pt;\"><strong><span style=\"font-family: 'comic sans ms', sans-serif;\">As margens do Rio Canoas<\/span><\/strong><\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: 'comic sans ms', sans-serif;\">Depois de deixar Morrinhos, a comitiva teria avan\u00e7ado para o norte e se estabelecido \u00e0s margens do Rio Canoas, em \u00e1rea atualmente associada ao munic\u00edpio de Correia Pinto.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: 'comic sans ms', sans-serif;\">Segundo outro relato, o assentamento enfrentou dificuldades provocadas por uma grande inunda\u00e7\u00e3o. A enchente teria destru\u00eddo casas e planta\u00e7\u00f5es, obrigando parte do grupo a procurar um local mais seguro.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: 'comic sans ms', sans-serif;\">Essa vers\u00e3o tamb\u00e9m aparece em relatos biogr\u00e1ficos sobre Correia Pinto, segundo os quais ele teria estabelecido inicialmente um n\u00facleo na Chapada das Taipas e, posteriormente, outro \u00e0s margens do Rio Canoas. A inunda\u00e7\u00e3o teria provocado o abandono desse segundo assentamento.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: 'comic sans ms', sans-serif;\">Embora os detalhes variem entre as fontes, os relatos convergem em um ponto: a instala\u00e7\u00e3o da povoa\u00e7\u00e3o ocorreu de forma gradual, passando por diferentes lugares antes da consolida\u00e7\u00e3o do n\u00facleo urbano de Lages.<\/span><\/p>\n<hr \/>\n<p><strong><span style=\"font-family: 'comic sans ms', sans-serif; color: #008000; font-size: 18pt;\">A funda\u00e7\u00e3o definitiva de Lages<\/span><\/strong><\/p>\n<p><span style=\"font-family: 'comic sans ms', sans-serif;\">A vers\u00e3o mais conhecida afirma que Correia Pinto fundou a povoa\u00e7\u00e3o de Nossa Senhora dos Prazeres das Lages em 22 de novembro de 1766, no local onde se encontra a cidade atualmente, em torno de sua primeira capela.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: 'comic sans ms', sans-serif;\">Entretanto, existe uma diverg\u00eancia cronol\u00f3gica importante. Outra interpreta\u00e7\u00e3o, baseada nos estudos de Licurgo Costa, sustenta que a fixa\u00e7\u00e3o definitiva no s\u00edtio urbano atual teria ocorrido apenas em 22 de maio de 1771.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: 'comic sans ms', sans-serif;\">Essa diferen\u00e7a pode ser explicada pela distin\u00e7\u00e3o entre a chegada oficial da expedi\u00e7\u00e3o, em 1766, e a consolida\u00e7\u00e3o do assentamento no local definitivo, alguns anos mais tarde. Assim, as duas datas n\u00e3o precisam ser necessariamente vistas como totalmente incompat\u00edveis: 1766 pode representar a funda\u00e7\u00e3o ou chegada oficial, enquanto 1771 corresponderia \u00e0 fixa\u00e7\u00e3o efetiva do n\u00facleo urbano.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: 'comic sans ms', sans-serif;\">Como ocorre com muitos epis\u00f3dios da hist\u00f3ria colonial, a documenta\u00e7\u00e3o dispon\u00edvel permite interpreta\u00e7\u00f5es diferentes. Por essa raz\u00e3o, \u00e9 mais adequado apresentar as duas datas e explicar a diverg\u00eancia do que escolher uma delas sem qualquer ressalva.<\/span><\/p>\n<hr \/>\n<p><span style=\"color: #008000;\"><strong><span style=\"font-family: 'comic sans ms', sans-serif; font-size: 18pt;\">Correia Pinto e a disputa de fronteiras<\/span><\/strong><\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: 'comic sans ms', sans-serif;\">A funda\u00e7\u00e3o de Lages precisa ser compreendida no contexto das disputas entre Portugal e Espanha pelo dom\u00ednio dos territ\u00f3rios do Sul do Brasil.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: 'comic sans ms', sans-serif;\">A passagem por Morrinhos, o deslocamento para as margens do Rio Canoas e a posterior escolha do local de Lages demonstram que a expedi\u00e7\u00e3o enfrentou dificuldades geogr\u00e1ficas e pol\u00edticas. O estabelecimento de uma povoa\u00e7\u00e3o portuguesa em \u00e1rea estrat\u00e9gica ajudava a garantir a ocupa\u00e7\u00e3o do territ\u00f3rio e a proteger os caminhos utilizados por criadores e tropeiros.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: 'comic sans ms', sans-serif;\">Correia Pinto foi, portanto, uma figura central na organiza\u00e7\u00e3o pol\u00edtica da povoa\u00e7\u00e3o, mas sua atua\u00e7\u00e3o ocorreu em uma regi\u00e3o que j\u00e1 apresentava circula\u00e7\u00e3o de pessoas, animais e mercadorias. A funda\u00e7\u00e3o oficial n\u00e3o apagou essa hist\u00f3ria anterior; ao contr\u00e1rio, incorporou-a a um projeto de ocupa\u00e7\u00e3o mais estruturado.<\/span><\/p>\n<hr \/>\n<p><strong><span style=\"font-family: 'comic sans ms', sans-serif; font-size: 18pt; color: #008000;\">O tropeirismo e o Caminho das Tropas<\/span><\/strong><\/p>\n<p><span style=\"font-family: 'comic sans ms', sans-serif;\">Antes mesmo da funda\u00e7\u00e3o oficial, os Campos das Lages eram utilizados como \u00e1rea de passagem e descanso para tropas de animais. Com o tempo, a regi\u00e3o tornou-se parte fundamental do chamado Caminho das Tropas, rota que ligava o Rio Grande do Sul \u00e0s feiras de Sorocaba, em S\u00e3o Paulo.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: 'comic sans ms', sans-serif;\">Por esses caminhos circulavam tropeiros conduzindo mulas, cavalos e gado. As tropas precisavam de pastagens, \u00e1gua, abrigo, alimenta\u00e7\u00e3o e locais para descanso. Lages, situada em posi\u00e7\u00e3o estrat\u00e9gica entre o Sul e o Sudeste, tornou-se um importante ponto de pouso, abastecimento, comercializa\u00e7\u00e3o e redistribui\u00e7\u00e3o de animais.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: 'comic sans ms', sans-serif;\">Os pousos de Taipas, as passagens pela Coxilha Rica e as \u00e1reas pr\u00f3ximas ao Rio Canoas devem ser compreendidos dentro dessa din\u00e2mica. Antes de ser um centro urbano consolidado, Lages era parte de uma rede de caminhos e paradas que conectava diferentes regi\u00f5es do territ\u00f3rio colonial.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: 'comic sans ms', sans-serif;\">O tropeirismo n\u00e3o foi apenas uma atividade econ\u00f4mica. Ele tamb\u00e9m contribuiu para a forma\u00e7\u00e3o cultural da cidade. Os tropeiros transportavam mercadorias, not\u00edcias, costumes e formas de relacionamento entre diferentes regi\u00f5es. Por meio deles, Lages se conectou a importantes centros comerciais e passou a desempenhar papel relevante na circula\u00e7\u00e3o de riquezas pelo interior do pa\u00eds.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: 'comic sans ms', sans-serif;\">A pecu\u00e1ria desenvolveu-se nesse contexto. A cria\u00e7\u00e3o de gado, mulas e cavalos tornou-se a base da economia local, e Lages alcan\u00e7ou a condi\u00e7\u00e3o de um dos mais importantes centros pecu\u00e1rios de Santa Catarina. As grandes fazendas, as tradi\u00e7\u00f5es campeiras e a valoriza\u00e7\u00e3o do turismo rural ainda hoje preservam parte dessa heran\u00e7a.<\/span><\/p>\n<hr \/>\n<p><strong><span style=\"font-family: 'comic sans ms', sans-serif; color: #008000; font-size: 18pt;\">O monumento e a mem\u00f3ria de Correia Pinto<\/span><\/strong><\/p>\n<p><span style=\"font-family: 'comic sans ms', sans-serif;\">Outra quest\u00e3o que desperta interesse \u00e9 a localiza\u00e7\u00e3o do monumento dedicado a Ant\u00f4nio Correia Pinto. A obra encontra-se na Pra\u00e7a da Bandeira, em Lages, e possui car\u00e1ter simb\u00f3lico e c\u00edvico: representa a homenagem da cidade ao homem reconhecido como seu fundador.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: 'comic sans ms', sans-serif;\">N\u00e3o h\u00e1 comprova\u00e7\u00e3o hist\u00f3rica suficiente para afirmar que o monumento esteja localizado exatamente sobre o terreno de uma antiga fazenda ou na sede de uma propriedade pertencente a Correia Pinto. Portanto, n\u00e3o se deve confundir o local do monumento com a localiza\u00e7\u00e3o comprovada de sua resid\u00eancia ou fazenda.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: 'comic sans ms', sans-serif;\">Isso n\u00e3o diminui a import\u00e2ncia da homenagem. O monumento expressa a forma como a cidade escolheu preservar a mem\u00f3ria de seu fundador. Correia Pinto foi, de fato, propriet\u00e1rio de terras na regi\u00e3o, e estudos mencionam propriedades como Cruz de Malta e Guarda-mor. Contudo, a exist\u00eancia dessas fazendas n\u00e3o permite concluir que o monumento tenha sido erguido sobre uma delas.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: 'comic sans ms', sans-serif;\">Essa distin\u00e7\u00e3o \u00e9 essencial para que a mem\u00f3ria hist\u00f3rica n\u00e3o seja confundida com uma informa\u00e7\u00e3o ainda n\u00e3o comprovada. O monumento representa a mem\u00f3ria p\u00fablica do fundador; as fazendas pertencem \u00e0 hist\u00f3ria da ocupa\u00e7\u00e3o rural dos Campos das Lages; e os antigos pousos representam as etapas de uma ocupa\u00e7\u00e3o que se consolidou gradualmente.<\/span><\/p>\n<hr \/>\n<p><span style=\"font-size: 18pt;\"><strong><span style=\"font-family: 'comic sans ms', sans-serif; color: #008000;\">Uma hist\u00f3ria formada por muitas pessoas<\/span><\/strong><\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: 'comic sans ms', sans-serif;\">Valorizar Ant\u00f4nio Correia Pinto \u00e9 importante, mas a identidade de Lages vai al\u00e9m do feito de um \u00fanico bandeirante. A forma\u00e7\u00e3o da cidade resultou da participa\u00e7\u00e3o de fazendeiros, criadores, tropeiros, trabalhadores livres, pessoas escravizadas, ind\u00edgenas e demais grupos que viveram e trabalharam na regi\u00e3o.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: 'comic sans ms', sans-serif;\">Antes da vila oficial, j\u00e1 havia fam\u00edlias criando animais e ocupando os campos. Havia tamb\u00e9m caminhos, pousos, capelas e propriedades rurais. Depois da funda\u00e7\u00e3o, o tropeirismo ampliou os contatos comerciais e culturais, enquanto as fazendas sustentaram a economia local.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: 'comic sans ms', sans-serif;\">Por isso, a hist\u00f3ria da cidade deve ser contada de maneira mais ampla. Correia Pinto foi uma figura central na funda\u00e7\u00e3o pol\u00edtica de Lages, mas n\u00e3o foi o \u00fanico respons\u00e1vel pela constru\u00e7\u00e3o de sua sociedade. A cidade nasceu da combina\u00e7\u00e3o entre estrat\u00e9gia territorial, ocupa\u00e7\u00e3o rural, pecu\u00e1ria, religiosidade e circula\u00e7\u00e3o de tropas.<\/span><\/p>\n<hr \/>\n<p><span style=\"color: #008000;\"><strong><span style=\"font-family: 'comic sans ms', sans-serif; font-size: 18pt;\">Conclus\u00e3o<\/span><\/strong><\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: 'comic sans ms', sans-serif;\">Lages ultrapassa a simples imagem de vila erguida por um bandeirante. \u00c9 uma cidade constru\u00edda sobre antigos caminhos, pousos, fazendas, campos de cria\u00e7\u00e3o e rotas de com\u00e9rcio. Sua forma\u00e7\u00e3o ocorreu em etapas: passou por lugares como Taipas, Morrinhos e as margens do Rio Canoas, at\u00e9 consolidar-se no s\u00edtio urbano atual.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: 'comic sans ms', sans-serif;\">O tropeirismo e o Caminho das Tropas transformaram a regi\u00e3o em elo entre o Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Paran\u00e1 e S\u00e3o Paulo. O monumento a Ant\u00f4nio Correia Pinto preserva a mem\u00f3ria do fundador, mas a verdadeira hist\u00f3ria de Lages est\u00e1 espalhada pelos campos, pelas fazendas, pelas antigas rotas tropeiras e pelas pessoas que ajudaram a construir a cidade.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: 'comic sans ms', sans-serif;\">Lages transcendeu a condi\u00e7\u00e3o de local de tr\u00e2nsito. Foi caminho, pouso, fazenda, fronteira e centro pecu\u00e1rio. E continua sendo, na mem\u00f3ria de Santa Catarina, uma das cidades que melhor representam a for\u00e7a hist\u00f3rica e cultural da Serra.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: 'comic sans ms', sans-serif;\">Aos 260 anos de sua funda\u00e7\u00e3o, Lages convida \u00e0 mem\u00f3ria antes da festa: mem\u00f3ria dos fazendeiros an\u00f4nimos que j\u00e1 criavam gado nos campos antes mesmo da exist\u00eancia oficial da vila; dos tropeiros que abriram caminhos entre serras e fronteiras; de Ant\u00f4nio Correia Pinto de Macedo, que aceitou a miss\u00e3o de fundar uma povoa\u00e7\u00e3o e enfrentou dificuldades, incertezas e adversidades; e de todas as fam\u00edlias, trabalhadores livres e escravizados, ind\u00edgenas e imigrantes que, ao longo de dois s\u00e9culos e meio, ajudaram a transformar campos de passagem e pousos de tropas em uma cidade \u2014 e uma cidade em identidade.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: 'comic sans ms', sans-serif;\">\u00c9 a essas m\u00e3os, algumas conhecidas e tantas outras an\u00f4nimas, que Lages deve a sua hist\u00f3ria.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: 'comic sans ms', sans-serif;\"><strong>E \u00e9 essa hist\u00f3ria que seguimos celebrando a cada 22 de novembro.<\/strong><\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><span style=\"color: #ff0000;\"><strong><span style=\"font-family: 'comic sans ms', sans-serif;\">Autor: Walmor Tadeu Schweitzer<\/span><\/strong><\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><span style=\"color: #ff0000;\"><strong><span style=\"font-family: 'comic sans ms', sans-serif;\">Contato: walmor1953@gmail.com<\/span><\/strong><\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\">\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Lages e o Caminho das Tropas\u00a0 Tendo em vista as comemora\u00e7\u00f5es dos 260 anos de funda\u00e7\u00e3o de Lages \u2014 celebrados em 22 de novembro de 2026, marco que une o ano de 1766 ao de 2026 \u2014, elaborei este artigo com o prop\u00f3sito de trazer&#8230;<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":6607,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[13,17,12],"tags":[],"class_list":["post-6603","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-destaque","category-educacao","category-historia"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/repensandoavida.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/6603","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/repensandoavida.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/repensandoavida.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/repensandoavida.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/repensandoavida.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=6603"}],"version-history":[{"count":4,"href":"https:\/\/repensandoavida.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/6603\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":6608,"href":"https:\/\/repensandoavida.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/6603\/revisions\/6608"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/repensandoavida.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/media\/6607"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/repensandoavida.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=6603"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/repensandoavida.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=6603"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/repensandoavida.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=6603"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}