{"id":711,"date":"2025-05-17T02:54:47","date_gmt":"2025-05-17T02:54:47","guid":{"rendered":"https:\/\/repensandoavida.com.br\/blog\/?p=711"},"modified":"2026-02-11T01:37:18","modified_gmt":"2026-02-11T04:37:18","slug":"as-cores-do-meu-primeiro-amor","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/repensandoavida.com.br\/blog\/as-cores-do-meu-primeiro-amor\/","title":{"rendered":"As Cores do Meu Primeiro Amor"},"content":{"rendered":"<p><span style=\"font-family: 'comic sans ms', sans-serif; color: #800080;\"><strong><a style=\"color: #800080;\" href=\"https:\/\/repensandoavida.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2025\/05\/09-02-2026-FLAMULA-REN-ORIGINAL.png\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-medium wp-image-3989 alignleft\" src=\"https:\/\/repensandoavida.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2025\/05\/09-02-2026-FLAMULA-REN-ORIGINAL-200x300.png\" alt=\"\" width=\"200\" height=\"300\" srcset=\"https:\/\/repensandoavida.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2025\/05\/09-02-2026-FLAMULA-REN-ORIGINAL-200x300.png 200w, https:\/\/repensandoavida.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2025\/05\/09-02-2026-FLAMULA-REN-ORIGINAL-683x1024.png 683w, https:\/\/repensandoavida.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2025\/05\/09-02-2026-FLAMULA-REN-ORIGINAL-768x1152.png 768w, https:\/\/repensandoavida.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2025\/05\/09-02-2026-FLAMULA-REN-ORIGINAL-1024x1536.png 1024w, https:\/\/repensandoavida.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2025\/05\/09-02-2026-FLAMULA-REN-ORIGINAL-700x1050.png 700w, https:\/\/repensandoavida.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2025\/05\/09-02-2026-FLAMULA-REN-ORIGINAL.png 1365w\" sizes=\"auto, (max-width: 200px) 100vw, 200px\" \/><\/a>Meu primeiro amor tinha as cores azul e amarelo<\/strong> \u2014 e um s\u00edmbolo bugrino sem igual. N\u00e3o era uma paix\u00e3o qualquer. Era uma dessas que nascem sem pedir licen\u00e7a, ocupam o peito inteiro e viram parte da identidade. Era o Guarani de Lages. E eu, um pi\u00e1 de cinco anos, j\u00e1 sabia que aquele amor seria para a vida toda.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: 'comic sans ms', sans-serif; color: #800080;\">Foram\u00a0<strong>saudosas tardes de domingo e saudosos GuaNais <\/strong>no lend\u00e1rio Est\u00e1dio de Futebol do Bairro Coral \u2014 hoje nosso querido Vidal Ramos J\u00fanior, o eterno <strong>Tio Vida<\/strong>. Mem\u00f3rias vivas, marcadas como tatuagem no cora\u00e7\u00e3o. Cada jogo era um ritual, cada ida ao est\u00e1dio, um cap\u00edtulo inesquec\u00edvel da minha inf\u00e2ncia.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: 'comic sans ms', sans-serif; color: #800080;\">L\u00e1 pelos idos de 1958, com os cadar\u00e7os ainda frouxos e a inoc\u00eancia estampada no rosto, eu j\u00e1 cruzava as ruas do bairro com destino certo. Ningu\u00e9m me levava; eu ia sozinho, guiado por uma paix\u00e3o precoce que n\u00e3o se explica \u2014 s\u00f3 se sente. <\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: 'comic sans ms', sans-serif; color: #800080;\">No come\u00e7o, mal sabia ler, mas com o tempo fui \u00a0me alfabetizando e gravando na mem\u00f3ria as jogadas e os nomes dos craques que vestiram a camisa azul e amarela. Repetia tudo como uma ora\u00e7\u00e3o: At\u00edlio, Orli, Dorli, Henrique, Pop, Jota Batista (goleiros); Z\u00e9 Ot\u00e1vio, Dante, Nadi, Cadunga e Souza (zagueiros); Johan, A\u00e9cio, Neco (centroavantes); Almirante, Chiquinho, Z\u00edlvio, Koeche, Gozo, Valdir e Demerval (meio-campistas); Bugrinho, Pedr\u00e3o, Orlando, Carlinhos, Adeli, Derli e Pilila (ponteiros). E seguia assim, nome por nome, como quem guarda um segredo muito precioso dentro de si.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: 'comic sans ms', sans-serif; color: #800080;\">As tardes de domingo se repetiam como um sonho bom: o som dos r\u00e1dios nas varandas e nos estabelecimentos comeciais, \u00a0o cheiro de pipoca e terra batida, a vibra\u00e7\u00e3o das arquibancadas que pulsavam vida. E, ali, no meio de tudo, estava eu \u2014 com os olhos brilhando e o cora\u00e7\u00e3o disparado.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: 'comic sans ms', sans-serif; color: #800080;\">No Tio Vida, aprendi a amar. Aprendi que futebol \u00e9 muito mais que um jogo. \u00c9 encontro, pertencimento, identidade. O est\u00e1dio virou minha segunda casa. Entre treinos e partidas, via o tempo passar como num filme em c\u00e2mera lenta. Era um tempo em que o futebol cheirava a grama molhada, e o grito da torcida sa\u00eda direto do peito \u2014 sem filtro, sem pose, s\u00f3 emo\u00e7\u00e3o.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: 'comic sans ms', sans-serif; color: #800080;\"><a style=\"color: #800080;\" href=\"https:\/\/repensandoavida.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2025\/05\/EU-E-O-SEU-CESAR-PORTAO-DO-ESTADIO-VIDAL-RAMOS.png\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-medium wp-image-4013 alignright\" src=\"https:\/\/repensandoavida.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2025\/05\/EU-E-O-SEU-CESAR-PORTAO-DO-ESTADIO-VIDAL-RAMOS-300x200.png\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"200\" srcset=\"https:\/\/repensandoavida.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2025\/05\/EU-E-O-SEU-CESAR-PORTAO-DO-ESTADIO-VIDAL-RAMOS-300x200.png 300w, https:\/\/repensandoavida.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2025\/05\/EU-E-O-SEU-CESAR-PORTAO-DO-ESTADIO-VIDAL-RAMOS-1024x683.png 1024w, https:\/\/repensandoavida.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2025\/05\/EU-E-O-SEU-CESAR-PORTAO-DO-ESTADIO-VIDAL-RAMOS-768x512.png 768w, https:\/\/repensandoavida.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2025\/05\/EU-E-O-SEU-CESAR-PORTAO-DO-ESTADIO-VIDAL-RAMOS-700x467.png 700w, https:\/\/repensandoavida.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2025\/05\/EU-E-O-SEU-CESAR-PORTAO-DO-ESTADIO-VIDAL-RAMOS.png 1536w\" sizes=\"auto, (max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/a><\/span><\/p>\n<p><strong><span style=\"font-family: 'comic sans ms', sans-serif; color: #800080;\">Lembro com carinho do seu C\u00e9sar Koeche, o guardi\u00e3o da entrada do est\u00e1dio. Homem de fala mansa, olhos gentis, que vez ou outra, entendendo a urg\u00eancia do meu amor e\u00a0 \u00a0sem um v\u00edntem, me deixava passar mesmo sem o ingresso. Um gesto simples, mas que alimentava sonhos. Foi assim, com esse tipo de generosidade e magia, que nasceu o meu amor bugrino<\/span><span style=\"font-family: 'comic sans ms', sans-serif; color: #800080;\">.<\/span><\/strong><\/p>\n<p><span style=\"font-family: 'comic sans ms', sans-serif; color: #800080;\">E quando vinha o\u00a0<strong>Guanal<\/strong>&#8230; Ah, o cl\u00e1ssico Guanal! Era como se o mundo parasse. O vermelho do Inter de um lado, o azul e amarelo do Guarani do outro. Era guerra de paix\u00f5es. A cidade inteira vibrava. Os narradores da \u00e9poca \u2014 Ad\u00e3o Filho, Camargo Filho, Aldo Pires de Godoy, Vanio Vargas, H\u00e9lio Aquino, Mauro Mello e tantos outros \u2014 colocavam fogo no ar, inflamando cora\u00e7\u00f5es, fazendo da arquibancada um caldeir\u00e3o.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: 'comic sans ms', sans-serif; color: #800080;\">Eu, crian\u00e7a, sentia o peso da responsabilidade: suava frio, ficava nervoso, sentia at\u00e9 dor de barriga. Era como uma final de Copa do Mundo \u2014 s\u00f3 que mais intensa, mais pessoal. Porque era\u00a0<strong>o meu Guarani<\/strong>, o time que me fez entender o que \u00e9 amar.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: 'comic sans ms', sans-serif; color: #800080;\">De 1958 \u00a0em diante, quando o Bugre ainda coloria as tardes lageanas, eu estive l\u00e1. Sol ou chuva, calor ou frio. Guardei cada momento, cada gol, cada l\u00e1grima e cada riso. Mas h\u00e1 um dia que nunca saiu da minha mente: o dia em que o\u00a0<strong>Juventus de S\u00e3o Paulo<\/strong>\u00a0veio a Lages. No primeiro amistoso, venceu o Inter com facilidade: 5 a 1. Mas, contra o Guarani&#8230; Ah, contra o Guarani foi diferente. Vencemos por 2 a 1. Que festa! Que alegria! Foi como vencer o mundo.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: 'comic sans ms', sans-serif; color: #800080;\">Hoje, quando fecho os olhos, tudo volta. Vejo a bola rolando, ou\u00e7o o apito do juiz, o coro da torcida. Sinto o cheiro da inf\u00e2ncia e da adolesc\u00eancia. O futebol de agora \u00e9 outro \u2014 mais veloz, mais t\u00e9cnico, mais pl\u00e1stico. Mas o de antes&#8230; o de antes tinha\u00a0<strong>alma<\/strong>. Tinha suor, tinha barro, tinha cora\u00e7\u00e3o. A minha alma, confesso, ainda se arrepia s\u00f3 de lembrar.<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><span style=\"font-family: 'comic sans ms', sans-serif; color: #800080;\"><a style=\"color: #800080;\" href=\"https:\/\/repensandoavida.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2025\/05\/09-02-2026-ELENCO-DO-GUARANI.png\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\" wp-image-4014 alignleft\" src=\"https:\/\/repensandoavida.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2025\/05\/09-02-2026-ELENCO-DO-GUARANI-300x200.png\" alt=\"\" width=\"383\" height=\"255\" srcset=\"https:\/\/repensandoavida.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2025\/05\/09-02-2026-ELENCO-DO-GUARANI-300x200.png 300w, https:\/\/repensandoavida.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2025\/05\/09-02-2026-ELENCO-DO-GUARANI-1024x683.png 1024w, https:\/\/repensandoavida.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2025\/05\/09-02-2026-ELENCO-DO-GUARANI-768x512.png 768w, https:\/\/repensandoavida.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2025\/05\/09-02-2026-ELENCO-DO-GUARANI-700x467.png 700w, https:\/\/repensandoavida.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2025\/05\/09-02-2026-ELENCO-DO-GUARANI.png 1536w\" sizes=\"auto, (max-width: 383px) 100vw, 383px\" \/><\/a><\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: 'comic sans ms', sans-serif; color: #800080;\"><strong>Amar um time \u00e9 como amar a pr\u00f3pria hist\u00f3ria. E a minha come\u00e7ou ali, nas arquibancadas do Tio Vida, sob o c\u00e9u de Lages, com as cores azul e amarelo pintadas na alma. O Guarani foi mais que um time \u2014 foi escola de emo\u00e7\u00e3o, templo de viv\u00eancia, batismo de amor<\/strong>. <\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><span style=\"font-family: 'comic sans ms', sans-serif; color: #800080;\">E mesmo que o tempo passe, mesmo que os nomes se apaguem, mesmo que o est\u00e1dio j\u00e1 n\u00e3o receba os mesmos passos&#8230; o que vive dentro de mim, ningu\u00e9m apaga. Porque\u00a0<strong>meu primeiro amor usava azul e amarelo. E jogava com o cora\u00e7\u00e3o.<\/strong><\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: 'comic sans ms', sans-serif; color: #800080;\"><strong>\u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 <\/strong><\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><span style=\"font-family: 'comic sans ms', sans-serif;\"><strong>Autor:<\/strong><\/span><span style=\"font-family: 'comic sans ms', sans-serif;\"><strong>Walmor Tadeu Schweitzer<\/strong><\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><span style=\"font-family: 'comic sans ms', sans-serif;\"><strong>Contatos: Walmor1953@gmail.com<\/strong><\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Meu primeiro amor tinha as cores azul e amarelo \u2014 e um s\u00edmbolo bugrino sem igual. N\u00e3o era uma paix\u00e3o qualquer. Era uma dessas que nascem sem pedir licen\u00e7a, ocupam o peito inteiro e viram parte da identidade. Era o Guarani de Lages. 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