Lages: Berço de Governadores, Celeiro de Lideranças

Lages: Berço de Governadores, Celeiro de Lideranças

A razão desta publicacão

Esta publicação nasce do meu desejo mais profundo de compreender, registrar e compartilhar a extraordinária contribuição de Lages para a história política de Santa Catarina. Não se trata apenas de um interesse intelectual, mas de uma inquietação pessoal diante da memória de uma terra que sempre esteve presente na formação das lideranças e dos rumos do Estado.

Ao longo da trajetória de Lages, observa-se o surgimento de homens públicos que alcançaram o mais alto cargo do Estado e participaram de momentos decisivos da construção institucional, econômica e social catarinense. Ao me debruçar sobre essas histórias, percebo que elas não pertencem apenas ao passado, mas também à identidade viva desta terra, fundada pelo bandeirante Antônio Correia Pinto de Macedo, e ainda hoje marcada pelas raízes de sua formação histórica.

Ao revisitar essas trajetórias, torna-se cada vez mais evidente para mim que a presença lageana na administração pública não foi fruto do acaso. Ela resulta de um contexto histórico marcado pelo espírito empreendedor, pela força do trabalho, pela capacidade de liderança e pela expressiva participação da Serra Catarinense no desenvolvimento de Santa Catarina.

Lages, nesse percurso, não foi apenas palco da história; foi protagonista. De suas ruas, fazendas, escolas, instituições e famílias emergiram homens públicos, lideranças e ideias que influenciaram os destinos de Santa Catarina e contribuíram para a construção do Brasil. 

Este relato, portanto, não se limita ao registro de trajetórias individuais. Ele expressa a minha busca por compreender memórias, preservar legados e interpretar os fatores históricos, culturais e sociais que permitiram a Lages exercer papel tão relevante na história catarinense.

Esta obra é, acima de tudo, uma forma de homenagem. Uma homenagem à história, à identidade e ao legado de Lages — uma terra que, em sua trajetória, jamais se contentou em ser mera espectadora dos acontecimentos.


Dois Palácios: Marcos da História do Governo Catarinense

O Início da Administração Barriga Verde.         Palácio Cruz e Sousa

A história da administração pública catarinense tem suas raízes no século XVIII, período em que a Coroa Portuguesa consolidava sua presença estratégica no sul do Brasil. Nesse contexto, foi criada a Capitania de Santa Catarina, com o objetivo de fortalecer a defesa e a ocupação do território diante das disputas geopolíticas da época.

 

Para conduzir essa importante missão, a Coroa nomeou o brigadeiro José da Silva Paes, militar, engenheiro e administrador de reconhecida competência, considerado o fundador da organização político-administrativa catarinense. Uma de suas primeiras providências foi estabelecer uma sede oficial para o exercício do poder.

Por volta de 1740, foi construída, junto à praça principal da então Vila de Nossa Senhora do Desterro, a Casa de Governo, edifício que mais tarde se tornaria o histórico Palácio Cruz e Sousa. Foi nesse local que José da Silva Paes coordenou a defesa do litoral, organizou a ocupação territorial e lançou as bases da administração pública em Santa Catarina.

Durante todo o período imperial brasileiro, entretanto, os catarinenses não escolhiam seus governantes. Os presidentes da Província eram nomeados diretamente pelos imperadores Dom Pedro I e Dom Pedro II, de acordo com os interesses políticos predominantes na Corte e com a alternância entre os partidos Conservador e Liberal.

Somente com a Proclamação da República, em 1889, iniciou-se um processo gradual de transformação na forma de governar Santa Catarina. Ainda assim, por muitas décadas, a escolha dos dirigentes estaduais permaneceu sujeita a limitações políticas, intervenções e períodos de exceção.

A consolidação da democracia e do voto popular direto para governador foi resultado de uma longa caminhada institucional. Entre a criação da Capitania de Santa Catarina e o pleno exercício do direito de escolha pelos cidadãos, transcorreram mais de dois séculos de mudanças políticas, administrativas e sociais.

Essa trajetória reflete a própria evolução do Brasil: da administração colonial e imperial baseada em nomeações, à construção de um sistema democrático no qual o povo passou a exercer diretamente o direito de escolher seus governantes.

Ao longo dos séculos, o Palácio Cruz e Sousa transformou-se em um dos principais símbolos da presença do Estado catarinense, testemunhando importantes acontecimentos políticos da Capitania, da Província e, posteriormente, do Estado de Santa Catarina.

Uma Nova Era: A Casa d’Agronômica

Com o passar dos séculos, Santa Catarina experimentou significativo crescimento econômico, populacional e institucional. As demandas de uma administração cada vez mais complexa tornaram insuficientes as instalações históricas do antigo Palácio do Governo.

Foi nesse cenário de modernização que, em 1952, teve início a construção de uma nova residência oficial para os governadores catarinenses. O projeto refletia o dinamismo e a confiança de um estado que avançava rumo ao desenvolvimento industrial, agrícola e urbano.

A obra foi concluída em 1954 e, no início de 1955, o governador Irineu Bornhausen inaugurou oficialmente a Casa d’Agronômica, tornando-se o primeiro chefe do Poder Executivo estadual a residir no novo palácio.

O  único governador que não morou na Agronômica foi Celso Ramos (1961-1965). Ramos preferiu residir em sua casa particular, na Rua São Jorge, onde viveu até morrer, em 1996.

Dois Homens, Dois Símbolos da História Catarinense

Separados por mais de dois séculos, José da Silva Paes e Irineu Bornhausen ocupam posições singulares na história política catarinense. O primeiro simboliza a fundação da estrutura governamental da capitania e o nascimento da administração pública estadual. O segundo representa a modernização do Poder Executivo e a transição para uma nova fase institucional do estado.

Da antiga Casa de Governo, que deu origem ao Palácio Cruz e Sousa, à imponente Casa d’Agronômica, estende-se uma trajetória de continuidade administrativa, crescimento institucional e fortalecimento do Estado catarinense. São dois palácios e dois pioneiros que permanecem ligados, de forma indelével, à construção da história de Santa Catarina.


 

Legados que Marcaram Épocas

 

No topo das montanhas da Serra Catarinense, onde os campos de araucárias encontram o frio cortante e o calor das tradições, ergue-se uma cidade com alma política e vocação para a liderança: Lages. Mais do que um simples município, Lages é um símbolo de protagonismo na história de Santa Catarina — e, por que não dizer, do Brasil. Desde sua fundação em 1766 pelo capitão-mor Antônio Correia Pinto de Macedo, a cidade passou a ocupar um lugar de destaque no cenário político do torrão brasileiro, sendo reconhecida como o mais importante berço de lideranças políticas do estado.

                                           Palácio Cruz e Sousa

É de Lages que surgiram homens públicos que não apenas governaram, mas transformaram. Ao todo, oito governadores catarinenses nasceram nesse solo, além de um presidente da República — o único catarinense a chegar ao cargo mais alto da nação.

 

Essa impressionante representatividade não é fruto do acaso: é resultado de uma cultura política enraizada, de uma população aguerrida e consciente, e de uma tradição cívica forjada ao longo dos séculos.

A história política de Lages é escrita com nomes que deixaram marcas profundas na administração pública catarinense. São trajetórias que se entrelaçam com as grandes transformações do estado e do país, revelando uma notável capacidade de liderança, inovação e compromisso social.


1. Felipe Schmidt

28/09/1898 a 28/09/1902

Governador eleito em sufrágio universal

 

28/10/1914 a 28/09/1918

Governador eleito em sufrágio universal

“Governar é preparar o futuro antes que ele chegue.”

Felipe Schmidt nasceu em Lages, então Província de Santa Catarina, em 4 de maio de 1860. Era filho de Johann Philipp Schmidt (Felippe Schmidt) e Felisbina Michels (Felisbina Schmidt). Faleceu no Rio de Janeiro em 9 de maio de 1930. Foi uma das mais importantes lideranças políticas catarinenses da Primeira República, destacando-se tanto na carreira militar quanto na vida pública. Primo-irmão de Lauro Müller, exerceu o governo de Santa Catarina em duas oportunidades e deixou uma marca de honestidade administrativa, firmeza política e compromisso com a modernização do Estado.

 

Formação Militar e Início da Carreira

Aos 16 anos ingressou no Exército Brasileiro. Em 1877 iniciou seus estudos na Escola de Artilharia e, em 1883, concluiu os cursos de Estado-Maior e Engenharia Militar. Logo após sua formação, foi designado para participar dos trabalhos de construção da Estrada de Ferro Madeira-Mamoré, uma das mais desafiadoras obras de infraestrutura do país naquele período.

Em 1885 foi nomeado ajudante de ordens do então presidente da Província do Paraná, o Visconde de Taunay. Também integrou a expedição legalista no Paraná e exerceu a direção da Colônia Militar de Chapecó.

Sua carreira militar foi marcada por sucessivas promoções:

Major (1892); Tenente-coronel (1900); Coronel (1909); General (1918). Recebeu ainda o título honorífico de Cavaleiro da Ordem da Rosa, uma das mais importantes condecorações do período imperial.

Ingresso na Política

Sua atuação política começou durante o governo de Lauro Müller, quando assumiu a chefia de polícia do Estado. Em setembro de 1890 foi eleito Deputado Federal por Santa Catarina para integrar a primeira Assembleia Constituinte da República. Participou da elaboração e assinatura da primeira Constituição republicana do Brasil.

Nesse período destacou-se por denunciar o então governador catarinense Manoel Joaquim Machado, acusando-o de haver determinado a prisão indevida de um funcionário federal no município de Blumenau, demonstrando independência e firmeza em sua atuação parlamentar.

Além de deputado federal e constituinte, exerceu também o cargo de senador da República por Santa Catarina. Foi eleito para o Senado entre seus dois governos estaduais, sendo reeleito em 1909. Após seu segundo mandato como governador, voltou à atividade parlamentar, permanecendo como senador até seu falecimento.

Primeiro Governo de Santa Catarina (1898–1902)

Felipe Schmidt assumiu a presidência do Estado em 28 de setembro de 1898, sucedendo Hercílio Pedro da Luz. Seu vice-governador era o coronel Firmino Lopes do Rego.

Sua primeira administração caracterizou-se pela preocupação com o desenvolvimento educacional, especialmente o ensino médio e o ensino agrícola, considerados fundamentais para o progresso econômico e social de Santa Catarina.

Politicamente, integrava a ala mais firme do Partido Republicano Catarinense, mantendo posições restritivas em relação aos federalistas, mesmo após a fusão partidária ocorrida em 1902, intermediada por Lauro Müller. Ao concluir o mandato, em 28 de setembro de 1902, transmitiu o cargo justamente a seu primo Lauro Müller, então uma das maiores lideranças políticas do Estado.

Segundo Governo de Santa Catarina (1914–1918)

Em razão da substituição de Vidal José de Oliveira Ramos, Felipe Schmidt voltou ao governo catarinense em 28 de setembro de 1914. Seu segundo mandato foi marcado por importantes avanços administrativos e pela solução de uma das mais antigas questões territoriais do Sul do Brasil: o conflito de limites entre Santa Catarina e Paraná.

Durante esse período, deu especial atenção à modernização urbana e ao saneamento básico, promovendo a implantação da rede de esgoto em Florianópolis, um importante avanço para a saúde pública da capital catarinense. Ao término de seu mandato, em 28 de setembro de 1918, transmitiu o governo ao vice-governador Hercílio Luz, uma vez que o governador eleito, Lauro Müller, não assumiu o cargo.

O Acordo de Limites entre Santa Catarina e Paraná

A questão mais relevante enfrentada por Felipe Schmidt em seus governos foi a definição dos limites territoriais entre Santa Catarina e Paraná.

A disputa possuía raízes históricas que remontavam à divisão e administração das antigas Capitanias de São Vicente, Santo Amaro e das Terras de Sant’Ana. O desfecho ocorreu em 20 de outubro de 1916, quando, por determinação do presidente da República, Wenceslau Brás Pereira Gomes, foi firmado o acordo definitivo entre os dois estados.

Felipe Schmidt teve papel decisivo na aprovação do entendimento. Convocou o Congresso Representativo do Estado, que instituiu uma comissão para analisar o documento. Após a aprovação pelo Legislativo catarinense, o acordo foi encaminhado ao Congresso Nacional, onde recebeu aprovação definitiva e passou a ter força de lei.

Na região litorânea nenhuma alteração foi necessária, pois a linha divisória já havia sido reconhecida oficialmente pelos dois estados desde 1771. A solução do conflito encerrou décadas de disputas territoriais e representou uma importante vitória política e administrativa para Santa Catarina.

Atuação Intelectual e Cultural

Além da carreira militar e política, Felipe Schmidt participou ativamente da vida intelectual catarinense. Foi proprietário do jornal O Dia e sócio-fundador do Instituto Histórico e Geográfico de Santa Catarina, contribuindo para a preservação da memória, da cultura e da história do Estado.

Família

Felipe Schmidt foi casado com Lacínia Alvin Schmidt, com quem teve três filhos: Oscar Schmidt; Jorge Schmidt; Célia Schmidt.

Legado

Felipe Schmidt destacou-se como administrador honesto, militar respeitado e político de grande influência na história catarinense.

Sua atuação foi marcada pela defesa dos interesses do Estado, pelo fortalecimento da educação, pelos investimentos em saneamento público e, sobretudo, pela condução do processo que consolidou definitivamente os limites territoriais entre Santa Catarina e Paraná.

Seu nome permanece associado a uma das fases de consolidação institucional e modernização do Estado catarinense durante a Primeira República.

Felipe Schmidt: liderança e modernização em Santa Catarina.


 

2. Vidal José de Oliveira Ramos

06/03/1905 a 28/09/1906

Vice-Governador eleito no cargo de titular

 

29/09/1910 a 28/10/1914

Governador eleito em sufrágio universal

 

“Educar um povo é construir um estado para muitas gerações.”


4. Cândido de Oliveira Ramos

Interventor nomeado em 1932 pelo governo federal

“Conhecimento e serviço público transformam sociedades.”

Cândido de Oliveira Ramos foi uma figura singular.

Nasceu em 11 de março de 1889, em Lages (SC), em uma tradicional família ligada à vida pública catarinense. Era filho de Henrique de Oliveira Ramos e Maria Cândida Ramos, descendente direta de Vidal José de Oliveira Ramos. Faleceu em 23 de agosto de 1949, em Cannes, na França, onde foi sepultado.

Pertencente a uma extensa linhagem política, teve entre seus familiares nomes de grande relevância, como Vidal Ramos, Belisário Ramos e seus primos Nereu Ramos, Celso Ramos, Aristiliano Ramos e Saulo Ramos. Seus irmãos também tiveram participação na vida pública regional.

Formação e carreira médica

Realizou seus primeiros estudos na fazenda da família, sob orientação de professor particular. Posteriormente, cursou o ensino secundário no Colégio Nossa Senhora da Conceição, em São Leopoldo (RS), onde obteve formação em Letras.

Seguiu para o Rio de Janeiro, onde se formou em Medicina pela Faculdade Nacional de Medicina, em 1913. Iniciou sua carreira como responsável pela área de higiene municipal em Florianópolis, função de grande relevância sanitária à época.

Logo após, partiu para a Europa em busca de aperfeiçoamento profissional, estabelecendo-se em Paris.

Experiência internacional e atuação na Primeira Guerra Mundial

Com o início da Primeira Guerra Mundial, Cândido Ramos colocou seus conhecimentos médicos a serviço do esforço de guerra. Apresentou-se voluntariamente ao governo francês e foi designado para atuar junto ao Exército Sérvio, enfrentando condições extremas, especialmente no combate a epidemias como o tifo.

Sua atuação foi marcada por coragem e dedicação em meio às dificuldades do conflito. Posteriormente, retornou à França, onde consolidou sua carreira acadêmica e hospitalar.

Doutorou-se em urologia em 1917 e passou a ocupar posições de destaque, como diretor hospitalar e professor na Universidade de Paris (Sorbonne), alcançando reconhecimento internacional.

Retorno ao Brasil e atuação política

De volta ao Brasil em 1919, estabeleceu-se novamente em Santa Catarina. Participou ativamente da Revolução de 1930, que levou Getúlio Vargas ao poder.

Com a reorganização política decorrente do movimento, foi nomeado secretário estadual, acumulando importantes pastas como Fazenda, Viação, Obras Públicas e Agricultura, entre 1930 e 1932.

Em 1932, assumiu interinamente o cargo de interventor federal em Santa Catarina, exercendo a chefia do Executivo estadual por curto período, em um momento de transição institucional.

Atuação parlamentar e vida posterior

Pelo Partido Liberal Catarinense (PLC), foi eleito senador, mas optou por exercer mandato como deputado federal, participando das legislaturas entre 1933 e 1937. Sua atuação parlamentar foi interrompida com o fechamento do Congresso Nacional em decorrência do Estado Novo.

Após o encerramento de sua vida política ativa, retornou a Lages, dedicando-se às atividades rurais e contribuindo para o desenvolvimento local. Em 1939, participou da fundação da Associação Rural de Lages, sendo seu primeiro vice-presidente.

Reconhecimento e legado

Cândido de Oliveira Ramos destacou-se por unir formação intelectual sólida, experiência internacional e atuação política relevante em um período de profundas transformações no Brasil.

Seu legado é reconhecido tanto no campo científico quanto no serviço público, tendo recebido importantes condecorações do governo francês, como: Cruz de Guerra; Legião de Honra.

Além disso, seu nome permanece na memória coletiva por meio de homenagens como: Escola pública em Caxambu do Sul (SC); Ruas em cidades como Lages, Concórdia, Florianópolis e Mafra.

Cândido de Oliveira Ramos representa uma figura singular na história catarinense: um médico de projeção internacional que, sem abandonar suas raízes, participou ativamente da construção política e institucional de seu estado. Sua trajetória evidencia a conexão entre conhecimento, serviço público e compromisso com seu tempo histórico.

Cândido de Oliveira Ramos:  ciência, política e projeção internacional


5. Aristiliano Laureano Ramos

(19/04/1933 a 01/05/1935)

Interventor nomeado pelo governo federal

“Grandes mudanças exigem líderes capazes de atravessar tempos difíceis.”

Aristiliano Ramos representa o encontro entre tradição regional e transformação nacional.

Nasceu em 10 de maio de 1888, em Lages (SC), filho de Theodora Ribeiro Ramos e de Belisário José de Oliveira Ramos — fazendeiro, militar e figura atuante na política local, tendo exercido os cargos de vereador, prefeito de Lages e deputado estadual. Faleceu em 17 de abril de 1976, em sua cidade natal.

Formação e vínculos familiares

Iniciou sua formação em Lages, com aulas particulares na Fazenda Morrinhos, seguindo posteriormente para o Colégio São José. Concluiu o curso de Humanidades no tradicional Colégio Nossa Senhora da Conceição, em São Leopoldo (RS), no ano de 1904.

Aristiliano pertenceu a uma das mais influentes famílias políticas de Santa Catarina. Era neto de Vidal José de Oliveira Ramos e sobrinho de Vidal Ramos, importante liderança estadual. Entre seus primos, destacaram-se nomes como Nereu Ramos — que viria a ser Presidente da República —, além de Celso Ramos, Mauro Ramos, Vidal Ramos Júnior e Joaquim Fiúza Ramos, entre outros. Essa rede familiar consolidou uma longa tradição de atuação política no estado e no país.

Casou-se com Guilhermina Schmidt Ramos, com quem teve filhos, formando também uma extensa família.

Atuação política e administrativa

Sua trajetória pública iniciou-se no legislativo estadual. Foi eleito deputado ao Congresso Representativo de Santa Catarina (atual Assembleia Legislativa) para as legislaturas de 1916 a 1918 e de 1919 a 1921, período em que integrou a Mesa Diretora da Casa como suplente de secretário.

No âmbito municipal, exerceu papel relevante em Lages, sendo superintendente (equivalente ao cargo de prefeito) entre 1919 e 1922, além de vereador entre 1927 e 1930.

Paralelamente à política, atuou no jornalismo, sendo proprietário do jornal Região Serrana, por meio do qual participou ativamente dos debates públicos e políticos de seu tempo.

Revolução de 1930 e intervenção federal

Aristiliano Ramos teve papel expressivo na Revolução de 1930, movimento que levou Getúlio Vargas ao poder. Como coronel, comandou uma das principais colunas revolucionárias no planalto catarinense, sendo reconhecido como uma liderança regional de grande influência.

Com a vitória do movimento, foi eleito indiretamente interventor federal em Santa Catarina, tomando posse em 19 de abril de 1933. Inicialmente vinculado ao Partido Progressista, assumiu ainda naquele ano a presidência do Partido Liberal Catarinense. Seu período no governo marcou a transição política do estado no contexto pós-revolucionário, sendo sucedido posteriormente por Nereu Ramos.

Atuação política no período democrático

Com o enfraquecimento do Estado Novo, Aristiliano participou da reorganização partidária no país. Em 1945, ao lado de Adolfo Konder e Henrique Rupp Júnior, participou da fundação da União Democrática Nacional (UDN) em Santa Catarina.

No mesmo ano, concorreu ao Senado, sem êxito. Posteriormente, disputou vaga na Câmara dos Deputados, sendo eleito suplente e assumindo mandato entre 1954 e 1955.

Em 1958, filiou-se ao Partido Social Democrático (PSD), legenda à qual estavam vinculados diversos membros de sua família. Novamente como suplente, assumiu mandato de deputado federal na legislatura de 1959 a 1963.

Reconhecimento e legado

Aristiliano Ramos deixou marcas importantes na política catarinense, especialmente pela sua atuação durante momentos decisivos da história brasileira, como a Revolução de 1930 e o período de reorganização democrática.

Seu legado permanece vivo também nas homenagens recebidas, entre elas:

Denominação de ruas em cidades como Lages, Gaspar e Rio do Sul; Nomeação de logradouros públicos, como alamedas em áreas urbanas; Instituição de escola pública com seu nome em Lages.

Escola Normal de Lages · Instituto de Educação · Colégio Aristiliano Ramos · FACEC

Um edifício, muitos nomes — uma história singular na memória de Lages

Inaugurado em 1936, o edifício que por décadas marcou a paisagem urbana de Lages carregou ao longo do tempo diferentes nomes — Escola Normal de Lages, Instituto de Educação, Colégio Aristiliano Ramos e FACEC – Faculdade de Ciências Econômicas, Contábeis e Administrativas —, cada um deles correspondendo a uma fase distinta de sua trajetória e refletindo as transformações da própria cidade.

As paredes desse centro de ensino foram, durante décadas, o centro intelectual e educacional de Lages. Entre suas salas, corredores e pátios, gerações de lageanos aprenderam, ensinaram, debateram ideias e construíram os alicerces do desenvolvimento cultural e profissional do município. Cada nome que o prédio recebeu ao longo do tempo não foi apenas uma mudança administrativa. —

A origem: uma escola para formar professores

Em 1934, o então governador de Santa Catarina, Aristiliano Laureano Ramos — nascido em Lages —, assinou o decreto que criou a Escola Normal na cidade. O objetivo era claro: formar professores qualificados para atuar no ensino primário, dentro de uma proposta pública e laica, em linha com os princípios republicanos de acesso universal à educação.

Aristiliano Ramos empenhou-se pessoalmente em garantir os recursos necessários para a construção da sede, demonstrando um compromisso genuíno com o desenvolvimento educacional de sua cidade natal.

Em 1935, a instituição passou a se chamar Instituto de Educação, acompanhando a política nacional de modernização do ensino que já vinha sendo aplicada em grandes centros como Rio de Janeiro e São Paulo.

A Importância Histórica para a Cidade

O Brasil havia criado sua primeira escola normal em 1835, na cidade de Niterói. Lages só recebeu uma instituição semelhante cem anos depois — o que torna sua criação ainda mais significativa. Para uma cidade do interior catarinense, a chegada do Instituto de Educação representou um salto real em termos de cultura, urbanidade e acesso ao conhecimento.

Além disso, a escola abriu uma porta histórica para as mulheres da região. Até então limitadas ao espaço doméstico, elas passaram a ter uma oportunidade concreta de formação profissional e de participação na vida intelectual da cidade — o magistério foi, para muitas, o primeiro caminho de autonomia e reconhecimento social.

Olhar para o Instituto de Educação era, de certa forma, olhar para a ideia de progresso que a cidade queria projetar: ordem, racionalidade e confiança no futuro. O prédio dizia, pela sua própria forma, que Lages estava avançando.

Uma história de usos e transformações

Com o tempo, o Instituto de Educação foi se adaptando às necessidades da cidade. Em diferentes momentos, suas dependências abrigaram uma escola técnica de enfermagem e os primeiros cursos de ensino superior de Lages — que deram origem à atual Universidade do Planalto Catarinense (Uniplac), consolidando o prédio como verdadeiro berço da educação superior na região.

Aristiliano Ramos representa a figura do líder regional que, apoiado em tradição familiar e forte inserção social, exerceu papel relevante na política estadual e nacional. Sua trajetória reflete as transformações do Brasil na primeira metade do século XX, especialmente no que diz respeito à transição entre oligarquias regionais e a centralização do poder político.


6. Nereu Ramos

01/05/1935 a 16/11/1937

Governador eleito indiretamente pela Assembléia Legislativa

 

16/11/1937 a 06/11/1945

Interventor nomeado pelo governo federal

 

A estabilidade de um estado nasce da coragem de defender instituições.”

Os homens passam; as instituições permanecem quando são sustentadas pela coragem e pelo compromisso com o bem público.”

Entre os muitos líderes políticos que nasceram em Lages, nenhum alcançou posição tão elevada na vida pública brasileira quanto Nereu de Oliveira Ramos. Sua trajetória confunde-se com alguns dos momentos mais importantes da história política nacional, fazendo dele uma das figuras mais influentes de Santa Catarina e o único catarinense a ocupar a Presidência da República.

Nascido em Lages, em 3 de setembro de 1888, Nereu Ramos era filho de Vidal José de Oliveira Ramos e Teresa Fiúza Ramos. Cresceu em uma família profundamente ligada à política e à administração pública, ambiente que contribuiu para despertar seu interesse pelos grandes temas nacionais desde a juventude.

Ao longo de sua vida, exerceu funções de destaque nos poderes Executivo e Legislativo, tornando-se referência de liderança, habilidade política e defesa da ordem institucional. Sua brilhante carreira foi interrompida em 16 de junho de 1958, quando faleceu em um acidente aéreo próximo a Curitiba.

Formação e Início da Carreira

Depois dos estudos iniciais em Lages, ingressou no tradicional Colégio Nossa Senhora da Conceição, em São Leopoldo (RS). Posteriormente, cursou Direito na Faculdade de Direito de São Paulo, um dos mais prestigiados centros de formação política e jurídica do país, graduando-se em 1909.

Ainda estudante, participou intensamente dos debates acadêmicos e das atividades do Centro Acadêmico XI de Agosto, experiência que ampliou sua visão sobre os desafios políticos do Brasil.

De volta a Santa Catarina, iniciou a carreira como advogado e ingressou na vida pública. Sua inteligência, capacidade de argumentação e talento para a articulação política logo o destacaram entre as novas lideranças do Estado.

O Jornalista e o Líder Político

Paralelamente à atuação política, Nereu Ramos desenvolveu importante atividade jornalística. Escreveu para diversos periódicos e participou da fundação de jornais que influenciaram o debate público catarinense nas primeiras décadas do século XX.

Durante a Primeira Guerra Mundial, defendeu a aproximação do Brasil com os países aliados, demonstrando independência de pensamento e disposição para sustentar suas convicções, mesmo diante de opiniões divergentes.

Nos anos seguintes, consolidou-se como uma das principais lideranças políticas catarinenses, participando ativamente das transformações que marcaram a República brasileira.

À Frente de Santa Catarina

Em 1935, Nereu Ramos assumiu o governo de Santa Catarina. Dois anos mais tarde, com a implantação do Estado Novo, permaneceu no comando do Estado como interventor federal até 1945.

Seu governo foi marcado por iniciativas voltadas à modernização administrativa e ao desenvolvimento da infraestrutura catarinense.

Entre suas principais realizações destacam-se:

Ampliação e melhoria da rede rodoviária estadual;Fortalecimento da administração pública; Expansão dos serviços de saúde; Implementação das políticas de nacionalização do ensino, que buscavam integrar culturalmente as comunidades de origem estrangeira ao projeto nacional brasileiro.

Sua administração contribuiu para aproximar diferentes regiões catarinenses e fortalecer a presença do Estado em áreas antes pouco assistidas pelo poder público.

Protagonismo Nacional

Com a redemocratização do país após 1945, Nereu Ramos ampliou sua atuação política para o cenário nacional.

Ele participou da fundação do Partido Social Democrático (PSD) em Santa Catarina e foi eleito senador constituinte em 1946. Sua habilidade conciliadora e seu prestígio político fizeram dele uma das vozes mais respeitadas do Congresso Nacional.

 

Ao longo dos anos, ocupou importantes cargos públicos, entre eles: Senador da República; Presidente da Câmara dos Deputados; Ministro da Justiça; Ministro interino da Educação.

Sua carreira alcançou o ponto máximo em novembro de 1955, quando assumiu a Presidência da República durante uma das mais delicadas crises políticas do período democrático.

O Presidente da Legalidade

A posse de Juscelino Kubitschek encontrava-se ameaçada por fortes tensões políticas. Nesse contexto, Nereu Ramos assumiu a chefia da nação com a missão de garantir o cumprimento da Constituição.

Sua passagem pela Presidência foi breve, mas decisiva. Agindo com serenidade e firmeza, assegurou a continuidade das instituições democráticas e a posse do presidente eleito, tornando-se um símbolo da defesa da legalidade republicana.

Esse episódio projetou definitivamente seu nome para a história política brasileira.

Homenagens e Reconhecimento

Memorial Nereu Ramos

 

A importância de Nereu Ramos ultrapassou as fronteiras de Santa Catarina. Seu nome foi eternizado em monumentos, escolas, avenidas, praças e edifícios públicos espalhados pelo país.

O Palácio Nereu Ramos

 

 

O Palácio Nereu Ramos, integrante do complexo do Congresso Nacional em Brasília, representa uma das mais expressivas homenagens da República a um dos grandes nomes da política brasileira: Nereu de Oliveira Ramos. Em reconhecimento pelo relevantes serviços prestados à nação, os congressistas perpetuaram para sempre o nome deste lageano que soube honrar sua terra e seu país 

 

   Praça João Costa

 

 

Lages homenageou seu filho mais ilustre com uma estátua inaugurada em 4 de setembro de 1957, na Praça João Costa, centro da cidade. O monumento retrata o Presidente da República Nereu de Oliveira Ramos e foi esculpido pelo artista lageano Agostinho Malinverni Filho, um dos maiores nomes das artes plásticas de Santa Catarina.

 

Rua Presidente Nereu Ramos

 

A memória do lageano Nereu Ramos também é preservada em nossa cidade, com a atribuição de seu nome a uma das principais vias urbanas, em substituição à antiga denominação Rua XV de Novembro.

 

As reverências ao Presidente Nereu Ramos extrapolam as fronteiras de Santa Catarina e se propagam por todo o Brasil. Mais de 184 ruas, avenidas e praças em todo o país exibem seu nome, além de escolas, hospitais e municípios que imortalizaram sua memória — legado silencioso, porém expressivo, do reconhecimento nacional por uma vida inteiramente voltada ao serviço público e à consolidação da democracia brasileira.

Legado

 

Nereu Ramos integra o seleto grupo de líderes que ajudaram a moldar os rumos do Brasil em momentos decisivos de sua história. Filho de Lages, trilhou uma trajetória excepcional, ocupando os mais altos cargos da República — uma carreira pautada pela defesa das instituições, pelo diálogo político e pelo compromisso inabalável com a estabilidade nacional.

Para Santa Catarina, representa um dos maiores exemplos de liderança pública já registrados em sua história. Para Lages, é motivo de orgulho e inspiração permanentes: o filho da cidade que alcançou o mais alto posto da República, deixando uma marca indelével na memória e na história do Brasil.


7. Celso Ramos

31/01/1961 a 31/01/1966

Governador eleito em sufrágio universal

 

“Planejar o futuro é a forma mais inteligente de governar.”

Formação e Juventude

Celso Ramos nasceu em 18 de dezembro de 1897, em Lages (SC), filho do ex-governador Vidal José de Oliveira Ramos e de Thereza Fiúza Ramos. Faleceu em 1º de abril de 1996, em Florianópolis, aos 98 anos de idade.

Pertencia a uma das famílias mais influentes da história política catarinense. Teve treze irmãos: Nereu, Joaquim, Mauro, Hugo, Acácio, Vidal Júnior, Nilo, Jonas, Raquel, Maria Júlia, Ruth, Olga e Daura.Realizou os estudos primários no Colégio São José e o ensino secundário no Colégio Catarinense, ambos em Florianópolis. Ingressou no curso de Engenharia, mas precisou interrompê-lo por motivos de saúde.

Apaixonado pelo esporte, destacou-se no futebol desde a juventude. Jogou pelo Colégio Catarinense, atuou no Flamengo do Rio de Janeiro e presidiu o Avaí Futebol Clube entre 1941 e 1946.

Família e Legado Político

Celso Ramos era irmão de Nereu Ramos, único catarinense a exercer a Presidência da República. Casou-se, aos 25 anos, com Edith Müller de Albuquerque Gama, com quem teve seis filhos: Doris, Celso Filho, Newton, Tereza, Wilma e Maria Helena.

Além de presidir o Partido Social Democrático (PSD) em Santa Catarina, viveu um dos momentos mais marcantes de sua trajetória pessoal em 1958, quando perdeu o irmão Nereu Ramos no trágico desastre aéreo de Curitiba. No mesmo acidente faleceram também o governador Jorge Lacerda e o deputado federal Leoberto Leal.

Início da Trajetória

Após concluir seus estudos, retornou a Lages, onde se dedicou à pecuária na região da Coxilha Rica. Nesse período, exerceu também o cargo de vice-prefeito do município.

Posteriormente, mudou-se para Florianópolis, ampliando sua atuação nos setores comercial e industrial, onde consolidou sua reputação como empresário e líder institucional.

Atuação Empresarial e Institucional

Celso Ramos desempenhou papel decisivo na organização e fortalecimento da indústria catarinense.

Liderou o movimento que resultou na criação da Federação das Indústrias do Estado de Santa Catarina (FIESC), instituição da qual foi presidente por quatro mandatos consecutivos.

Também participou da implantação do Serviço Social da Indústria (SESI) e do Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (SENAI) em Santa Catarina. Essas instituições contribuíram para a melhoria das condições de vida dos trabalhadores e para a qualificação da mão de obra, fortalecendo o desenvolvimento industrial do estado.

No SENAI, atuou como fundador e presidente do Conselho Regional, incentivando a formação profissional e a modernização tecnológica do setor produtivo catarinense.

Vida Política

Participou da fundação do Partido Social Democrático (PSD), acompanhando de perto a trajetória política de seu irmão Nereu Ramos.

Em 1959, integrou uma delegação brasileira em conferência internacional do trabalho ao lado de João Goulart. Antes mesmo de assumir o governo estadual, já demonstrava interesse pelo desenvolvimento educacional de Santa Catarina, apoiando iniciativas ligadas à Fundação Vidal Ramos e à expansão do ensino superior.

Governo de Santa Catarina (1961–1966)

Celso Ramos foi o 27º governador de Santa Catarina, exercendo o mandato de 31 de janeiro de 1961 a 31 de janeiro de 1966. Sucedeu Heriberto Hülse e foi sucedido por Ivo Silveira.

Ao assumir o governo, lançou um desafio que marcaria sua administração: “pensar alto e pensar grande”.

Sua gestão tornou-se referência nacional pelo planejamento estratégico e pela execução de políticas públicas estruturantes. O principal instrumento desse processo foi o Plano de Metas do Governo (PLAMEG), elaborado a partir dos históricos Seminários Socioeconômicos realizados em diversas regiões do estado.

Esses encontros produziram o mais amplo diagnóstico já realizado sobre a realidade catarinense, identificando carências e oportunidades nas áreas de infraestrutura, educação, saúde e desenvolvimento econômico.

Com apoio técnico da Confederação Nacional da Indústria (CNI), coordenação intelectual do economista Alcides Abreu e execução administrativa liderada pelo engenheiro Annes Gualberto, o PLAMEG tornou-se o principal instrumento de modernização do Estado, destinando cerca de 35% do orçamento estadual para investimentos planejados.

O programa é considerado por muitos estudiosos como o maior divisor de águas da administração pública catarinense.

Infraestrutura e Energia

A gestão promoveu ampla expansão da malha rodoviária estadual, com abertura e pavimentação de estradas estratégicas, construção de pontes, acessos urbanos e ligações intermunicipais.

Também fortaleceu a integração entre o litoral, o Planalto Serrano e o Oeste catarinense.

No setor energético, ampliou significativamente a geração e distribuição de energia elétrica, consolidando a CELESC como empresa estratégica para o desenvolvimento estadual e expandindo a eletrificação para áreas urbanas, rurais e industriais.

Criou ainda a Secretaria do Oeste, fortalecendo a presença do governo naquela região e contribuindo para neutralizar o movimento que defendia a criação do Estado do Iguaçu.

Educação e Ensino Superior

A educação recebeu investimentos sem precedentes.

Foram construídas e ampliadas escolas em todas as regiões do estado, fortalecendo o ensino público e técnico.

Durante sua administração foi criada a Universidade para o Desenvolvimento do Estado de Santa Catarina (UDESC), além da Escola Superior de Administração e Gerência (ESAG), em 1964, e da Faculdade de Educação, em 1965.

Essas iniciativas ampliaram a formação de professores e contribuíram para a interiorização e qualificação do ensino superior catarinense.

Desenvolvimento Econômico

O governo criou o Banco do Estado de Santa Catarina (BESC), ampliando o acesso ao crédito em todas as regiões.

Também instituiu a Caixa Econômica Estadual e o Fundo de Desenvolvimento do Estado (FUNDESC), destinados ao financiamento da atividade produtiva e à expansão industrial.

Sua administração apoiou fortemente os setores têxtil, cerâmico, madeireiro e agroindustrial, impulsionando o crescimento econômico e a diversificação produtiva de Santa Catarina.

Agricultura e Meio Rural

No campo, promoveu a expansão da assistência técnica por meio de 47 escritórios regionais da ACARESC.

Reestruturou a Secretaria da Agricultura, fortaleceu programas voltados à produção rural e criou órgãos relacionados à reforma agrária, à pesca e à proteção dos recursos naturais.

Essas medidas contribuíram para o aumento da produtividade e para a melhoria das condições de vida no meio rural.

Saúde e Políticas Sociais

A administração ampliou e modernizou hospitais regionais, fortaleceu a rede de saúde pública e criou o Departamento de Engenharia Sanitária.

Destacou-se também a construção do Hospital dos Servidores Públicos, posteriormente denominado Hospital Governador Celso Ramos.

Houve ainda investimentos em saneamento básico, habitação e políticas voltadas ao trabalho e à assistência social.

Planejamento e Gestão

Uma das maiores contribuições de Celso Ramos foi a institucionalização do planejamento governamental.

Os Seminários Socioeconômicos transformaram-se em instrumentos permanentes de diálogo entre governo e sociedade, permitindo que as políticas públicas fossem definidas com base em diagnósticos técnicos, metas claras, cronogramas e fontes de financiamento previamente estabelecidas.

Pela primeira vez na história catarinense, o Estado passou a adotar um modelo integrado de planejamento e gestão.

Para muitos historiadores, foi durante esse período que Santa Catarina deixou para trás a administração improvisada, consolidou sua integração regional, profissionalizou o serviço público e lançou as bases do desenvolvimento industrial que marcaria as décadas seguintes.

O economista Alcides Abreu sintetizou esse legado ao afirmar:

“Quase tudo o que vemos de significativo hoje em Santa Catarina foi feito ou iniciado naquela época.”

Atuação Posterior

Após concluir o mandato, Celso Ramos retornou à presidência da FIESC.

Com a extinção dos partidos políticos pelo regime militar, filiou-se à ARENA e disputou uma vaga ao Senado Federal.

Foi eleito com 380.245 votos, correspondentes a aproximadamente 57% dos votos válidos, alcançando uma das mais expressivas vitórias senatoriais da história de Santa Catarina.

Pessoas que o Governo Celso Ramos Projetou

O governo Celso Ramos formou uma geração de líderes, técnicos e empresários que posteriormente exerceriam papel relevante no desenvolvimento catarinense.

Entre eles destacou-se Fernando Marcondes de Mattos. Iniciou sua trajetória como datilógrafo do SENAI-SC, participou dos Seminários Socioeconômicos, formou-se em Direito em 1961 e passou a colaborar diretamente com o governo estadual.

Posteriormente, especializou-se em economia por meio de curso promovido pela CEPAL e pela ONU, atuou no BESC e integrou missões oficiais no exterior.

Mais tarde fundou a Inplac e criou o complexo turístico Costão do Santinho, reconhecido internacionalmente como um dos maiores empreendimentos turísticos do Brasil. Sempre atribuiu parte de seu sucesso à influência de Alcides Abreu e de Celso Ramos.

Reconhecimento e Homenagens

O nome de Celso Ramos permanece presente em todas as regiões catarinenses.

Dois municípios prestam homenagem ao ex-governador: Governador Celso Ramos, na Grande Florianópolis, e Celso Ramos, no Meio-Oeste catarinense.

Na capital, seu nome identifica uma das principais praças da Avenida Beira-Mar Norte e o maior hospital público do estado, o Hospital Governador Celso Ramos.

Diversas escolas, ruas, avenidas e prédios públicos também perpetuam sua memória.

Legado

Celso Ramos foi um dos maiores estadistas da história de Santa Catarina. Soube unir a experiência empresarial, a capacidade de planejamento e a visão de futuro para promover uma profunda transformação administrativa, econômica e social.

Seu governo consolidou as bases da infraestrutura moderna, fortaleceu a educação, impulsionou a industrialização e introduziu uma cultura de planejamento que influenciaria as administrações seguintes.

Mais do que realizar obras, construiu um modelo de desenvolvimento que ajudou a moldar o Santa Catarina contemporâneo.

Celso Ramos: o governador que transformou planejamento em desenvolvimento e modernização em legado permanente.

 


8. João Raimundo Colombo 

01/01/2011 a 31/12/2014

Governador eleito em sufrágio universal

 

01/01/2015 a 05/04/2018

Governador eleito em sufrágio universal

“Governar é construir continuidade sem perder a capacidade de inovar.”

Formação e Juventude

João Raimundo Colombo nasceu em 28 de fevereiro de 1955, em Lages, na Serra Catarinense. Filho de Casemiro Colombo e Tereza Fontana Colombo, construiu sua trajetória pessoal ao lado de sua esposa, Maria Angélica Ribeiro Colombo, com quem teve dois filhos. Desde a juventude, revelou aptidão para a liderança e para a vida pública, destacando-se na coordenação de grupos de jovens vinculados à Igreja Católica, experiência que contribuiu para moldar seu compromisso com a comunidade e o serviço público.

Seu envolvimento com atividades comunitárias e sociais contribuiu para despertar o interesse pela política, ingressando na vida pública aos 26 anos de idade.

Estudos e Cursos Diversos

Em 1977, iniciou o curso de Pedagogia na Universidade do Planalto Catarinense (UNIPLAC), em Lages, embora não o tenha concluído. Posteriormente, aprofundou seus conhecimentos em administração pública e política por meio de especialização em Ciência Política promovida pela Fundação Friedrich Naumann.

A formação acadêmica e o constante interesse pelos temas ligados à gestão pública contribuíram para moldar sua atuação administrativa ao longo da carreira.

Família e Legado Político

Empresário e político, Raimundo Colombo construiu uma das mais extensas e expressivas trajetórias públicas de Santa Catarina, atuando nos âmbitos municipal, estadual e federal entre o final do século XX e o início do século XXI.

Ao longo de sua carreira, soube aliar a experiência administrativa à reflexão aprofundada sobre o papel do Estado e o exercício da cidadania. Essa vocação intelectual materializou-se em 2009, com a publicação do livro Povo Tem Nome, Rosto e Endereço, lançado em Florianópolis pela Edições Dédalo — obra na qual compartilha suas visões sobre gestão pública, participação cidadã e responsabilidade governamental

Início da Vida Política

A carreira pública de Raimundo Colombo começou em funções administrativas do Governo de Santa Catarina, onde acumulou experiência em diferentes áreas da administração estadual:

Supervisor do Governo de Santa Catarina no Planalto Serrano (1981–1983); Secretário de Estado do Desenvolvimento Social (1983–1985); Diretor Administrativo da TELESC (1985–1986).

Paralelamente, teve intensa atuação partidária. No antigo PDS e posteriormente no PFL, exerceu funções de liderança que contribuíram para sua projeção política estadual:

Presidente da União Democrática Catarinense do PDS (1983–1985); Secretário-Geral do PFL (1986–1988); Tesoureiro do PFL (1988–1990); Presidente do Diretório Estadual do PFL (1993–1995).

Deputado Estadual

Eleito deputado estadual constituinte pelo PFL, exerceu mandato entre 1º de fevereiro de 1987 e 31 de dezembro de 1988.

Durante esse período, destacou-se como líder da bancada do PFL na Assembleia Legislativa, participando dos debates que marcaram a reorganização institucional do país após a redemocratização.

Deputado Federal

Raimundo Colombo exerceu o mandato de deputado federal em duas oportunidades.

Inicialmente assumiu como suplente, entre 26 de fevereiro e 29 de junho de 1997, sendo posteriormente efetivado em 5 de janeiro de 1999. Em seguida, tomou posse novamente em 2 de fevereiro de 1999.

Ao longo do mandato, licenciou-se para tratamento de saúde e, posteriormente, para tratar de interesses particulares a partir de 3 de junho de 2000, reassumindo suas funções em 1º de outubro do mesmo ano.

Renunciou ao mandato em 1º de janeiro de 2001 para assumir a Prefeitura de Lages.

Prefeito

Raimundo Colombo governou Lages por três mandatos, período marcado por iniciativas voltadas à modernização administrativa, organização urbana e ampliação de políticas públicas.

Primeiro Mandato (1989–1992)

O foco principal esteve na organização territorial e administrativa do município.

Entre as principais medidas destacam-se:

  • Edição da Lei nº 1.522/1989, que definiu o perímetro urbano e disciplinou a expansão da cidade;
  • Implantação de mecanismos de cooperação entre o poder público e a iniciativa privada para manutenção e melhoria de espaços públicos.Segundo Mandato (2001–2004)

A gestão concentrou esforços na modernização administrativa e no fortalecimento da economia local.

Principais realizações:

  • Criação do Serviço de Inspeção Municipal (Lei nº 2.781/2001), permitindo a formalização de agroindústrias locais;
  • Regulamentação do Processo Administrativo Tributário por meio da Lei Complementar nº 148/2001;
  • Implantação do programa Casa-Escola, ampliando o acesso de crianças com deficiência à educação.

Terceiro Mandato (2005–2006)

O terceiro período foi marcado por avanços tecnológicos e fortalecimento das políticas sociais.

Entre as ações desenvolvidas destacam-se:

Implantação da gestão eletrônica do ISQN pela Lei nº 3.336/2006; Fortalecimento dos Conselhos Municipais da Criança e do Adolescente e dos Direitos da Mulher;Apoio institucional a entidades voltadas ao fortalecimento das famílias e da assistência social.

Renunciou ao cargo antes do término do mandato para disputar uma vaga no Senado Federal, sendo sucedido pelo vice-prefeito.

Secretário de Estado e Presidente de Autarquias

Ao longo de sua carreira administrativa, Raimundo Colombo exerceu importantes funções de direção e comando em órgãos públicos estaduais:

Presidente da Comissão Executiva Estadual da Juventude Democrática Catarinense; Presidente do Conselho de Administração da Companhia de Habitação do Estado de Santa Catarina (1983–1985); Presidente do Conselho Deliberativo da Fundação Catarinense de Desenvolvimento de Comunidades (1983–1985); Presidente do Conselho Deliberativo da Fundação Catarinense do Bem-Estar do Menor (1983–1985); Presidente da Associação dos Municípios da Região Serrana – AMURES (1989–1990); Diretor-Presidente da CELESC (1993–1994); Presidente da CASAN (1995).

Realizações do Primeiro Mandato como Governador (2011–2014)

Eleito governador de Santa Catarina com aproximadamente 1,8 milhão de votos, Raimundo Colombo assumiu o cargo em 1º de janeiro de 2011.

Sua administração teve como principal eixo o programa Pacto por Santa Catarina, considerado um dos maiores programas de investimentos públicos da história do estado. Por meio dele, foram mobilizados cerca de R$ 5 bilhões em financiamentos obtidos junto ao BNDES, complementados por recursos estaduais e aportes do Banco Mundial.

Recuperação e Revitalização da Malha Viária

Foram revitalizados e recuperados aproximadamente 1.200 quilômetros de rodovias estaduais. As obras contemplaram todas as regiões catarinenses, contribuindo para a integração regional, o escoamento da produção e o fortalecimento da economia local.

Prevenção de Enchentes na Bacia do Rio Itajaí

A gestão promoveu importantes obras estruturantes na Bacia do Rio Itajaí, região responsável por mais de 25% do PIB catarinense e habitada por cerca de 1,5 milhão de pessoas.

Entre as ações realizadas destacaram-se: Instalação de radar meteorológico; Ampliação em 18,3% da capacidade da Barragem de Ituporanga; Construção de nova comporta no Rio Itajaí-Mirim; Obras de desassoreamento e melhoramento fluvial.

Combate à Seca no Oeste Catarinense

Diante dos impactos da estiagem, que afetava regularmente o Oeste catarinense, foram desenvolvidas ações estruturadas para garantir maior segurança hídrica à população. As iniciativas incluíram:

Perfuração de poços artesianos; Construção de açudes; Implantação de cisternas comunitárias; Aquisição de 15 caminhões-pipa. A estiagem atingia 152 municípios e aproximadamente 800 mil pessoas, gerando prejuízos estimados em R$ 700 milhões.

Ampliação do Sistema Prisional

Foi construída a Penitenciária de Imaruí, com capacidade para 1.304 detentos e área construída de 17,5 mil metros quadrados. A unidade contribuiu para reduzir a superlotação do Complexo Penitenciário da Agronômica e integrou um amplo programa de expansão do sistema prisional catarinense.

Inclusão Digital e Governança Eletrônica

A administração implantou o programa Caminhos da Modernidade, destinado à inclusão digital dos municípios e à modernização dos processos administrativos, ampliando o uso de tecnologias na gestão pública.

Realizações do Segundo Mandato como Governador (2015–2018)

Reeleito para um segundo mandato, Raimundo Colombo manteve a estratégia de investimentos estruturantes, priorizando infraestrutura, desenvolvimento regional, inovação e fortalecimento da gestão pública.

Infraestrutura e Mobilidade

Entre as principais ações destacaram-se:

Implantação do Colégio Policial Militar Feliciano Nunes Pires (CFNP) – Polo Lages, oficialmente criado em 15 de dezembro de 2015 e inaugurado em 15 de fevereiro de 2016; a retomada e aceleração das obras de restauração da histórica Ponte Hercílio Luz; a pavimentação pioneira em concreto rígido da Rodovia SC-114, no trecho entre Palmeira e Otacílio Costa; e a conclusão de obras de pavimentação e revitalização na Serra do Rio do Rastro e em importantes rodovias estaduais, como as SC-390 e SC-467.

Desenvolvimento Municipal – FUNDAM

Criou o Fundo de Apoio aos Municípios (FUNDAM), programa que permitiu a transferência direta de recursos às prefeituras para investimentos em infraestrutura, pavimentação e aquisição de equipamentos. O programa foi concebido para atender municípios independentemente de vinculação partidária.

Atração de Investimentos e Inovação

O governo promoveu missões internacionais e políticas de incentivo destinadas à atração de empresas nacionais e estrangeiras. Também fortaleceu a economia baseada no conhecimento, apoiando iniciativas como o Orion Parque Tecnológico, considerado um dos principais polos de inovação do interior catarinense.

Saúde e Saneamento

A gestão ampliou os repasses destinados aos hospitais filantrópicos e fortaleceu a regionalização da assistência em saúde. Na área de saneamento, promoveu a expansão dos sistemas de abastecimento de água e tratamento de esgoto em diversas regiões do estado por meio da CASAN.

Em 5 de abril de 2018, Raimundo Colombo renunciou ao cargo para disputar novamente uma vaga no Senado Federal.

Reconhecimento e Homenagens

Ao longo de sua trajetória pública, recebeu diversas homenagens e distinções:

Prêmio Mérito Legislador (2008), concedido pelo Instituto de Estudos Legislativos Brasileiro (IDELB), em reconhecimento à sua atuação parlamentar; Comenda do Legislativo Catarinense (2012); Homenagem da Assembleia Legislativa de Santa Catarina (2019), pelos serviços prestados como deputado constituinte.

Legado

João Raimundo Colombo consolidou-se como uma das principais lideranças políticas catarinenses das últimas décadas. Sua trajetória reúne experiências nos poderes Legislativo e Executivo, abrangendo os níveis municipal, estadual e federal.

O Pacto por Santa Catarina, principal marca de seus governos, representou um modelo de gestão orientado por planejamento estratégico, metas, monitoramento permanente e avaliação de resultados. Os investimentos realizados em infraestrutura, mobilidade, saneamento, prevenção de desastres, inovação e desenvolvimento regional alcançaram todas as regiões do estado.

Sua carreira pública evidencia uma combinação de experiência administrativa, capacidade de articulação institucional e compromisso com políticas de longo prazo, características que marcaram sua atuação na administração pública catarinense ao longo de mais de quatro décadas.


Conclusão

Ao encerrar este trabalho, reafirmo uma convicção que se fortaleceu a cada página lida, pesquisada e escrita: Lages é uma cidade que ajudou a construir capítulos decisivos da história de Santa Catarina e do Brasil.

Foi desta terra serrana que partiram homens públicos que governaram municípios, dirigiram o Estado e alcançaram os mais elevados postos da República. Isso não ocorreu por acaso. Acredito que Lages sempre cultivou uma cultura política singular, moldada pelo rigor do clima, pela força do trabalho, pelo espírito empreendedor de sua gente e pelo profundo senso de responsabilidade cívica que caracteriza seu povo.

Ao revisitar essas trajetórias — de Felipe Schmidt a Raimundo Colombo, passando por Vidal Ramos, Nereu Ramos, Celso Ramos e tantos outros nomes que marcaram a vida pública catarinense — percebo a existência de um fio condutor que atravessa gerações: o compromisso com o desenvolvimento, a capacidade de liderança, a visão de futuro e a disposição de pensar Santa Catarina para além das demandas imediatas de seu tempo. Cada um, à sua maneira e dentro das circunstâncias históricas que enfrentou, deixou contribuições que continuam presentes no cotidiano da população.

Conhecer essa trajetória vai muito além de um simples exercício de memória. Para mim, significa compreender que o futuro é construído sobre os alicerces deixados pelas gerações anteriores. Significa reconhecer que uma cidade serrana, distante dos grandes centros políticos e econômicos do país, foi capaz de formar lideranças que contribuíram significativamente para os destinos de Santa Catarina e do Brasil.

Lages não contribuiu apenas com riquezas materiais, com a madeira, a pecuária ou os tributos que fortaleceram o Estado.

Contribuiu com ideias.

Contribuiu com líderes.

Contribuiu com visão de futuro.

Considero importante esclarecer, com absoluta transparência, a natureza deste trabalho. Ele foi elaborado inteiramente desprovido de vínculos, preferências, interesses ou paixões político-partidárias. Não me movi por simpatias ideológicas, posicionamentos eleitorais ou relações pessoais. Meu propósito foi exclusivamente histórico e documental: registrar, preservar e destacar os aspectos positivos das administrações municipais, estaduais e federais analisadas, reconhecendo nelas o esforço humano voltado à promoção do bem coletivo.

Tenho plena consciência de que o ser humano não é perfeito em nenhuma de suas atividades. A administração pública, não apenas no Brasil, mas em praticamente todas as sociedades e períodos históricos, esteve e continua sujeita a falhas, desvios de conduta, atos de corrupção, favorecimentos e privilégios indevidos. Essa realidade não pertence a um partido, a uma região ou a uma época específica; trata-se de um desafio permanente da condição humana, que exige instituições sólidas, mecanismos de controle, participação cidadã e permanente aperfeiçoamento da democracia.

Por essa razão, optei conscientemente por não concentrar este trabalho nos erros, nas controvérsias ou nas sombras que inevitavelmente acompanham qualquer trajetória pública. Não o fiz por ingenuidade, omissão ou desconhecimento, mas por entender que resgatar aquilo que foi construído em benefício da sociedade — as estradas, as escolas, os hospitais, as leis, as reformas administrativas, os programas de desenvolvimento e os modelos de gestão — também constitui uma forma legítima, necessária e relevante de fazer história.

Concluo este trabalho com profundo sentimento de gratidão: gratidão pela história que encontrei, pelas vidas que pesquisei, pelos exemplos que conheci e pela oportunidade de revisitar páginas tão importantes da nossa trajetória coletiva.

Levo comigo a certeza de que registrar o bem que foi realizado é, em si mesmo, um ato de respeito às gerações que nos antecederam e uma manifestação de esperança para aquelas que ainda virão.

Walmor Tadeu Schweitzer
Professor de Administração Pública

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Fontes

CABRAL, Oswaldo Rodrigues. História de Santa Catarina. Florianópolis: Editora Lunardelli.

PIAZZA, Walter Fernando. Santa Catarina: sua história. Florianópolis: Editora da UFSC.

GOULARTI FILHO, Alcides. Formação Econômica de Santa Catarina. Florianópolis: Editora da UFSC.

SANTA CATARINA. Governo do Estado. PLAMEG – Plano de Metas do Governo (1961–1965). Florianópolis.

RAMOS, Nereu. Discursos, pronunciamentos e registros parlamentares. Brasília: Arquivos do Congresso Nacional.

FIESC – Federação das Indústrias do Estado de Santa Catarina. Memória da Industrialização Catarinense. Florianópolis.

Instituto Histórico e Geográfico de Santa Catarina (IHGSC). Acervo histórico e publicações institucionais.

Assembleia Legislativa do Estado de Santa Catarina (ALESC). Perfis e Memória Política Catarinense.

Fundação Catarinense de Cultura. Personalidades Catarinenses.

IBGE. Síntese Histórica e Econômica de Santa Catarina.

Diário Catarinense, Governadores de Santa Catarina 1739/1993, Florianópolis, Editora DC, 1993. p. 33-34


Nota Técnica

Considerando o amplo recorte temporal desta pesquisa  — é possível que ocorram eventuais imprecisões, inconsistências ou omissões de natureza histórica.

Uma vez identificadas, tais ocorrências serão objeto de revisão criteriosa e atualização permanente, com o compromisso de assegurar a fidelidade histórica, a integridade das informações e o valor documental deste acervo.

 

 

6 Comentários
  • Marcia
    Postado em 15:22h, 24 maio Responder

    Parabéns amor! Cada vez melhor seus textos. Lageano raiz.

    • Pio - Walmor
      Postado em 20:16h, 24 julho Responder

      Obrigado querida, você tem sido uma fonte de estímulos.

  • Celio
    Postado em 02:46h, 25 maio Responder

    Excelente artigo. Uma ampla revisão dos líderes que aqui nasceram e que promoveram melhorias sociais e econômicas para Santa Catarina e ao Brasil, graças a uma visão generosa que possuíam para a sociedade. Obrigado.

    • Pio - Walmor
      Postado em 20:15h, 24 julho Responder

      Obrigado pelos comentários Célio. Precisamos resgatar a nossa tão rica história.

  • Waldemar da Silva Madureira
    Postado em 23:19h, 26 maio Responder

    Ao ler este artigo condigno autor, me enche o peito de satisfação e glória de ser um lageano nato, longe de mim comparar com as ilustres figuras que brilhantemente foram elencadas, mas lembrar que já fomos um município extremamente cortejado pelos demais neste rico estado, e, principalmente nas atuais conjunturas me entristecem, pois ficamos atrelados a um passado glorioso mas num futuro nem tanto. O crescimento estampado nos períodos em que estas figuras desfraldaram politicamente em nosso estado e até na Federação, alhures já se foram e passamos a uma terra acéfala em termos políticos educacionais sem a menor estratégia, simplesmente em uma disputa de quem mais aparece, mas não resolve. Não vislumbro uma imediata alteração neste status-quo o qual pertencemos atualmente, pois ainda não nasceu o espirito aguerrido e apaixonado por nossa terra. Quiçá os brilhantes possam renascer das cinzas como a fênix para nos salvar.

    • Pio - Walmor
      Postado em 20:13h, 24 julho Responder

      Importante e reflexivo comentários Madureira. Comungamos com os mesmos ideais e amor a Lages, chão da terra da gente.

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