25 mar JASC e Lages: Ecos do Tempo
Ao observar a trajetória do esporte ao longo da história da humanidade, percebo que competir é um impulso tão antigo quanto a própria civilização. Desde os Jogos Olímpicos da Grécia Antiga, por volta de 776 a.C., o esporte já se apresentava como instrumento de integração entre povos, valorização do corpo e celebração da superação humana.
Com o passar dos séculos, essa prática ultrapassou fronteiras e culturas, consolidando-se como um dos mais importantes meios de formação social. É sob essa perspectiva que compreendo o papel do esporte amador em Lages. Para além das disputas e dos resultados, vejo nele um elo entre gerações, um espaço de formação de caráter e uma legítima expressão da identidade lageana.
A Semente dos Jogos
Tudo começa com uma ideia — e, como tantas ideias que transformam realidades, ela nasce da inquietação. Em 1960, em Brusque, Arthur Schlösser vislumbrou um projeto que transcendia a competição: integrar cidades, fortalecer vínculos, criar oportunidades.
Inspirados nos Jogos do Interior de São Paulo (JAI), criado em 1930, os Jogos Abertos de Santa Catarina carregavam, desde sua origem, um espírito agregador. Esse mesmo espírito dialoga com o entendimento contemporâneo do esporte defendido pelo Comitê Olímpico Internacional, que reconhece o esporte como ferramenta de desenvolvimento humano e social.
Com o tempo, o JASC, consolidou-se como o maior evento esportivo do estado, revelando talentos e promovendo valores que transcendem o pódio.
“Nos Jogos, a verdadeira vitória é aquela que transforma o indivíduo.”
“O esporte tem o poder de mudar o mundo”
(princípio amplamente difundido pelo movimento olímpico contemporâneo)
Quando a História Encontrou o Futuro
Lages: Terra que Recebe e Marca
Ao sediar os Jogos Abertos em 1966, 1981, 2002 e 2017, Lages reafirmou sua vocação organizadora.
Cada edição foi um passo:
- a ousadia inicial,
- o entusiasmo coletivo,
- a modernização estrutural,
- e a maturidade esportiva.
Resultados:
- 1966: a inserção da Serra no cenário esportivo estadual
- 1981: forte participação popular.
- 2002: construção do Ginásio Jones Minosso
- 2017: no melhor desempenho, até a presente data, com 5º lugar geral
Tradição e Continuidade
Os atletas da terra de Antônio Correia Pinto de Macedo, com disciplina e garra, têm competido com as campeoníssimas do JASC, como Florianópolis, Blumenau e Joinville.
Futsal Masculino: Tradição e Respeito
Nas décadas de 1970 e 1990, o futsal masculino projetou Lages no cenário estadual, com nomes como:
Paulo Cagão, Robertão, Yared, Raimundo, Paulo Menina, Valdec, Wilson Oneda, José Carlos Oneda (Vermelho), Álvaro Ribeiro, Guerindo, Kingo, Chappo, Vedana, Toni e Barriga.
“Enfrentar Lages era enfrentar coragem e talento.”
Futsal Feminino: As Leoas da Serra
O maior símbolo esportivo contemporâneo de Lages encontra expressão no futsal feminino.
Principais conquistas:
- 2017 (Ouro): título histórico com destaque para Amandinha, Diana Santos e o técnico Anderson Machado
“A persistência transforma sonhos em vitórias.”
Basquete e Voleibol: Tradição que Permanece
O basquete lageano revelou grandes nomes como:
Rui Spuldaro, Serginho, Leandro Araújo, Celso Martins (Cuca), Edson Parizzi, Álvaro Muniz, Tio Lisca Costa, Laurinho Ramos, Humberto e Márcio Andrade.
Mais tarde, defendendo o Serrano Tênis Clube e sob o comando do técnico Rubinho Lang, ilustre cidadão florianopolitano, despontou uma geração talentosa que elevou o nome de Lages ao mais alto patamar do basquete catarinense. No Campeonato Catarinense Juvenil, atletas como Costinha, Laos, Guto, Duda e Edson Parizzi brilharam nas quadras, conquistando títulos expressivos e consolidando uma época marcada por excelência, disciplina e um admirável espírito vencedor.
Resultados expressivos:
- 1981: 3º lugar no voleibol masculino e 4º no basquete
- 2002 e 2017: presença entre os oito melhores do estado
“Competir é honrar a história construída em quadra.”
Outras Modalidades: Técnica e Superação
Tênis de Mesa.Destaque estadual em 2002 e 2017.
Tiro Esportivo.Destaque para Osni Pilar e Luiz Carlos Silva
Judô (2017).Segundo lugar – Adriel de OliveiraTerceito lugar Josiane de Oliveira
Na edição de 2017, Lages alcançou:
- 68 pontos
- 5º lugar geral
Com destaque para o futsal feminino, judô e xadrez.
Entre os grandes nomes, destaca-se:
- Mariane Miyamoto, recordista com 9 medalhas.
“A disciplina é o caminho silencioso da vitória.”
O Verdadeiro Legado
Embora cidades como Blumenau liderem em número de títulos, Lages construiu um legado fundamentado na formação humana, no espírito coletivo e no desenvolvimento social.
“O esporte constrói caminhos que ultrapassam o resultado.”
Entre Medalhas e Significados
Os números registram conquistas — colocações, medalhas, participações. Mas há algo que os números não alcançam: o impacto humano.
São histórias individuais, trajetórias silenciosas, esforços coletivos. São valores que permanecem mesmo quando as luzes do evento se apagam.
O Legado que Permanece
Do futsal masculino às Leoas da Serra, do basquete ao judô, cada geração acrescentou um capítulo à história.
No entendimento de Manoel José Gomes Tubino, o esporte deve ser compreendido como fenômeno social amplo, capaz de educar e transformar:
Essa visão encontra eco em Lages, onde o esporte ultrapassa o resultado imediato e se consolida como prática formadora.
Mesmo diante de centros maiores e mais vitoriosos em rankings, Lages construiu um legado singular: o da formação de cidadãos por meio do esporte.
Essa perspectiva dialoga com o pensamento olímpico e com a visão humanista do esporte, onde competir é apenas uma das dimensões de algo muito maior.
“O esporte constrói caminhos que ultrapassam o resultado.”
A Alma Esportiva Lageana
Existe algo no espírito esportivo de Lages que escapa às estatísticas. É uma identidade construída na disciplina, na persistência e no sentimento de pertencimento.
“O esporte é um dos maiores instrumentos de educação e inclusão social.”
Conclusão
Ao revisitar cada edição dos Jogos Abertos de Santa Catarina, percebo que vão além da competição: acendem a chama da superação, unem municípios e revelam a força do esporte amador catarinense.
Aos 72 anos, levo comigo vivências que ampliam o significado desses momentos. Para mim, os JASC representam bem mais que simples confrontos esportivos: são encontros, histórias e conquistas que atravessam gerações.
Em Lages, especialmente nas edições de 1966, 1981, 2002 e 2017, vi o esforço transformar-se em realização — e cada instante tornar-se memória verdadeiramente inesquecível.
Autor: Walmor Tadeu Schweitzer
Contato:walmor1953@gmail.com
Fontes
- Comitê Olímpico Internacional. Olympic Charter. Lausanne.
- Pierre de Coubertin. Escritos e discursos sobre o olimpismo moderno.
- Manoel José Gomes Tubino. Dimensões Sociais do Esporte. São Paulo: Cortez.
- FESPORTE – Fundação Catarinense de Esporte.
- Governo do Estado de Santa Catarina.
- Prefeitura do Município de Lages.
- Memórias do autor
Nota
Considerando o amplo recorte temporal desta pesquisa — é possível que ocorram eventuais imprecisões, inconsistências ou omissões de natureza histórica.
Uma vez identificadas, tais ocorrências serão objeto de revisão criteriosa e atualização permanente, com o compromisso de assegurar a fidelidade histórica, a integridade das informações e o valor documental deste acervo.




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