10 abr O Erro Invisível das Cidades – JORNAL- dia 11 04 2026
“O que pode ser medido pode ser melhorado.” — Peter Drucker
É cada vez mais comum observar ruas e avenidas recém-pavimentadas sendo abertas pouco tempo depois. Reparos na rede de água, intervenções no esgoto ou falhas na drenagem resultam em remendos, ondulações e desconforto. O que deveria representar progresso rapidamente se transforma em retrabalho e desperdício.
Desde as civilizações antigas até o Império Romano, já se sabia: uma obra durável começa pelo que não se vê. Ainda assim, muitas cidades seguem invertendo essa lógica, priorizando o asfalto antes de resolver a infraestrutura subterrânea.
O resultado é previsível: redes antigas rompem, a drenagem não suporta as chuvas e o pavimento perde qualidade em pouco tempo. Não se trata de falta de conhecimento técnico, mas de ausência de planejamento.
A solução é clara: preparar previamente toda a infraestrutura, dentro das normas técnicas — redes de água potável, esgoto e drenagem pluvial — antes de qualquer pavimentação.
Os benefícios são diretos:
- economia de tempo, ao evitar retrabalhos;
- redução de custos com manutenção;
- menor pressão sobre tarifas e taxas públicas;
- maior durabilidade das vias.
Além disso, pavimentações e obras de infraestrutura devem obedecer rigorosamente às normas técnicas, à Constituição e à legislação aplicável. Nenhum recurso público — federal, estadual ou municipal — deveria ser liberado sem a existência de projeto técnico devidamente aprovado pelos órgãos competentes.
Mais do que uma boa prática, isso precisa ser uma exigência efetiva de gestão. Sem planejamento, o desperdício se repete.
O Brasil já possui normas e conhecimento. Falta aplicá-los com rigor.
O verdadeiro desenvolvimento urbano não está apenas no que se vê, mas na base que sustenta tudo.
Cidades não precisam apenas crescer.
Precisam durar.
Autor: Walmor Tadeu Schweitzer
Contato: walmor1953@gmail.com
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