11 ago O Que Lages Me Ensinou
Uma lição aprendida na gestão tributária de Lages
A experiência me ensinou que os caminhos de uma pessoa, de uma empresa, de uma repartição pública, de uma prefeitura ou mesmo de um país não são fruto do acaso. São construídos por escolhas, decisões e aprendizados acumulados ao longo do tempo.
Esse processo começa por algo aparentemente simples: estudar aquilo que se pratica e praticar aquilo que se estuda. É nessa interação que a informação se transforma em conhecimento, o conhecimento em experiência e a experiência em capacidade de inovar e produzir resultados.
Essa convicção não nasceu apenas dos livros, mas da minha trajetória profissional. E, quando observo o Brasil, percebo a mesma lógica em escala maior: os países que superaram a estagnação foram os que souberam transformar conhecimento em capacidade produtiva.
Uma experiência concreta
Vivi um exemplo marcante na Prefeitura de Lages, na década de 1980, quando participei da implantação de um sistema informatizado para a administração da Taxa de Licença de Localização e Funcionamento (TLLF) e do Imposto Sobre Serviços de Qualquer Natureza (ISQN).
Naquela época, a administração pública brasileira começava a abandonar as fichas de papel atualizadas manualmente. Foi nesse contexto que a Prefeitura contratou uma empresa pioneira, no Brasil, em processamento de dados e tecnologia aplicada à gestão municipal.
Participei ativamente do processo: compreender a realidade tributária, identificar necessidades, testar procedimentos e adequar o sistema à realidade de Lages — atuando na estruturação do Cadastro Municipal de Contribuintes, nos lançamentos, baixas de pagamento, isenções, tabela de atividades econômicas, emissão de carnês, controle de notas fiscais e relatórios de fiscalização.
Foi uma experiência de estudo, observação, tentativa, correção e aprendizado contínuo. Ali compreendi que teoria e prática não são caminhos opostos, mas partes do mesmo processo de construção do conhecimento. Não basta conhecer a teoria sem aplicá-la, nem repetir procedimentos sem entender como aperfeiçoá-los.
Foi dessa vivência que percebi uma corrente invisível ligando o esforço intelectual ao resultado econômico e social:
estudo → prática → conhecimento → inovação → tecnologia → produtividade → renda → prosperidade.
O estudo e a prática
Todo profissional competente percorre esse caminho — médico, engenheiro, professor, agricultor, empresário, servidor público ou artesão. Ninguém alcança excelência só acumulando informações; é preciso transformar informação em compreensão, e compreensão em capacidade de agir.
Na implantação do sistema tributário, aprender a nova ferramenta não bastava: era preciso compreender a legislação, conhecer os contribuintes e testar cada alteração na prática. O que parecia correto no papel muitas vezes precisava ser ajustado diante da realidade. Essa experiência me mostrou que a prática não apenas aplica o conhecimento — ela também o produz.
Do conhecimento à inovação
Quando o conhecimento é colocado em movimento, surge a inovação — que não significa necessariamente criar algo totalmente novo, mas encontrar uma forma mais simples, rápida ou eficiente de fazer o que já fazemos.
A informatização tributária de Lages foi um exemplo disso: procedimentos antes manuais passaram a contar com maior automação e organização. A experiência dos servidores permitiu identificar problemas; a tecnologia transformou esse conhecimento em soluções. Inovar é transformar o que sabemos em algo capaz de produzir resultados.
Tecnologia e produtividade
A tecnologia não é um fim em si mesma — seu valor está em ampliar a ação humana e resolver problemas. Na administração tributária, a informatização reduziu tarefas repetitivas, organizou informações e ampliou a capacidade operacional.
Esse é o elo com a produtividade: produzir mais, melhor e com menos desperdício. Isso vale para uma indústria, uma propriedade rural, uma empresa ou uma prefeitura — e também é indispensável à administração pública e ao desenvolvimento de uma nação.
Da produtividade à renda
Quando a produtividade aumenta, cresce a capacidade de gerar valor econômico. Uma empresa mais produtiva investe e gera empregos; um agricultor mais eficiente aumenta sua renda; uma administração pública mais eficiente amplia sua capacidade de investir.
A renda não surge isoladamente — é resultado de uma cadeia anterior de conhecimento, trabalho, tecnologia e produtividade. Por isso, o debate sobre riqueza precisa considerar não só como distribuí-la, mas como produzi-la. O Brasil tem recursos, território e potencial; o desafio está em transformar essas vantagens em conhecimento aplicado e valor agregado.
Da renda à prosperidade
Renda não é sinônimo de prosperidade. A verdadeira prosperidade ocorre quando a riqueza se transforma em melhores condições de vida, oportunidades, educação, saúde, segurança e liberdade — para uma pessoa, uma empresa, um município ou uma nação.
Na administração pública, arrecadar melhor só cumpre sua finalidade quando os recursos retornam à sociedade em serviços e investimentos que melhorem a vida das pessoas. Produzir riqueza é importante; transformá-la em bem-estar é essencial.
A grande lição
Ao olhar para aquela experiência em Lages, percebo que foi muito mais do que a implantação de um sistema: foi a demonstração de um princípio válido para quase toda a vida — o que estudamos transforma o que fazemos; o que fazemos gera experiência; a experiência amplia o conhecimento; o conhecimento gera inovação, tecnologia, produtividade, renda e, por fim, prosperidade.
Essa cadeia começa muito antes do dinheiro: começa na disposição de aprender. Não basta ter informação — é preciso transformá-la em conhecimento; não basta ter conhecimento — é preciso transformá-lo em ação; e não basta agir — é preciso avaliar os resultados e buscar continuamente formas melhores de fazer.
Conclusão
Ao refletir sobre minha trajetória, percebo que muitas mudanças grandes começaram com algo simples: a decisão de aprender. Foi assim na experiência de informatização tributária em Lages — da necessidade veio o estudo; do estudo, a experimentação; dos testes, correções; das correções, aperfeiçoamentos e soluções.
Essa lição também vale para o Brasil. Precisamos de investimentos, infraestrutura e boas políticas — mas nada substitui a formação de pessoas capazes de aprender, aplicar e aperfeiçoar continuamente aquilo que fazem. Se quisermos prosperidade duradoura, precisamos começar por sua verdadeira origem: pessoas capazes de transformar conhecimento em ação.
No fim, a grande corrente é simples: Estudar. Praticar. Aprender. Conhecer. Inovar. Produzir. Prosperar. Porque todo grande resultado começa com uma pequena decisão: a decisão de aprender.
Autor: Walmor Tadeu Schweitzer
Contato: walmor1953@gmail.com
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